quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Metade

Heróico em alguma cena,
Quero-te troiana Helena,
para amar-te nesse pós mito
em que a vida entala
por ausência de um grito
sob o chicote que estala
sobre quem nada fala
e por tudo cala.

Livros, histórias, utopias
de megeras fantasias
no bordel em que não se ia.
Sons por letras,
afetos por canetas,
vai qualquer escriba
atrás da mulher que pressente
em cada vazio ausente.

Já há tanto escrito,
tanto gemer aflito
nesse espaço circunscrito.

Espaço, tempo, equação,
fingem-me que tenho ocupação.
Que voltei a ter certeza
de que ainda há beleza
no ato de insistir,
de resistir,
de existir.

Mortas letras,
inúteis paletas.
Redemoinho,
caleidoscópio,
as Trompas de Falópio
e a esterilidade
da falsa verdade
vivida pela metade.