quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Traição

Malha a bigorna
o coxo Hefesto,
enquanto remói
o ódio, o ciúme
e todo o resto.

Maldito Ares, vocifera.
Maldita besta-fera
que trouxe o gozo
para Afrodite,
a amante insaciada,
qual fêmea alucinada.

E presto, Homens e Deuses
planejam a vingança
(e nela pôem a última
esperança).
Febre malsã
de todo amanhã.

Que se exponha à censura,
a vergonha do adúlteros.
Que lhes cessem toda mesura,
pois eis que trairam
o sonho que permitiram.

Que gemam cativos
na rede dos mortos-vivos.
Que peçam clemência
pelo estupro da inocência.

E que implorem
por um gesto de nobreza,
da traída certeza.