quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Noite Insone

A longa noite insone,
aguarda-me ao telefone.
Ri, povoada pelo riso
de bêbados noturnos
e fantasmas soturnos.

Atrás de qual incerteza
esconde-se o sono?
Duende sem dono
que vaga na correnteza.

Um homem compra sexo.
Outro, remói a falta de nexo
e a dificuldade do complexo.

Insone e longa noite,
Pensão sem pernoite
que a todos vicia
e a ninguém sacia.

Uma puta esconde-se no brilho,
uma mulher chora pelo filho
estendido no ladrilho.

Longa noite em claro
como se o Tempo fosse raro
e alguém me fosse caro.

Espessa escuridão infinda
que logo voltará.
De novo e ainda.