sexta-feira, 6 de maio de 2011

Pura

Eu queria
um amor sereno.
Desses, que me espere
no fim do dia
sem relato de proeza
ou acúmulo de riquesa.

Desses, cuja segurança
não se torne tédio
e cujo ciúme,
mostre-me querido
sem a sensação
da posse e compulsão.

Desses, que me espere
com um guarda-chuva,
mas que na chuva
ande comigo.

Desses, que me leia
Homero
e chore pela dor
de Otelo.

Desses que ria, lamente,
brigue e volte,
por saber que ambos
somos um.

Desses, que perfume
minha mala
e espalhe flores
pela sala.

Desses, que saiba
o quanto se diz
no silêncio que se quis.

Desses, que saiba
que a vida é breve
tempo
entre dois momentos.

Desses, que me beije
com paixão
e viva a ternura a dois
no gozo
do depois.

Desses, que se saiba
o fim da procura,
pois caminha comigo
a santa virgem
pura;
e a santa
puta
impura.