domingo, 4 de dezembro de 2011

Medievallis Humanitas

Jarra de jade,
em que armário
ficou tua outra
metade?

Porcelana de Cantão
(de antes da China em massa)
conte-nos o que passa
e o que queres
que o Mundo lhe faça.

Aristocrático Serviço de Chá
da "England" matriz,
relate o que se ouve
da Colônia que houve.

Nobres baixelas e
cristais de Bruxelas,
para onde segue
vosso barco
sem velas?

Digam, empertigados
mordomos,
o que será feito
de vossos donos?
O que lhes circunda
a mesa rotunda,
dos nobres salôes
alegrados pelos bufôes?

Que fim levaram
Reis e Rainhas,
Duques e Duquezas,
o Clero e a baixa nobreza?
Foram decapitados em Paris?
A Revolução os venceu?
Justo quando se pensavam
em pleno apogeu?
Ou só estão
nos Castelos de Verão?

E os Bardos, os Menestréis?
Ainda empanturrados
de proezas e pastéis?
E as cortesãs
ainda vos alegram
com o lúbrico
Cancan e o
fingido afâ?

Digam, louças serviçais,
vosso Deus
ainda exige Prata
nos castiçais?

E os Homens da África
ainda são levados
como gados?
E os do Novo-Mundo
ainda são exterminados,
digo, catequisados?

A vossa Inquisição
ainda persegue
o que julga pagão?
E prende, tortura e mata
quem não lhes comunga
a fé vagabunda?

Oh! Tempos de antanho,
é tão estranho
ver-te reproduzido
nesse agora sem sentido.
Ver tuas mazelas,
tuas falsas donzelas,
cometerem de novo
o Pecado
que se pensava acabado.

Ver que a sucessão dos dias
só mostra noites vazias.
Que tua alma, pouco ou nada
evoluiu;
e que ainda carregas
os germes da
Servidão e da Submissão.
Que ainda se rende
ao "Nho-Nho estrangeiro"
que lhe prende.
Que praticas o sofrimento
e não se arrepende,
pois só o que queres
é o tosco prazer hedonista,
estampado numa capa de revista.

                            Para Natália Mantovani