Moderna guilhotina
que uniformiza
corpos e almas cortadas
por insanas lâminas ajustadas.
Virtudes virtuais
são teias irreais,
conjunto de elementos
em que vidas são fragmentos.
Entre a promessa do decote
e o lusco fusco do archote,
assoma a triste e rude verdade
da fantasia ser impossibilidade.
Verdugos são todos,
entre os espíritos assassinados
e os demônios atormentados.
Nada mais afeta o coiote,
pois o estalo do chicote
só chega ao corpo torto
do homem natimorto.
Desejos são perdidos
em labirintos urdidos
na Bagdá dos possuídos.
E tudo se faz,
por uma morte a mais.
Chegastes suave como o orvalho e então eu soube que tu eras o jasmim recém colhido, que o Rouxinol anunciara no canto primeiro da aurora.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Febe
O escuro da noite
é minha angústia insone.
Madrugo acordado.
Já quase escuto o clarim do soldado
e o inexistente tropel do cavalo alado.
Mas como em cavalo dado
não se olha os dentes,
fantasio as tristezas
com planos lenientes
de fadas urgentes.
Quanto custaria dormir?
Logo o Sol estará a pino,
o tarô adivinhará um destino
e como se eu voltasse menino
pensarei que há um prumo
nessa falta de rumo.
Mas quando Febe voltar
de suas outras noites,
sentirei, só comigo,
o horror do desabrigo
e a solitária solidão
dessa imensa imensidão.
é minha angústia insone.
Madrugo acordado.
Já quase escuto o clarim do soldado
e o inexistente tropel do cavalo alado.
Mas como em cavalo dado
não se olha os dentes,
fantasio as tristezas
com planos lenientes
de fadas urgentes.
Quanto custaria dormir?
Logo o Sol estará a pino,
o tarô adivinhará um destino
e como se eu voltasse menino
pensarei que há um prumo
nessa falta de rumo.
Mas quando Febe voltar
de suas outras noites,
sentirei, só comigo,
o horror do desabrigo
e a solitária solidão
dessa imensa imensidão.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Gárgula
Uma gárgula me reflete,
fantasmas me seguem
e demônios me habitam.
É tempo das bruxas
e de suas faces esdrúxulas.
Será vã a Epopéia do Bardo,
só leio o urro do Leopardo.
Fera atiçada
nessa noite de "São Nada".
Junto meu delírio à luz do Poste,
mas não há Lua que se mostre.
Blasfemo contra a Divindade
e proclamo a Luxúria na Cidade.
Mas, no fundo, temo a Maldade.
Fecho olhos e janela
e o terror me invade.
Eu queria novo Tempo de Bondade...
Durmo a metade
e sonho saudade
fantasmas me seguem
e demônios me habitam.
É tempo das bruxas
e de suas faces esdrúxulas.
Será vã a Epopéia do Bardo,
só leio o urro do Leopardo.
Fera atiçada
nessa noite de "São Nada".
Junto meu delírio à luz do Poste,
mas não há Lua que se mostre.
Blasfemo contra a Divindade
e proclamo a Luxúria na Cidade.
Mas, no fundo, temo a Maldade.
Fecho olhos e janela
e o terror me invade.
Eu queria novo Tempo de Bondade...
Durmo a metade
e sonho saudade
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Jaz
JAZ
Se houvesse um epitáfio
alguém escreveria:
morreu de beleza.
Da sofrida certeza
de apagar
ao luar.
E pensar que a tantos abrigou,
que a tantos alegrou...
Vi-lhe há pouco:
saco de miséria,
de desgosto.
Senti-a há pouco:
abandono de choro rouco,
engasgado.
E pensar que queriam sua boca,
que desejavam seu corpo,
seu sorriso meio torto...
Que antes seus quereres não
duravam instantes. Que tudo era seu,
que o Mundo era seu.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Gregas Tragédias - Prometeu Acorrentado - Resumo Comentado
Ésquilo – 525(4)/456 aC. - Elêusis
Cenário – região desolada na Citia, atual Sibéria.
Época da ação – primórdios da Humanidade
A 1ª Apresentação – em 458 aC. em Atenas.
Personagens:
1. Coro – representando as Oceânidas
2. Hefesto – o deus do fogo.
3. Hermes – deus, arauto e mensageiro de Zeus.
4. Ío, filha do rei Ínaco, amada por Zeus e perseguida por Hera, a ciumenta esposa do “Pai do Deuses”.
5. Poder e Força – divindades auxiliares de Zeus.
6. Prometeu, um dos titãs, filho de Urano (o Céu, também chamado de jápeto) e Gaia, ou de Urano e Têmis.
Cenário – região desolada na Citia, atual Sibéria.
Época da ação – primórdios da Humanidade
A 1ª Apresentação – em 458 aC. em Atenas.
Personagens:
1. Coro – representando as Oceânidas
2. Hefesto – o deus do fogo.
3. Hermes – deus, arauto e mensageiro de Zeus.
4. Ío, filha do rei Ínaco, amada por Zeus e perseguida por Hera, a ciumenta esposa do “Pai do Deuses”.
5. Poder e Força – divindades auxiliares de Zeus.
6. Prometeu, um dos titãs, filho de Urano (o Céu, também chamado de jápeto) e Gaia, ou de Urano e Têmis.
Resumo
Num banquete servido aos Homens e aos Deuses, Prometeu encarregou-se de fazer a partilha de um boi assado. Ludibriando Zeus fê-lo escolher a parte onde colocara apenas ossos camuflados por uma branca gordura. O “Pai do Deus” ao ver-se vitima do ardil encolerizou-se contra Prometeu e contra os mortais (que ficariam com as partes nobres da carne) e para castigá-los escondeu-lhes o fogo, o último elemento que faltava para que eles atingissem a civilização. O titã voou até o Olimpo, acendeu um ramo nas brasas do Sol (ou nas fornalhas de Hefestos, segundo uma variante da lenda) e deu aos Homens aquela chama. Zeus, duplamente enganado, puniu os Homens mandando à Terra a deusa Pandora e a Prometeu castigou mandando acorrentá-lo num rochedo.
A tragédia de Ésquilo começa a partir desse ponto, mas achamos oportuno recuarmos um pouco no tempo para facilitar a compreensão da peça. Também, com esse espírito, discorreremos brevemente sobre Pandora, que apesar de não estar diretamente mencionada na obra de Ésquilo ocupa um papel de destaque no encadeamento da lenda.
É bem conhecida a fábula de Pandora que ao abrir sua caixa libertou todas as maldades no Mundo. Também é comum que se creia que nem só de Maldades estava cheia a caixa, pois nela havia uma exceção benéfica: a esperança. Todavia é um erro supor que a “Esperança” fosse algo benéfico, pois ela é apenas mais uma das maldades. É a “Esperança” que ilude o Homem fazendo-o crer que seu Futuro será diferente. Que ele poderá dominar esse Futuro. É claro que mudanças superficiais ele poderá realizar, mas o intimo, a essência, está nas mãos do Destino, das circunstâncias que lhe cercam e cercarão. É a “Esperança” que obriga a Humanidade a perseverar como se fosse o mitológico Sísifo, cuja pena no Hades consistia em empurrar uma pesada rocha montanha acima e ao chegar ao cume, ver que a pedra rolava para seu ponto inicial, fazendo-o erguê-la novamente. Lendo a fábula de Pandora com a alma desarmada de clichês, nota-se a semelhança do Homem e Sísifo. Ambos fazem um inútil trabalho contínuo (ou uma vida de trabalho, cuja satisfação é sempre momentânea; e logo substituída por nova ambição) sem saber o motivo de tanta dor e sofrimento.
A representação teatral inicia com a chegada do “Poder”, da “Força”, de Hefestos e do prisioneiro Prometeu a um rochedo na distante e congelada Citia. Hefestos deixa escapar sua tristeza por ver um deus, um irmão seu naquela situação e logo é advertido pelo “Poder” para a necessidade de cumprir a ordem do Pai Zeus. Lembra-lhe que todos, inclusive os deuses estão presos às cordas do Destino e que tudo é inútil na tentativa de modificá-lo. Tudo é pré-determinado.
Note-se que essa negação do “Livre Arbítrio” e da meritocracia para alcançar “A Salvação” voltaria à cena milênios depois nas vozes de Religiosos Protestantes. Calvino e Lutero, dentre outros, pregavam a “Graça Divina”; ou seja, seriam “Salvos” aqueles que fossem escolhidos (sic) por Deus, independentemente dos seus atos.
Preso por grossas cadeias, Prometeu experimenta a solidão com a partida de seus carcereiros e dá inicio as suas lamúrias e queixumes (alguns estudiosos veem nessa cena o original da cena da Crucificação de Jesus. É certo que há alguma semelhança na essência, embora os detalhes mudem: um Ser Divino, protetor dos Homens, é castigado por tê-los favorecido.) até que ouve um barulho que lhe indica a chegada de alguém. São as Oceânidas que lhe trazem sua amizade e sua solidariedade. Prometeu, repete-lhes suas queixas e lhes ouve dizer que Zeus é um “Novo Rei” ainda em fase de consolidação do poder e inexperiente em seus mandos e desmandos.
Esse fato se repete a sorrelfa em várias oportunidades na História do Homem, principalmente quando as revoltas, justas ou injustas, chegam ao Poder e a agitação social, inclusive com violência, faz-se presente até que haja uma acomodação de todos os agentes deslocados por aquela convulsão.
Através do Coro, as Ninfas contestam Prometeu que julga ser motivo de escárnio doutros deuses. Ponderam que ninguém poderia ficar satisfeito com aquela situação. Nesse ponto, Prometeu cita pela primeira vez a hipótese de Zeus vir a ser derrubado por outro deus. Cita, então, um segredo (que se desposasse Tétis, o filho que gerassem o destronaria. Por isso, o Senhor dos Deuses fez com que ela se casasse com o mortal Peleu, a quem deu o filho chamado Aquiles, o maior guerreiro grego) que sabe e que interessa diretamente a Zeus, pois nele está o nome de quem o substituirá no trono. Prossegue afirmando que tal trunfo lhe é valioso e que por isso não será revelado mesmo que lhes sejam ditas doces palavras, ou lhes sejam aplicadas cruéis torturas.
Ante o medo que as Ninfas externam, dizendo que o coração de Zeus é tão duro quanto um diamante, Prometeu as consola retrucando que chegará o tempo que ele, o soberano Pai dos Deus, será curvado pelas circunstâncias e será obrigado a vir humildemente pedir-lhe socorro. Na seqüência, Prometeu responde ao Corifeu (representando a líder das Ninfas) contando o que fez para receber aquele castigo. Contou-lhe primeiro que foi decisivo como aliado de Zeus contra os titãs, pois usou além da força bruta a sutil inteligência; e se queixa da ingratidão de Zeus, nesse assunto.
Prosseguindo sua narrativa, contra-argumenta com o Coro, dizendo-lhe ser fácil criticar, mas de tudo que fez, de nada se arrepende, pois como tinha o dom da adivinhação sabia de antemão o que teria que enfrentar, embora não esperasse que em condições tão duras. E tudo por amor aos Homens...
Volta a questão do egocentrismo. Por amor ao Homem, ou por desejo de se opor a Zeus? Por ciúme do poder adquirido pelo irmão? A segunda opção tem mais probabilidade de ser a verdadeira.
Nesse momento chega o titã Oceano que presta juras de amizade, mas censura Prometeu por não ter se submetido ao poder de Zeus. Primeiro ele recebe as criticas com polidez, mas depois usa de sarcasmo e diz que os covardes, como Oceano, não devem dar motivos para censuras dos poderosos do momento e que, portanto, ele deve partir sem vagar. Assumindo sua paúra, Oceano parte célere, amedrontado de ter contrariado o novo Senhor.
Nesse trecho é oportuno observar uma característica bem humana: qualquer sentimento mais nobre, a amizade, por exemplo, não resiste a um eventual risco. Tanto há milênios, quanto nos dias atuais. Há, aqui, todo um desnudamento profundo do caráter humano. Chega-se ao mais intimo do Ser, graças à genialidade de Sófocles.
No outro extremo, o da nobreza dos sentimentos, as Oceânidas permanecem junto a Prometeu suavizando-lhe a solidão a que foi condenado.
Na seqüência o titã relata os benefícios que concedeu aos Homens, narrando desde os primórdios da Humanidade:
1. A arte de construir casas, livrando-o das cavernas, onde vivia então.
2. O uso do raciocínio e a partir daí o conhecimento astronômico básico.
3. As ciências matemáticas e a escrita.
4. A doma e o uso dos animais de carga
5. Os navios à vela.
E após essa enumeração, queixa-se por não saber como se livrar da terrível condição em que ele próprio agora está. O Corifeu o compara a um médico talentoso, mas que desconhece o remédio que o curaria de sua enfermidade. Prometeu enumera mais algumas dádivas que deu aos Homens:
1. Os remédios e as ervas medicinais. Os alimentos funcionais.
2. As artes divinatórias. Como interpretar as estranhas de um animal sacrificado, ou o vento dos pássaros etc.
3. A metalurgia.
O Corifeu lhe pede, então, que não mais exagere no amor aos mortais. E que, se um dia libertar-se dessas correntes, leve uma vida harmoniosa com os outros deuses, especialmente com Zeus.
Responde-lhe Prometeu que ainda não é hora para a reconciliação. O Destino já fixou essa hora, bem como as dores que ainda sofrerá. E essas determinações são inflexíveis. Não podem ser alteradas. E o Corifeu faz a pergunta esperada: e quem controla o Destino (ou a Deus)?
Responde-lhe o filho de Jápeto, que o Destino é controlado pelas três Parcas e pelas três Fúrias, que não esquecem jamais qualquer erro. Sendo o próprio Zeus sujeito a isso.
No hinduísmo há essa concepção de Deus. Acima da TRIMURTI (Vishnu, Brahma, Shiva) está o “Deus Maior”, chamado de BRAHMAN. No catolicismo, algumas correntes já admitem que exista um “Deus” acima do demiurgo que construiu o Universo.
Na seqüência, a questão do controle de Zeus (ou de Deus, na modernidade e na contemporaneidade) é retomada pelo Corifeu, mas Prometeu se recusa ao assunto, alegando que ainda não é o Tempo certo para a revelação de tal segredo.
O Corifeu continua questionando e pergunta a Prometeu o porquê de seu amor aos Homens? Que benefícios isso lhe traz? Mas antes que o titã responda, chega à cena a beleza jovem de ÍO que atormentada pelo moscardo (a mosca da madeira) enfeitiçado, corre por todas as direções enquanto pergunta às Oceânidas sobre o prisioneiro atado à rocha, em meio aos seus próprios queixumes.
Prometeu diz conhecê-la, bem como ao seu fardo. De amada de Zeus, passou a ser a perseguida pela ciumenta Hera. Retruca a jovem pedindo-lhe que revele as futuras torturas que ainda passará. Diz que lhe revelará o seu futuro, de forma clara e objetiva. Porém, antes que comece, o Corifeu pede a ÍO que ela própria conte seu males e ela, envergonhada, conta dos sonhos freqüentes que a induziram a receber Zeus em seu corpo; de como seu pai a expulsou de casa, pensando que desse modo agradava aos deuses. E como seu físico e sua mente foram modificados para que ela ficasse parecida com uma novilha; também fala como o moscardo começou a torturar-lhe diuturnamente, impedindo qualquer repouso ou refeição. E mais contaria, mas achou melhor voltar a pedir o vaticínio de Prometeu.
Prometeu inicia seu vaticínio indicando-lhe o caminho a seguir, no qual encontrará e deverá evitar vários povos hostis, exceto o das Amazonas que a tratarão como amiga e lhes darão um breve repouso na dura e longa caminhada, até sair da Europa e adentrar na Ásia. Prometeu compara seu sofrimento com o da jovem e não a persuade de desistir do suicídio. Apenas lamenta o fato de ser imortal, proibido do descanso que a morte promete. Diz-lhe que só terá paz com a queda de Zeus, perspectiva que também alegra ÍO, pois ela entende que foi ele o causador de seus males. O titã lhe conta, então, que Zeus caiará tombado por um filho de sua estirpe, mas não será o filho de ÍO, posto que ele só há de vir após terem se passado treze gerações. Também lhe diz do longo caminho que deverá percorrer em solo asiático e dos perigos que enfrentará até que no território do atual Egito ela funde uma Colônia.
O Corifeu volta a lhe perguntar: quem destronará Zeus? Em resposta o titã diz que na Colônia, ÍO recuperará a forma humana e a sua paz interior. Ali gerará um filho negro, EPAFO, que cultivará a região banhada pelo Nilo criando as bases de uma linhagem real. Dessa linhagem virá o seu libertador, mas não entra em detalhes alegando que seria necessário um longo tempo para chegar ao término da narrativa, o que seria improdutivo para a jovem.
O nobre descendente de ÍO, através da linhagem de Epafo, é Herácles (Hercules, em latim) que efetivamente libertou Prometeu.
Entrementes, novamente aguilhoada pelo moscardo, ÍO chora seus sofrimentos e em desabalada carreira sai de cena.
Note-se a importância dada nos textos antigos aos males causados pelos insetos. Na Bíblia judaico-cristã um dos terrores mais comuns é associado à picada dos escorpiões, ou à praga dos gafanhotos, de moscas etc. Se na atualidade tais ameaças deixaram de ser tão decisivas foi graças ao uso dos inseticidas, mas esses, por sua vez, afetam os ecossistemas. Esses dois aspectos dão força aos argumentos dos que chamam os insetos de piores inimigos da Humanidade. Tanto direta, quanto indiretamente.
Enquanto o Coro relata o erro de ÍO que, como muitos, casou-se deslumbrada pelo dinheiro e pelo poder de Zeus, Prometeu retoma seu discurso sobre a queda de Zeus e se gaba de ser o único que sabe do segredo de Zeus e como minorá-lo. As Oceânidas questionam-lhe se ele não estaria confundindo seus desejos com a real previsão do Futuro, hipótese que o titã rechaça e quando vai contra-argumentar, adentra à cena o deus Hermes, especialmente detestado por Prometeu que não lhe perdoa a servilidade, a covardia perante Zeus. Um Homem que se sujeita a ser um mero “menino de recados”.
Com esse ódio no peito, Prometeu o recebe com escárnio, acentuando sua covardia e sua servil condição de mensageiro. Hermes responde-lhe os insultos chamando-o de “Sofista”, ou seja, enganador, manipulador por meio de discurso vazio, mas convincente pela bela forma. Também lhe chama de “ladrão”, pelo “fogo” dado aos Homens. E entre ataques e contra-ataques, Hermes transmite-lhe a pergunta de Zeus sobre que casamento lhe arruinará? Ordena Zeus que Prometeu esclareça essa profecia, mas como seria de se esperar, o titã se nega a dizer quem o derrubará enquanto continua seu feroz ataque ao mensageiro, insultando-o pela sua mediocridade, sua baixa estima e sua ingenuidade de achar que tanto ele quanto Zeus, serão eternos nos postos que ora ocupam. Ele mesmo, diz Prometeu, já assistiu à queda de dois “Pais dos Deuses”. Primeiro Urano e depois Cronos, avô e pai de Zeus.
Furioso, antes de voltar ao Olimpo, Hermes ameaça Prometeu com novos castigos: o primeiro será o “cão alado” que estraçalhará seu corpo; o segundo será a “branca águia real” que comerá seu fígado diariamente, ou na medida em que ele se regenere. O Corifeu tenta intervir na briga pedindo que Prometeu abrande sua fúria e se submeta ao novo “Rei dos Deuses”. Mas é em vão tal apelo, pois o titã reafirma sua posição e diz nada temer dos novos castigos que Zeus lhe infligirá. É acompanhado nessa determinação pelas leais Oceânidas que se recusam a abandonar o filho de Jápeto. Com isso repelem o conselho de Hermes para se afastarem e não serem feridas pelos raios de Zeus.
E firmes em sua convicção e em seu propósito, Prometeu e as Ninfas são colhidos pela imensa tempestade que se abate sobre eles, cuja fúria pressupõe o extermínio de todos. É o fim da apresentação teatral.
O leitor ou espectador observa que nessa Tragédia o sentimento dominante é a ira e o desejo de vingança contra uma suposta ou real injustiça. Num primeiro momento exalta-se a justeza do caráter de Prometeu. Num segundo instante, essa admiração chega às Oceânidas, cuja lealdade é voluntária. E talvez mais digna de louvor justamente por isso e pelo fato de não terem a mesma imortalidade de Prometeu, tampouco sua proteção como ente divino.
Ao fechar o livro, ou ir para casa após o teatro, o conceito do espectador ou do leitor sobre a firmeza, vai sendo substituído pela dúvida sobre os reais motivos de Prometeu. O que ele fez foi mesmo por “amor aos Homens”? Ou terá sido apenas uma maneira de afrontar alguém (Zeus) que teria usurpado um trono que deveria ser seu? Foram os Homens apenas “massa de manobra”, tola e ingênua? É quase certo que a sua resposta será “Sim”. Pois olhando em retrospectiva, vê-se que o “fogo (a luz, a sabedoria)” dado pelo titã serviu para iluminar um Pensador como Platão; mas, com muito mais ocorrência, serviu para armar os Homens que se matam entre si, por conceitos absurdos. O que adiantou para a Humanidade a “civilização” que o deus lhe ofertou? Só a opressão de uns contra outros, sem que através dela se criasse efetivas melhorias para todos. Tudo que foi dado, e NÃO conquistado, veio com a maldição de todas as heranças: a criação de uma geração de incapazes, inescrupulosos, vadios e fúteis.
Todas essas questões perpassam os Juízos de todos que têm contato com a obra de Ésquilo, cada qual analisando de uma maneira própria. Mas é certo que todos - independentemente do juízo que faça das personagens - concordam que se saboreou um texto de beleza superlativa. Uma das grandezas de Ésquilo, cuja sutileza permite, a quem dele se aproxima, viajar pelos meandros das almas humanas e divinas.
Rio, 12/02/2011
Jardins
O verso caído
de um amor ressequido,
segue a folha de Outono
na trilha do abandono.
Uma lágrima caída
fertiliza a dor sofrida,
pois amores acabados
são jardins violados.
Suspira-se o fim dos delírios
a chegada de velhos martírios
e a falta do canteiro de lírios.
Agora,
após a nossa Aurora,
nuvens apagam o Sol
e só resta tua ausência no lençol.
de um amor ressequido,
segue a folha de Outono
na trilha do abandono.
Uma lágrima caída
fertiliza a dor sofrida,
pois amores acabados
são jardins violados.
Suspira-se o fim dos delírios
a chegada de velhos martírios
e a falta do canteiro de lírios.
Agora,
após a nossa Aurora,
nuvens apagam o Sol
e só resta tua ausência no lençol.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Licores
Amores escondidos
Mostram-se atrevidos,
Nos caminhos percorridos
Pelos corpos proibidos.
Luzes e Sombras,
Flores e bombas,
Formam-lhe o cenário
De Paraíso e Calvário.
Amores indevidos,
(E por isso mais sentidos),
Desnudam a hipocrisia
Da moralista melancolia.
Amores proibidos
São sonhos vividos.
Licores escolhidos
na adega dos convertidos.
Mostram-se atrevidos,
Nos caminhos percorridos
Pelos corpos proibidos.
Luzes e Sombras,
Flores e bombas,
Formam-lhe o cenário
De Paraíso e Calvário.
Amores indevidos,
(E por isso mais sentidos),
Desnudam a hipocrisia
Da moralista melancolia.
Amores proibidos
São sonhos vividos.
Licores escolhidos
na adega dos convertidos.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Viço
O branco perfume
da flor de laranjeira
espalha-se liberto
do vaso que o continha
e da rotina que o sustinha.
Flor recém chegada,
trazes consigo
o bálsamo amigo
para o sofrer antigo.
Alvo alívio,
a qual deusa agradeço
por haver em teu viço
todo esplendor
de uma vida nascida,
ante a morte morrida?
Flor sozinha
na curta sacada,
de teu parto
outros nascimentos chegaram,
como se outra Musa existisse
e novo poema surgisse.
da flor de laranjeira
espalha-se liberto
do vaso que o continha
e da rotina que o sustinha.
Flor recém chegada,
trazes consigo
o bálsamo amigo
para o sofrer antigo.
Alvo alívio,
a qual deusa agradeço
por haver em teu viço
todo esplendor
de uma vida nascida,
ante a morte morrida?
Flor sozinha
na curta sacada,
de teu parto
outros nascimentos chegaram,
como se outra Musa existisse
e novo poema surgisse.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Personalidade do Ano de 2010 - Produção Literária
Extremamente honrado pela láurea que me foi concedida, deixo um sincero agradecimento à Comendadora Isabelle Valladares, à Drª Dyandréia Valverde e aos Contrades e Confreiras de Academia de Artes de Cabo Frio - Rio de Janeiro
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Casa
Triste de ver,
a máquina do Homem
derrubar a velha casa
e soterrar as memórias
que lá viviam.
Ali, um choro.
Aqui, um riso;
no quarto, um desejo,
na mesa, um gosto
e no espelho,
o que foi um rosto.
Na sala, uma festa.
Na janela, uma fresta.
Na porta, um adeus,
uma partida à revelia;
uma dura agonia
e uma ou outra fantasia...
Telhas caídas
sobre vidas esquecidas.
a máquina do Homem
derrubar a velha casa
e soterrar as memórias
que lá viviam.
Ali, um choro.
Aqui, um riso;
no quarto, um desejo,
na mesa, um gosto
e no espelho,
o que foi um rosto.
Na sala, uma festa.
Na janela, uma fresta.
Na porta, um adeus,
uma partida à revelia;
uma dura agonia
e uma ou outra fantasia...
Telhas caídas
sobre vidas esquecidas.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Vento
Chuva fina
molhando o cinza
na janela.
Tarde de pré Outono,
indecisa entre um frio
sorrateiro
e um calor
passageiro.
Um ipê se atreve
a florir antes
do que deve.
São confusos os ares
que voam nos ventos.
Toda cor se recusa
à paleta do pintor
e brancos quadros
adornam paredes
que nada guardam.
Breve chegará o Minuano.
Sopro gelado
que arrepia tua pele nua.
Quem te fará amor?
Quem te trará a próxima dor?
molhando o cinza
na janela.
Tarde de pré Outono,
indecisa entre um frio
sorrateiro
e um calor
passageiro.
Um ipê se atreve
a florir antes
do que deve.
São confusos os ares
que voam nos ventos.
Toda cor se recusa
à paleta do pintor
e brancos quadros
adornam paredes
que nada guardam.
Breve chegará o Minuano.
Sopro gelado
que arrepia tua pele nua.
Quem te fará amor?
Quem te trará a próxima dor?
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Escarlate
Escuto as vozes
e os suspiros atrozes
da gente que procura
o que não perdura.
Cores escuras
tingem as molduras
dos soturnos retratos
que se postam como duros fatos.
Os sentimentos já não são fartos,
pois ficaram nos caminhos
que antes eram torvelinhos
de névoas escarlates,
mosaicos de todas as partes.
Épocas e tempos de antes,
de fugidos instantes
que se perderam nas brumas
e nas brancas espumas.
Restei apenas e só.
De posse nada tenho
e nem sei donde venho.
Mas sigo a estrada
até que a Parca irada
corte-me o pavio
dessa vida por um fio.
Nada me disse Delfos,
ou outro oráculo qualquer.
Sigo de encontro ao que vier,
esperando a paz de uma mulher
e os suspiros atrozes
da gente que procura
o que não perdura.
Cores escuras
tingem as molduras
dos soturnos retratos
que se postam como duros fatos.
Os sentimentos já não são fartos,
pois ficaram nos caminhos
que antes eram torvelinhos
de névoas escarlates,
mosaicos de todas as partes.
Épocas e tempos de antes,
de fugidos instantes
que se perderam nas brumas
e nas brancas espumas.
Restei apenas e só.
De posse nada tenho
e nem sei donde venho.
Mas sigo a estrada
até que a Parca irada
corte-me o pavio
dessa vida por um fio.
Nada me disse Delfos,
ou outro oráculo qualquer.
Sigo de encontro ao que vier,
esperando a paz de uma mulher
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Noite
Nada deveria ser dito
nessa madrugada.
Esse céu estrelado
exige reverência.
É preciso renegar a ciência,
a saudade não se mensura.
É chaga sem cura.
Que todos se calem
e só as Estrelas falem.
Ouçamos velhos amores em murmúrios
e as novas promessas em perjúrios.
É preciso vestir a fantasia
e sonhar antes do dia.
É preciso esquecer
que logo se volta a viver.
nessa madrugada.
Esse céu estrelado
exige reverência.
É preciso renegar a ciência,
a saudade não se mensura.
É chaga sem cura.
Que todos se calem
e só as Estrelas falem.
Ouçamos velhos amores em murmúrios
e as novas promessas em perjúrios.
É preciso vestir a fantasia
e sonhar antes do dia.
É preciso esquecer
que logo se volta a viver.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Veraneio
Como se o Céu tivesse outra camada,
vê-se o voo da passarada
ao Arco-Iris da chegada.
Impera soberano
o cheiro de terra molhada
e se sente a querência
do amor primeiro,
após o uísque terceiro.
E tudo mais se fez
sob o vermelho-dourado chinês.
Paixões do Estio,
a espada e o fio.
E tudo vai até as águas de Jobim*.
Meio não há,
só começo e fim.
* As águas de Março, de Antonio Carlos Jobim.
vê-se o voo da passarada
ao Arco-Iris da chegada.
Impera soberano
o cheiro de terra molhada
e se sente a querência
do amor primeiro,
após o uísque terceiro.
E tudo mais se fez
sob o vermelho-dourado chinês.
Paixões do Estio,
a espada e o fio.
E tudo vai até as águas de Jobim*.
Meio não há,
só começo e fim.
* As águas de Março, de Antonio Carlos Jobim.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Luluzinha Vegetariana e os Micróbios
“é que fornecerei, depois de morto, alimento aos animais que me nutriram...” Sófocles, em FILOCTETES.
CRÔNICA DISTINGUIDA COM "MENÇÃO HONROSA" COM XV CONCURSO INTERNACIONAL DE LITERATURA DA ALPAS XXI - PORTO ALEGRE RS. 30/04/2011
Em defesa do bem estar animal.
Nota Legal - Texto ficcional, qualquer semelhança com fatos ou com pessoas será mera coincidência.
Luluzinha, menininha adolescentezinha, fragilzinha, mas revoltadinha, certo dia cansou de ser “Animal Pessoa” e quis sair da Natura.
— Não sou onívora como a natureza me fez, sou vegetariana como o senso me fez.
E se recusou a comer outro bichinho. Definhou, emagreceu e pensou que um animal talvez salvasse. Talvez dois, ou talvez três, ou talvez uma salva... E assim pensava:
Se João Antonio e Antonio João dizem que sou gostosinha, vou “tc” com minhas amiguinhas para contar que embarcarei na boleia de um caminhão da CEAGESP e só pararei em Porto Seguro do agreste. (Do agreste?!) A passagem para o bruto ela pagaria com seu corpinho nas mãos do caminhoneiro. Poderiam comê-la, pois ela era Safadinha (sem ser Bruninha), mas ela não comeria mais nenhum bichinho, que é tão fofinho. Ela não era mais da mamãe. Nem da biológica, nem da telúrica. Era da Supernatura.
Por que cismou que a morte da planta é menor que a do bicho? Quem lhe garantiu que planta não sente?
Sente sim! Piriripimpim! Notou o Micro bufão e chinfrim.
– E ademais, falou o Micro sagaz, As duas mortes já estão com ela. No seu rímel, no seu perfume, no seu sapato e noutros quetais. Quetais?!
E a magrela, falou o Micro Requenguela, é insolente, pois se acha melhor que a gente.
O estranho é que aquela cabeça, donde nada saía, firmou pé na resolução e nada comia, e emagreceu, e definhou, e quase morreu, enquanto pensava no animal que salvava. Aliás, pensou (para espanto geral) salvei um, dois, três salamê mínguê. Salvou, talvez, uma salva. Mas isto não pensou, porque ela não sabia que “salva” era coletivo, o qual MODUS OPERANDI, ELEMENTO, não era só o “busão”.
Tornaram a lhe perguntar: quem lhe dissera que a plantinha não sente dodói quando é arrancada, triturada, refogada, assada e comida? Bobinha... Amanhã mesmo, em Harvard, Princeton, Yale e na Faculdade que não gosta de vestidinho curtinho, um sábio dirá que: Sim! Sente, sim! PIRiripim... (foi bom ter-lhe olhado com a cara feia).
No caminho leitoso da Galáxia, instaurou-se RIGOROSO INQUÉRITO para descobrir o que pretendia A ELEMENTO LULUZINHA. Trovões de Zeus cortaram os Céus e as peles zimbelinas; e o balacobaco chegou de vez...
- Oui, oui, disse o Micro francês.
E naquela algazarra pós-incipiente e pré-deprimente; naquele caleidoscópio com jeitão de Falópio, o burburinho do “little Joe”, ou “Zé Povinho”, foi calado pelo ilustre Micro Filósofo, que ordenou:
— Pulemos, para a próxima sub-partícula!
O Pseudomicro Pseudopoeta atendeu-lhe enquanto chupava uma bala toffee.
Continuou o Micro Filósofo:
— Companheiros e Companheiras (antes da Presidenta, vou tomar a saideira) Micros e Bac. (Hã? Bac? Bacteriazinhas patricinhas) nada tem de suave esse momento tão grave. Estalou os olhos e disse PERGUNTO: quem fez o transunto? (hã?). PERGUNTO: Lulu tem boa intenção ao massacrar uma forma de vida em beneficio de outra? Será? Ou não? Será apenas comodismo, ou modismo, ou avançado estudo do simbolismo russo?
— HÃ?
— Ou estará brincando de ser pobre? Sempre à beira do abismo?
— Pero, poco importa, disse o mano HERMANO, és todo lo mismo!
— O diabo (Ave Maria, cruz credo), falou o Micro Filósofo que não acreditava em Deus; (e no Diabo, só depois de conhecer a terra do Tiago); é que ela deixará de alimentar milhões, bilhões, trilhões de nano-animais quando chegar a hora de seu abate.
— SIM! Piriripimpim! Disse o Micro Bufão (e chato). Onde terá ficado a carne que deveria ser dela e nossa?
— Não sei, retrucou o Micro Sagaz.
— Não, não sabe, resmungou o Micro Requenguela, mirando o “buraco negro” de sua panela.
E volta o Micro Filósofo dos Micros Poderes de Foucault:
— É certo que não temos o garbo de um boi pardo.
— Mas bicho é “gente humana”, falou a Bac cigana.
— Somos bichos também, gemeu o Micro Ghost do Além.
— Até Camões já nos citou, disse o Micro Letrado no Pelô.
— Não temos culpa de sermos como somos (isso amiga! Tenha atitude!)
A palavra volta ao Micro Sagaz:
— Por mim tanto faz! Mas se pudesse eu lhe diria: não há Lulu, como sair dessa Roda que a Natureza cria. A minha morte (malditos antibióticos) manter-te-á viva.
— Manter-te-á? Oh! Que lindo! Urrou a turma do “vamos indo”.
— Mas a tua morte, retornou o Sagaz, alimentaria trilhões de pequenos animaizitos. Aliás, tais animaizitos são teus ancestrais, como bem dizem os cabedais.
Retornou o Filósofo que era mais que o Sagaz, embora isso lhe custasse a paz:
— Não te importe só com a altura do decote. Veja Pequena Soraia (ouvira isso de um apresentador de programa policial, mas como era Filósofo de Lei, só assistia escondido na TV do Warley).
— Hã, hã! Fez-se silêncio para a fala do Micro Sábio, do astrolábio e do alfarrábio:
— Não te importes se somos microscópicos. Existimos. Mormente nos Trópicos. Cuide de nós. De todos nós. Isso sim!
— SIM! SIM! PIRIRIPIMPIM! (chega, cale-se!).
— Não suporte, pequena Soraia Sereia (caraca, isso é cristal na veia), que os bípedes nos maltratem. Prenda o “Bípede Domador” na jaula; faça o “Bípede Latifundiário” refazer o pré-primário; ordene que o “Bípede Torturador dos Rodeios” vá para a Escola dos Sacos Cheios. Faça o “Bípede Caçador” endoidecer da caraminhola de tanto cheirar cola. E faça que todos os outros “Bípedes Covardes” puxem carroças pelas manhãs e pelas tardes.
— Como assim? Falou Luluzinha Pequena Soraia.
—Burra! Quando você mata e come um bicho, só está seguindo o que a Natureza te obriga a fazer. Outros bichos farão o mesmo contigo. Tal como eles, você não está além da Natura.
—Como assim?
—Estúpida e Patética (eles acham que patética é sinônimo de deplorável, ah, ah, ah, não ria, isso é sério). Você já viu os Leões obrigarem os Cervos a serem servos? Já os viu combinando uma tortura institucionalizada chamada “Rodeio” ou “Farra do Boi”? Já viu a lagartixa, o besouro e os outros vermes que comerão teu corpo, torturar antes as suas refeições? Você já viu um pobre animal obrigar um “Bípede” a saltar entre arcos de fogo? Dizer-lhe que o montará (opa!)?
— Como assim? Insistiu a pequena Soraia-Lulu
—Faça "Serzinho Inteligente", que a Vida e a Morte do irmão- bicho seja de tal sorte que ele desfrute da Primeira e seja respeitado na Segunda. Que sua dor seja leve e sua agonia seja breve. Mas ao comer a carne do irmão-bicho não se ache atroz. Nem superior se não o fizer; pois tu, eu e o irmão-bicho somos da mesma matéria e escravos de uma mãe comum. Nossas vidas se alimentam de nossas mortes. Até as das irmãs-plantas. É a Mandala da Natureza. Nós somos a Natureza! Aceite-a, você não está acima dela. Alimente-se sem hipocrisia, pois a Vida não tem hierarquia. Só nós é que temos essa mania. Também há morte em cada prato de Alface mandado para o Sumano...
— Humano?
—Não! Esquece.
—De morte se faz a comida. Quer vegetal, quer animal. Todos morreram para te alimentar. Não se furte da nobre missão de saber que leva no teu corpo o alimento para milhões de animais que só esperam a tua hora. E lembre-se que nem por isso eles te maltratarão, torturarão, escravizarão e usarão para compensar suas pequenas medidas...
—Quais medidas?
—Preciso dizer?
Não se furte de transportar a energia das vidas que acabaram para preservar a tua. Toda morte só se justifica no seu oposto. Repasse a Vida. Todas as vidas.
—Como assim?
CRÔNICA DISTINGUIDA COM "MENÇÃO HONROSA" COM XV CONCURSO INTERNACIONAL DE LITERATURA DA ALPAS XXI - PORTO ALEGRE RS. 30/04/2011
Em defesa do bem estar animal.
Nota Legal - Texto ficcional, qualquer semelhança com fatos ou com pessoas será mera coincidência.
Quente
Calor das monções,
das últimas sessões,
dos último serões
e dos eternos senões.
Nada brota da caneta,
como se vazia paleta
de inútil madrugada
pintasse a terra ressecada.
Não há verso nascido,
só um tiro e o estampido
da morte sem alarido.
Calíope está muda,
distante como o colibri
que às vezes pousava aqui.
das últimas sessões,
dos último serões
e dos eternos senões.
Nada brota da caneta,
como se vazia paleta
de inútil madrugada
pintasse a terra ressecada.
Não há verso nascido,
só um tiro e o estampido
da morte sem alarido.
Calíope está muda,
distante como o colibri
que às vezes pousava aqui.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Branca Lua
Uma Lua insistente,
dessas que comovem a gente,
branqueia ruas impensadas
que relutam ser águas passadas.
Mas são passados águas e tempo,
nessa mandala que percorro
em busca de divino socorro,
ou só o de algum Santo
a quem nunca pedi tanto.
Tudo em vão branca Lua
de noites não pensadas.
O verbo está no Passado,
o Santo é de mau-olhado
e o socorro divino
ficou no meu tempo de menino.
Hoje, o escuro que me espreita
é quem comigo se deita
nessa cama desfeita
e que só de não, se enfeita.
dessas que comovem a gente,
branqueia ruas impensadas
que relutam ser águas passadas.
Mas são passados águas e tempo,
nessa mandala que percorro
em busca de divino socorro,
ou só o de algum Santo
a quem nunca pedi tanto.
Tudo em vão branca Lua
de noites não pensadas.
O verbo está no Passado,
o Santo é de mau-olhado
e o socorro divino
ficou no meu tempo de menino.
Hoje, o escuro que me espreita
é quem comigo se deita
nessa cama desfeita
e que só de não, se enfeita.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Ana Poema
Os negros olhos de Ana
desvendam os enigmas
e acendem outras luzes
nesse Oceano de cruzes.
Ana Terena,
Ana Poema.
Versos de Ana,
rude e lirico verbo
que traça as cicatrizes
de todos os deslizes.
Paixão e drama,
desejo e chama,
nos ecos murmurados
dos orgamos sussurrados.
desvendam os enigmas
e acendem outras luzes
nesse Oceano de cruzes.
Ana Terena,
Ana Poema.
Versos de Ana,
rude e lirico verbo
que traça as cicatrizes
de todos os deslizes.
Paixão e drama,
desejo e chama,
nos ecos murmurados
dos orgamos sussurrados.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Verão ao fim
Não floriram as quaresmeiras esse ano,
nem sorriram as velhas mulheres
em aviso de dano.
Vai se findando o Verão
como se passasse
sem que o sentissimos.
Talvez seja o "Aquecimento Global"
ou algum outro mal.
O Mundo ainda gira,
mas se antes era grande
e longe,
ficou perto
e breve,
como inusitada neve.
E já quase não se vê
o que foi feito da Vida
e da quaresmeira florida.
nem sorriram as velhas mulheres
em aviso de dano.
Vai se findando o Verão
como se passasse
sem que o sentissimos.
Talvez seja o "Aquecimento Global"
ou algum outro mal.
O Mundo ainda gira,
mas se antes era grande
e longe,
ficou perto
e breve,
como inusitada neve.
E já quase não se vê
o que foi feito da Vida
e da quaresmeira florida.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Quadros
No quadro de fotos,
o homem colou pedaços
de como a vida deveria ser:
ali, um casamento;
lá, um passeio;
acolá, um jardim de Paris...
É bom ver suas felicidades
taparem suas realidades.
Também queria quadro igual.
Bons momentos
sobre meus tormentos.
Doces leviandades
sobre minhas verdades.
Trocar esse vazio
pelas estrelas do meu Rio.
Riscar as megeras
e arriscar as quimeras...
Alguma fotografia
que outro Fabio consolaria...
o homem colou pedaços
de como a vida deveria ser:
ali, um casamento;
lá, um passeio;
acolá, um jardim de Paris...
É bom ver suas felicidades
taparem suas realidades.
Também queria quadro igual.
Bons momentos
sobre meus tormentos.
Doces leviandades
sobre minhas verdades.
Trocar esse vazio
pelas estrelas do meu Rio.
Riscar as megeras
e arriscar as quimeras...
Alguma fotografia
que outro Fabio consolaria...
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Recomeços
São eternos os recomeços
em teu sorriso que amanheço.
E porque em ti a luz se perpetua,
sabe-se que a claridade é tua.
Se mais nada prevejo,
em ti eu vejo
que a vida é mais que um lampejo.
Sei-te a mulher
que a vida mostra,
qual flor que se posta
em desusada serenata
que o dia não resgata,
mas que a noite retrata.
Sei-te a última
a vagar em minha vida.
A sempre pretendida
e só agora colhida.
em teu sorriso que amanheço.
E porque em ti a luz se perpetua,
sabe-se que a claridade é tua.
Se mais nada prevejo,
em ti eu vejo
que a vida é mais que um lampejo.
Sei-te a mulher
que a vida mostra,
qual flor que se posta
em desusada serenata
que o dia não resgata,
mas que a noite retrata.
Sei-te a última
a vagar em minha vida.
A sempre pretendida
e só agora colhida.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Nós
Tudo somos nós.
Desertamos da primeira pessoa,
pois o sino já ressoa
anunciando que todo conjugar
será plural em cada amar.
E, então, como somos dois,
deixemos o medo para depois.
Caminhemos o velho jardim,
entulhado de sim.
Tudo somos nós.
E secretos nós
prendamos a vida
com corda estendida.
Equilibremo-nos no arame
até que nova paixão nos chame,
ou a vida nos derrame.
Para a poetiza Susan. Com carinho.
Desertamos da primeira pessoa,
pois o sino já ressoa
anunciando que todo conjugar
será plural em cada amar.
E, então, como somos dois,
deixemos o medo para depois.
Caminhemos o velho jardim,
entulhado de sim.
Tudo somos nós.
E secretos nós
prendamos a vida
com corda estendida.
Equilibremo-nos no arame
até que nova paixão nos chame,
ou a vida nos derrame.
Para a poetiza Susan. Com carinho.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Cantar
Canta-se o que há de vir.
Canta-se o perpétuo Devir,
o mistico existir,
o contínuo fluir
e o eterno parir
da Gaia materna
em cada eco de caverna.
Talvez a Esperança de Pandora
preceda a Aurora
e não chegue em má hora,
pois entre o sonho encerrado
e o novo salto tentado
vive-se o momento
em que cessa o lamento.
Canta-se um Futuro,
canta-se o fim de um escuro
e a queda de outro muro.
Canta-se por ser humano,
porque haverá novo ano
e existirá outro plano.
Canta-se pelo fim sabido,
pois dele, novo ramo terá surgido
antes que o velho seja esquecido.
Canta-se o perpétuo Devir,
o mistico existir,
o contínuo fluir
e o eterno parir
da Gaia materna
em cada eco de caverna.
Talvez a Esperança de Pandora
preceda a Aurora
e não chegue em má hora,
pois entre o sonho encerrado
e o novo salto tentado
vive-se o momento
em que cessa o lamento.
Canta-se um Futuro,
canta-se o fim de um escuro
e a queda de outro muro.
Canta-se por ser humano,
porque haverá novo ano
e existirá outro plano.
Canta-se pelo fim sabido,
pois dele, novo ramo terá surgido
antes que o velho seja esquecido.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Três Horas
Três horas e minuto e meio.
Perdi o sono, algum devaneio
e o Poema não veio.
Sei-me saudoso de alguém,
mas não sei de quem.
Seria bom, talvez,
um horoscopo chinês,
alguma sensatez
e alguém que ouvisse
meu rosário de tolice.
Fumo outro cigarro
nesse tempo bizarro.
A roda da noite parece emperrada,
pois a ausência de tudo e de nada
é só o que recheia essa madrugada.
O ponteiro inerte
apenas reflete
o verso sumido
e o Canto desaparecido.
E ainda são três, no relógio espremido.
O costumeiro Dienpax
não me trouxe a "romana pax".
Tento um escrito notório,
Mas só consigo a mesmice de Cartório.
Combate inglório
do pseudo poeta finório.
As três da matina,
nada se aproxima.
Quero subornar o sono,
mas outrem já se lhe diz o dono.
Perdi o sono, algum devaneio
e o Poema não veio.
Sei-me saudoso de alguém,
mas não sei de quem.
Seria bom, talvez,
um horoscopo chinês,
alguma sensatez
e alguém que ouvisse
meu rosário de tolice.
Fumo outro cigarro
nesse tempo bizarro.
A roda da noite parece emperrada,
pois a ausência de tudo e de nada
é só o que recheia essa madrugada.
O ponteiro inerte
apenas reflete
o verso sumido
e o Canto desaparecido.
E ainda são três, no relógio espremido.
O costumeiro Dienpax
não me trouxe a "romana pax".
Tento um escrito notório,
Mas só consigo a mesmice de Cartório.
Combate inglório
do pseudo poeta finório.
As três da matina,
nada se aproxima.
Quero subornar o sono,
mas outrem já se lhe diz o dono.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Soldado Criança
Espectro diluído
de corpo dissolvido.
Morto insepulto,
desfila em Maputo*.
Jovem mal amado,
guri bem armado
matou sem vacilo
o que lhe foi empecilho.
Joana não lhe foi é a única Heroína.
Roubou-lhe a cena a nova Cocaína.
Mas essa é fina iguaria para poucos
e não para o seu rebanho de loucos.
Esses ficam com o Crack,
despojo do último saque.
Soldado criança perambula.
Um tiro o cessará,
mas a miséria ficará.
* Nome aleatório, sem correlação geográfica.
de corpo dissolvido.
Morto insepulto,
desfila em Maputo*.
Jovem mal amado,
guri bem armado
matou sem vacilo
o que lhe foi empecilho.
Joana não lhe foi é a única Heroína.
Roubou-lhe a cena a nova Cocaína.
Mas essa é fina iguaria para poucos
e não para o seu rebanho de loucos.
Esses ficam com o Crack,
despojo do último saque.
Soldado criança perambula.
Um tiro o cessará,
mas a miséria ficará.
* Nome aleatório, sem correlação geográfica.
sábado, 8 de janeiro de 2011
O Cachê
Marshall Macluhan, sociólogo canadense, cunhou, entre outras, duas expressões que ganharam o Mundo e acabaram sendo tidas e havidas como verdades absolutas. O primeiro neologismo foi: “Aldeia Global” e o segundo: “os 15 minutos de fama que todos terão”. Quanto à primeira expressão, a chegada e a consolidação da Internet não deixa dúvida de seu acerto. Em relação ao segundo conceito, sente-se que cada vez mais rápido ele também se aproxima de ser uma verdade indiscutível. A própria Internet, aliás, proporciona essa “fama” como bem demonstram os “Website” de ex-anônimos que mesmo não tendo qualquer talento que os diferencie dos demais, conseguem uma imensa legião de seguidores que nem sabem o porquê lhe acompanham.
Puristas, ou só insolentes, dirão que tais figuras e seus seguidores são desqualificados por lhes faltar estudo e cultura. Porém, aqueles despidos de preconceitos já começam a notar que os “15 minutos de fama” vão se imiscuindo por todas as classes sócio-econômicas e é aqui que entra o objeto de nossas reflexões nesse texto. Enquanto tal “fama” fica entre os classificados como “inferiores”, o prejuízo que podem causar é pequeno, se pequeno for considerado o desserviço à Cultura. De todo modo, não se corre risco de morte pelo fato deles existirem. O problema cresce quando Classes Profissionais cujo erro ou acerto redundam em saúde, doença ou morte sujeitam-se a esse esquema. Têm-se, então, os seguintes fatos:
1º Fato – busca-se a “Fama” ao custo de qualquer preço. E se tal busca é questionada ou criticada, a resposta padrão é: não estou nem aí. Ganhei meu cachê. Saque rápido, como os dos antigos “cowboys”. E por ser rápido e de “cowboys” quase sempre é desprovido de qualquer valor intelectual, lógico ou ético. Pouco importa. Estou ganhando?
2º Fato – ganhando o quê? E a troco de quê? O que há de tão interessante em receber um reles cachê?
3º Fato – o que acontece com a auréola de respeitabilidade que certas profissões exigem? Onde ficou a dignidade cerimoniosa de “doutores”? Alguns dirão que tais “dignidades e cerimônias” são valores caducos. Outros, com mais discernimento, dirão que não, pois ao se procurar alguém para solucionar um problema que lhe aflige o doente não busca alguém como ele, mas sim alguém que lhe seja “superior” e o livre de seu mal. Ou não? Quando me doem os dentes, procurarei outro Fabio qualquer, ou buscarei um “Doutor” Dentista? Penso que é desnecessário responder.
4º Fato – novos cursos, forjando novos e muitos “Doutores”, acirraram a concorrência de tal maneira que desprezar valores passou a ser uma necessidade? Talvez. E um triste exemplo disso é o que se vê em anúncios publicitários, como o descrito na seqüência:
“... filmado de costas, enquanto um locutor canta as virtudes de um produto, um senhor de seus 30 anos, cujo nome e número de registro profissional aparecem na legenda, vira-se com a boca cheia e tenta expressar alguma coisa. Mas de sua feição e de toda cena, só se apreende que ele é péssimo ator; e que, talvez, também não seja um prócere em sua profissão, pois se fosse não se permitiria a esse papel. Mas ele, diga-se, não está só nessa enxurrada. Vários outros a isso também se prestam, modificando-se apenas cenários e produtos.
Porém como sou apenas um humilde escrevinhador, sem competência para longas, profundas e corretas apreciações sociológicas, antropológicas, econômicas etc. não devo alongar-me nesse terreno pantanoso. O diabo é que sinto medo, pois em momentos de maior fragilidade – quando adoeço – eu corro o risco de ser (mal) tratado por atores canastrões e profissionais de baixa qualidade. Outros sentirão? Quase certo que sim. Pagamos a conta dos efeitos colaterais do acerto de Macluhan.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Vazio
Na beira do edificio
o passarinho desdenha a queda.
Não lhe existe o vazio.
Reina no meu impossível,
reduzindo o quê me pensei
e fazendo o que eu só sonhei.
Desliza caminhos
em espaços só seus.
Passeia sua independência
e cala minha insolência.
Preso ao chão
rastejo multidão.
Longe do Rei,
que um dia me achei.
o passarinho desdenha a queda.
Não lhe existe o vazio.
Reina no meu impossível,
reduzindo o quê me pensei
e fazendo o que eu só sonhei.
Desliza caminhos
em espaços só seus.
Passeia sua independência
e cala minha insolência.
Preso ao chão
rastejo multidão.
Longe do Rei,
que um dia me achei.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Rude
Dura verdade crua,
dura face nua
que sempre se mostra
como vontade oposta.
Desenha a caneta,
outra calva careta.
Fez-se a russa roleta
da morte na sargeta.
Choro por instinto.
Bacante suco tinto
que confunde o que sinto.
Vida que minto,
pois me sei extinto
em porre de absinto.
Chamaram-no as Parcas.
Em baús e arcas
guardaram o pouco que viveu.
Resta-nos esse breu.
Para Wesley, que hoje faria seis anos.
dura face nua
que sempre se mostra
como vontade oposta.
Desenha a caneta,
outra calva careta.
Fez-se a russa roleta
da morte na sargeta.
Choro por instinto.
Bacante suco tinto
que confunde o que sinto.
Vida que minto,
pois me sei extinto
em porre de absinto.
Chamaram-no as Parcas.
Em baús e arcas
guardaram o pouco que viveu.
Resta-nos esse breu.
Para Wesley, que hoje faria seis anos.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Água
Na morna banheria
revejo uma vida inteira.
Desde o primeiro começo,
até o último tropeço.
A água morna
é bálsamo que adorna;
lava minha dor
e afasta o conhecido terror.
Mas lhe falta uma Serena Sereia,
cujo canto tudo incendeia
como se fosse paixão e meia.
Agora sei, é tempo doutro Mar,
de outro ir e vir
e de inútil prosseguir.
Tempo de olvidar o homem havido,
seu queixume indevido
e seu desejo indeferido.
Tempo de esquecer
a dura e fria verdade
do amor já não ser uma possibilidade
revejo uma vida inteira.
Desde o primeiro começo,
até o último tropeço.
A água morna
é bálsamo que adorna;
lava minha dor
e afasta o conhecido terror.
Mas lhe falta uma Serena Sereia,
cujo canto tudo incendeia
como se fosse paixão e meia.
Agora sei, é tempo doutro Mar,
de outro ir e vir
e de inútil prosseguir.
Tempo de olvidar o homem havido,
seu queixume indevido
e seu desejo indeferido.
Tempo de esquecer
a dura e fria verdade
do amor já não ser uma possibilidade
domingo, 2 de janeiro de 2011
Assim é...
Vejo a estranha forma
em que a fumaça se transforma.
Assopro cinza
na patrulha ranzinza.
-Isto haverá de te matar...
-Apenas isso? Todo resto não pode me findar?
Como seria a solidão sem ele?
Dizem-me que ela é, só por ele.
Que todo resto nem pensaria em me deixar.
Simplórios pensamentos
de simplório sargentos.
A vida lhes é rotina.
Previsível rotina,
até como termina.
Creem na televisão,
ou noutro charlatão.
São retilíneos obedientes
de planos dementes,
como vacas enfileiradas
prestes a serem assassinadas.
Comerão sua carne
no churrasco de sempre.
Também comerão outro corpo eunuco,
no Templo de um Guru maluco.
Assim vivem
os esteios da sociedade
e títeres da sobriedade.
Dormem às vezes, após o frio sexo.
E acordam novo dia sem nexo.
Assim vivem
os expoentes sociais,
os considerados normais...
Dormem, acordam.
Acordam, trabalham
e dormem sem sonhos.
É pouco o que tem do Mundo,
e que ocupam no Espaço.
Do Tempo nada tem,
pois vendem-no ao relógio
até que lhes chegue o necrológio.
Dizem bravatas por futebol,
masturbam-se por revistas
e enquanto sonham com carros,
planejam a troca do assoalho
e gargalham pelo baralho.
Assim vivem.
Talvez gostem...
em que a fumaça se transforma.
Assopro cinza
na patrulha ranzinza.
-Isto haverá de te matar...
-Apenas isso? Todo resto não pode me findar?
Como seria a solidão sem ele?
Dizem-me que ela é, só por ele.
Que todo resto nem pensaria em me deixar.
Simplórios pensamentos
de simplório sargentos.
A vida lhes é rotina.
Previsível rotina,
até como termina.
Creem na televisão,
ou noutro charlatão.
São retilíneos obedientes
de planos dementes,
como vacas enfileiradas
prestes a serem assassinadas.
Comerão sua carne
no churrasco de sempre.
Também comerão outro corpo eunuco,
no Templo de um Guru maluco.
Assim vivem
os esteios da sociedade
e títeres da sobriedade.
Dormem às vezes, após o frio sexo.
E acordam novo dia sem nexo.
Assim vivem
os expoentes sociais,
os considerados normais...
Dormem, acordam.
Acordam, trabalham
e dormem sem sonhos.
É pouco o que tem do Mundo,
e que ocupam no Espaço.
Do Tempo nada tem,
pois vendem-no ao relógio
até que lhes chegue o necrológio.
Dizem bravatas por futebol,
masturbam-se por revistas
e enquanto sonham com carros,
planejam a troca do assoalho
e gargalham pelo baralho.
Assim vivem.
Talvez gostem...
sábado, 1 de janeiro de 2011
Vinho
Amores que retornam
são vinhos que entornam
na rotina das mesas postas.
Amores de antes,
já quase esquecidos,
são convivas atrevidos
em jantares repetidos.
Saudade de um bem,
memória de alguém.
Coloco mais um prato
para o rosto do retrato.
Lágrimas derramadas
em toalhas maculadas.
Sirvo-me de lembrança
e duma fatia de esperança.
são vinhos que entornam
na rotina das mesas postas.
Amores de antes,
já quase esquecidos,
são convivas atrevidos
em jantares repetidos.
Saudade de um bem,
memória de alguém.
Coloco mais um prato
para o rosto do retrato.
Lágrimas derramadas
em toalhas maculadas.
Sirvo-me de lembrança
e duma fatia de esperança.
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