quinta-feira, 10 de março de 2011

Jarro

Cai o cigarro
sobre o tapete.
Ainda o levanto
por temer as chamas de Dante.
Até quando esse levante?

Em que ponto
vencerá a angústia
esse fim,
que tudo apagaria,
nas cinzas do próximo dia?

Repito o café
e o cigarro,
na esperança
de ser o último jarro.
Na espera
da quebra do jarro,
que lavará em barro
essa inconsistência
que chamam de existência.

Um lápis e um papel
dão-me algum alívio.
E a incerteza
de um alvo delírio.
Poema de quem não morreu,
do semi extinto eu,
que olha o correr do carvão,
nesse imenso não.

POESIA DISTINGUIDA COM "MENÇÃO HONROSA" COM XV CONCURSO INTERNACIONAL DE LITERATURA DA ALPAS XXI - PORTO ALEGRE RS. 30/04/2011