quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ir

Por que tu
não pára, homem?
Por que não deixas
o Mundo
em sossego?
O que esperas
encontrar nesse
outro lugar?
O amor que
nunca teve?
A paz que
sempre te fugiu?
São quimeras,
homem.
A vida haverá
de se repetir
e teus horrores
voltarão.
De novo cobrar-te-ão
a felicidade
que não tens.
O vigor que
te deixou
e o dinheiro
que acabou.
Cobrar-te-ão,
homem,
o que já não és!

Talvez,
voz do Conselho,
talvez...
Entretanto, irei;
morde-me ainda
o gosto e a vontade
de ser feliz.
Ainda respiro
o incerto prazer
da andança.
E ainda sonho
com a felicidade
dos ingênuos.
Aqui, algumas camas,
oferecem-se-me,
mas já não quero
o vazio de antes,
de durante e de depois.
Eu só quero,
voz da Razão,
tentar novamente
e quem sabe,
virar gente?
Eu só quero,
voz do sizo,
libertar meu riso
e pensar que
cheguei n'algum
Paraíso.
Irei, sim,
voz da Prudência,
pois só eu sei
de minha urgência.
Só eu sei
dessa mágoa
que me domina;
e só eu sei
da esperança
que chamo de
Crihstina.