domingo, 2 de junho de 2013

Anônimos


Que herói eu devo cantar Poeta?
Cante o anônimo, Menestrel.
Cante-nos.
Pois eis que somos a massa do mundo
e o recheio da utopia.
Cante o velho de longas barbas
que ainda suporta as sombras dos vales.
Cante a puta sem nome,
que toda rua consome.
Cante a operária que costura calças
e sonha com os corpos que vestirá.
Cante o jovem poeta simbolista que planeja,
escreve, berra e acredita na Revolução.
Cante a balconista magra da farmácia na esquina
que vende a cura para os males de amor
e vive a fantasia de ser lavanda e perfume.
Cante-nos, Menestrel! Pois eis que somos os palhaços do Circo
e só nós, entre super-homens que voam, levantam toneladas
e amansam dragões, só nós, podemos errar
Só nós caímos mil vezes. E mil vezes nos levantamos.
(e a plateia ainda aplaude e ainda pede bis*).
Cante-nos, Menestrel, pois só nós escrevemos os toscos diários
que compõe a grande epopeia do homem.
Cante-nos Menestrel!
Apenas nós somos os heróis a serem cantados.




* Verso da música "Pois É, seu Zé" de Gonzaguinha.
 
Produzido por TAÍS ALBUQUERQUE, no outono de 2013.