segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Ame-o ou Deixe-o


Já foi assim.
Foi no tempo do "boi da cara preta",
no tempo em que calaram a retreta
e louvaram o "deus-baioneta".

Tu te lembras, guerreira?
Aonde tu vives agora
existem lembranças?

Eramos jovens. E ríamos.

Lembra-te do gosto bom
de Buarque-Poesia
e do amor que se fazia?

Eramos jovens. E vivíamos,

apesar da tortura,
apesar da Ditadura...

Lembras guerreira,
do sonho que insistia,
do corpo que resistia
e do "Lobo Carrasco" que nos batia?

Mas, depois, guerreira,
tanto nos machucaram.
Violaram o teu corpo
e queimaram a nossa alma.

E até quiseram que o deixássemos.
E nós o amávamos tanto...

Então, um pedaço de mim
já não existia.
Tu, já não vivia...

Lembras,
do livro que eu escreveria,
das cores que tu pintaria,
do filho que o jardim pariria
e do novo Mundo que viria?

Mas, não veio a *utopia...

Lembras, guerreira?

           
                                                 Para Bete.

*Da poética de Carlos Drummond de Andrade.