segunda-feira, 10 de junho de 2013

Aromas



Aromas viajam mistérios.
São segredos que o vento espalha
em escuras ruas desabitadas.
Aromas são promessas.
São Futuros antecipados de Presentes indefinidos
na face que não conheço por trás de máscaras não venezianas.

Mas sinto que nela viceja a esperança que insisto ter.
Que nela insiste a esperança que temi perder.
Que no aroma insiste a certeza da busca
e a aventura do encontro descoberto.

Que em alguma esquina de São Paulo tão grande,
e que numa noite ficou aos pés da Musa amada,
a moça da máscara e dos aromas haverá de se cristalizar
em carne, osso, amor e alma.

Então, o "tempo e o vento" que Érico cantou, cessarão.
E deixarão no banco de qualquer praça
a face e a vida a serem reveladas.

                               

Da prosa de Érico Veríssimo "O Tempo e o Vento".



Produção de TAÍS ALBUQUERQUE, desde o Galeão, no Rio de Janeiro.