sábado, 14 de janeiro de 2012

Serena

Diga-me, Sereia do mar,
o que há por trás
da última coluna?
O que se avista
do último outeiro?
Haverá, Ninfa, menos
amor ao dinheiro
e mais querência
por uma limpa existência?

Que gente habita
o lugar?
Será como aqui,
um esboço falido
já no croqui?
Ou uma nova
casta de Homem,
digna desse nome?
Praticarão, como cá,
a maldade, a mediocridade
e o rasteiro querer
(pois é assim que aqui
se sabe viver)?
Haverá, doce Serena,
a ausência do vestuto Sistema?
Haverá uma vida mais amena?

Ou inexiste a última coluna?
Terá sido apenas
uma vã miragem?
Um desejo insano,
por algum outro plano?
Uma esperança,
uma quimera;
dessas, em que se pensa
quando menos se espera?