sábado, 22 de junho de 2013

Behaviorismo - Psicologia Moderna e Contemporânea




BEHAVIORISMO
As Respostas ao Ambiente
Um ano antes da 1ª Guerra Mundial veio à luz a obra de JOHN B. WATSON (Foto acima) intitulada de “Psychology as The Behaviourist Views it” que com o tempo viria a se tornar o “Manifesto Informal dos BEHAVIORISTAS”.
Mas o que vem a ser exatamente essa corrente de estudos sobre a Psique humana?

Nesse Ensaio, pretendemos responder sucintamente a essa questão tanto pela própria importância do tema, quanto pelo fato de ser o mesmo o contraponto que ensejou o aparecimento da Psicanálise Freudiana e suas variações, que serão tratadas adiante.

BEHAVIORISMO (BEHAVIOUR) é um termo inglês que pode ser traduzido como “Comportamento”, ou “Conduta”.

Já em 1872, CHARLES DARWIN, argumentava em sua obra “A expressão das emoções no homem e nos animais” que o Comportamento é uma adaptação evolucionária e desde época até a década de 1890, os estudos  avançaram continuamente até que, enfim, conseguiu-se separar essa nova Disciplina sobre o homem, da Filosofia Tradicional.

Estava colocada e independente a PSICOLOGIA, que viria a se tornar uma das mais importantes ciências no contexto humano.

Já então consolidada, Laboratórios e Departamentos foram criados nas Universidades europeias e estadunidenses e logo despontava uma primeira geração de estudiosos da matéria, os chamados Psicólogos (as).

Nos EUA, esses profissionais logo demonstraram seu desejo de assentar a nova Disciplina em uma base objetiva, concreta e científica, em oposição ao que consideravam como abstração supérflua da abordagem filosófica e introspectiva que os Psicólogos do Velho Mundo continuavam a fazer, como, por exemplo, WILLIAN JAMES, dentre outros.

Provavelmente assim agiram talvez ainda influenciados pelo POSITIVISMO MATERIALISTA de suas  tendências filosóficas preferidas como o PRAGMATISMO, o UTILITARISMO etc.

Consideravam que essa introspecção era naturalmente subjetiva (ie. Individual, pessoal) e que as teorias que propunham não poderiam ser confirmadas, tampouco refutadas. Proclamavam que se a Psicologia desejasse ser incluída no rol das Ciências Clássicas e Tradicionais, que lhe adotasse os métodos e as regras.

Deveria, pois, seguir os protocolos que orientam as mesmas. Deveriam se basear em fenômenos (ie. Acontecimentos, fatos, etc.) que fosse observáveis e mensuráveis (ou seja, que pudessem ser medidos, estudados, analisados concretamente). E para que isso ocorresse efetivamente, a solução seria estudar os PROCESSOS MENTAIS (ou seja, como, quando, porque e de que forma ocorriam os pensamentos e os sentimentos) que geravam os respectivos atos associados.

Estudar, enfim, o “Comportamento” decorrente dos “Processos Mentais”, seguindo os padrões da Ciência já estabelecida e dentro dos parâmetros laboratoriais, em condições controladas etc.

A esse respeito, JOHN B. WATSON escreveu que a “Psicologia é aquela parte da ‘Ciência Natural’ cujo tema de interesse é o Comportamento Humano. O que homem diz, o que o indivíduo faz, o que aprende, o que não consegue apreender etc.”.

Tal declaração, para alguns, serviu como o ESTATUTO de CRIAÇAO de uma nova Disciplina, o BEHAVIORISMO.

Ivan Pavlov

Os estudos feitos pelos Psicólogos estadunidenses foram diretamente influenciados pelos experimentos similares que já vinham sendo realizados por fisiologista interessados em desvendar os processos físicos envolvidos no ato de pensar.

Nesse ponto é oportuno relembrar que a Psicologia já era tratada, embora informalmente, pelos grandes escritores europeus, particularmente os franceses e russos.

Homens como Guy de Maupassant, Balzac, Zola e, principalmente, Dostoiévski dissecavam a alma (ou o Inconsciente) de suas personagens de maneira esplêndida em suas obras e por isso não causa estranheza que o fisiologista a quem os estadunidenses recorreram tenha sido um europeu. Mais precisamente o russo IVAN PAVLOV, que herdara da soberba cultura europeia a semente para esses estudos.

Pode-se afirmar, aliás, que foi PAVLOV quem abriu (talvez involuntariamente) as portas para a incipiente PSICOLOGIA BEHAVIORISTA.

Ainda hoje é famosa a sua experiência sobre a salivação dos cães. Nela, ele descreve como um animal (que à época era considerado puramente irracional e desprovido de outro tipo de racionalidade e de sentimentos) responde a um estímulo, desde que tenha sido condicionado (ou treinado) para isso.

Estava posta, dessa forma, o germe primário da tese central do Behaviorismo, enquanto Corrente Psicológica.

A Ideia do condicionamento, que frequentemente também é chamada de "estímulo-resposta (E-R)", delineou o futuro arcabouço da modalidade e a abordagem Behaviorista caracterizou-se pelo estudo das repostas dadas a estímulos externos que o individuo recebia das mais variadas maneiras.

Desconsideravam-se quaisquer outros "Estados" ou "Processos Mentais" que pudessem existir na mente do individuo analisado, pois se considerava que estes seriam inacessíveis a qualquer estudo científico e que, portanto, não poderiam ser incluídos em nenhuma análise comportamental.

Acreditava-se que tudo que existisse na Psique humana teria sido importado do Mundo exterior, nada havendo de inato no sujeito.

NOTA do AUTOR - talvez um resquício da antiga concepção filosófica que, desde Berkeley, Hume e outros, afirmava que a alma (ou o Inconsciente) seria uma "folha em branco" a ser preenchida pelas experiências que o homem fosse colhendo no correr da vida.

Essa maneira de pensar ganhou o status de "Revolucionário" e nos EUA, que à ocasião lideravam o campo da Psicologia, o Behaviorismo consolidou a sua hegemonia e esse tipo de abordagem predominou por cerca de quatro décadas.

Nesse tempo, desenvolvendo a ideia do "Condicionamento Clássico ou Pavloviano", JAMES WATSON insistiu que o comportamento é determinado ou forjado apenas pelos estímulos exteriores ou ambientais, os quais afetam diretamente os indivíduos. Que outros fatores, inatos, genéticos, herdados, não teriam a mínima influencia no processo.

E essa concepção continuou a ganhar força com a geração posterior de Psicólogos, dentre os quais despontava B. F. SKINNER (chamado de behaviorista radical) que chegou a propor uma reforma no conceito "Estímulo Resposta" em sua teoria chamada de "Conceito Operante".

Segundo o mesmo, o comportamento também seria moldado por "consequências" e não só pelos "estimulo precedentes".

Essa tese de SKINNER trazia algumas semelhanças com a de JAMES WATSON, mas trazia também uma reviravolta importante na Psicologia, pois a partir dela, os fatores genéticos passaram a ser considerados para explicar alguns "Estados Mentais" como resultantes (ou como consequências) de determinada herança genética e não mais como simples causa, ou motivo, para certo tipo de comportamento.

A partir daí, as "Causas" para certos Comportamentos poderiam ser explicadas (e talvez atenuadas em casos de desvios sociais) pelo fato de serem originárias de uma carga inata. O predomínio absoluto das "Influencias Exteriores" começou a ruir.

Em meados do século XX, essa primeira fissura na hegemonia do behaviorismo aprofundou-se e alguns Psicólogos começaram a questionar com mais ênfase a "Teoria do Comportamento".

Teve papel de destaque nesses questionamentos a chamada ETOLOGIA, ou seja, a Ciência que demonstrava nos estudos do comportamento animal que o instinto era tão importante, quanto àquilo que fora aprendido. Verificou-se, por exemplo, que um filhote de leão sabia instintivamente como sufocar uma presa, sem que isso tivesse sido ensinado pela mãe.

E se isso acontecia entre animais, não se demorou a concluir que o mesmo acontecia entre os humanos. Foi, com efeito, uma descoberta que ao não se encaixar nas antigas ideias do "Condicionamento" abriu a possibilidade para que se questionassem as teorias de SKINNER, dentre a de outros ortodoxos.

Deflagrou-se a chamada REVOLUÇÃO COGNITIVA (cognição = aprendizado) que voltou a enfatizar a Mente e os "Processos Mentais (ou seja, como os pensamentos surgem, desenvolvem-se etc.)", libertando a Psicologia das amarras do "Comportamento Condicionado".

Destacou-se, nesse novo posicionamento, o estudioso behaviorista EDWARD TOLMAN, cujas teorias já consideravam a importância da Percepção e da Cognição (ie, do perceber e do aprender), graças ao seu interesse pela Corrente Psicológica chamada de GESTALT*, desenvolvida, principalmente, na Alemanha.

Outro behaviorista, KARL LASHLEY, explorou com êxito a Neurociência e com isso priorizou o cérebro (enquanto órgão físico, fisiológico) e o seu funcionamento. Com isso, ele acabou renegando sua antiga inclinação pela "Teoria do Comportamento".

No geral, já se tornava patente o esgotamento da abordagem behaviorista. Tanto quanto a convicção que o seu limite já havia sido atingido. Com isso, surgiram diversas tendências que apesar de suas idiossincrasias tinham a PSICOLOGIA COGNITIVA como elo comum.

Todavia, há o consenso, de que a herança behaviorista não pode ser desprezada. É um legado importante e tudo indica que terá vida longa, sobretudo por ter estabelecido uma metodologia cientifica à Disciplina e pelo fornecimento de modelos apropriados à utilização com conjunto com outras técnicas em experiências sobre o tema. E por fazer parte essencial no tratamento denominado de TERAPIA COGNITIVA COMPORTAMENTAL.

No próximo Ensaio trataremos da Psicologia Cognitiva, juntamente com a Psicanálise Freudiana.



Rio de Janeiro, 22 de junho de 2013.


Produção de TAÍS ALBUQUERQUE, desde o Rio de Janeiro, no Outono brasileiro.