segunda-feira, 22 de abril de 2013

VEDAS, VEDANTAS e as UPANISHADS - Breves Resumos.



VEDAS – escritos por volta de 1200 AEC, são as “Escrituras Sagradas” das manifestações religiosas na Índia. São os primeiros monumentos literários dos hindus e estão dentre os mais antigos da Humanidade. É o arcabouço mais arcaico da religião que se chama ora de HINDUISMO, ora de BRAMANISMO.

São divididos em quatro partes, a saber:

1.      RIG-VEDA,
2.      SAMA-VEDA,
3.      YAJUR-VEDA (subdividido entra “Branco” e “Negro”)
4.      ATHARVA-VEDA.

Seus escritos são baseados na memória coletiva sobre deuses tribais e cósmicos, tanto dos autóctones quanto dos ARIANOS e alicerçam todo modo de vida individual e social, além dos aspectos religiosos propriamente citados.

Cada um dos ramos dos VEDAS é formado por um conjunto de textos, escritos em épocas diversas, conforme abaixo:

1.      SAMHITAS (c. 1300/1000 AC),
2.      BRAHMANAS (c. 872/772 AEC),
3.      ARANYAKAS (c. 900/600 AEC),
4.      UPANISHADS (c. 800/200 AEC),
5.      MAHABHARATA (c. 400 AEC/400EC),
6.      RAMAYANA (c. 274 AEC), PURANAS (c. 350 EC e depois)
7.      TANTRAS (c. 527 EC e depois).


VEDANTA – em sentido literal ampliado esse termo significa o fim ou o coroamento dos VEDAS. Também é chamada de UTARA MIMANSA* (Investigação Posterior).

No principio, designava o conjunto de doutrinas encontradas nas UPANISHADS*, haja vista que as mesmas estavam colocadas nos finais de cada um deles. Com o tempo, nos primeiros séculos de nossa Era, tornou-se o nome de um Sistema Filosófico que se opunha às outras Escolas e, especialmente, à SAMKHYA* e à YOGA*.

A história mais antiga do VEDANTA foi perdida e a mais remota obra do “Vedanta Posterior”, conforme alguns é BRAHMA-SUTRA, de BADARAYANA, que cita textos e autores mais antigos. Contudo, estas citações também foram abandonadas, sobretudo após os Comentários feitos pelo filósofo SANKARA* (788-820).

O Sistema Filosófico VEDANTA pode ser dividido entre “Pré Sistemático” e o “Vedanta Sistemático”.

No primeiro caso é onde se encontram as UPANISHADS e em relação ao segundo há certa corrente que afirma que o mesmo só foi iniciado com o grande Filósofo SANKARA.

A afirmação de que ATMAN=BRAHMAN (ou seja, a alma humana e o principio criador são idênticas e inter-relacionadas) é a mais incisiva afirmativa deste Sistema; mas, mesmo ela foi alvo de várias contestações dentro do VEDANTISMO, o que originou constantes reformulações.

Apesar da magnitude da obra do filósofo SANKARA, centrada na religiosidade racional e distante dos misticismos e superstições, estas possibilidades não se esvaíram totalmente e durante vários séculos após SANKARA, outros estudiosos elaboraram Sistemas paralelos que permitira ao VEDANTA distinguir-se de outras tendências filosóficas que se esgotaram logo nos primeiros comentários.

O VEDANTA, ao contrário, teve no Racionalismo e Monismo de SANKARA a sua pedra de toque, mas não deixou de se enriquecer com outras visões sobre as questões existenciais.

Embora seja uma tendência ortodoxa (ou seja, estritamente baseada nos VEDAS), o VEDANTA pode ser dividido em cinco sub-escolas:

1.      KEVALADVAITA*,
2.      VICHISTADVAITA*,
3.      DVAITADVAITA*,
4.      DVAITA*,
5.      SUDDHAVAITA*.

A primeira, fundada por SANKARA, prega o Monismo rigoroso, ie, a identidade absoluta entre o Universo e BRAHMAN. É a tendência mais aceita e prestigiada. Interpretando o BHAGAVAD GITA e as UPANISHADS, SANKARA prestou grande contribuição ao HINDUISMO e a uma visão mais ampla da filosofia indiana.

O Filósofo persiste na humilde consciência que a identificação (de BRAHMAN*- o Ser Supremo) excede o poder de compreensão e de expressão do ser humano e, portanto, qualquer afirmação sobre o assunto é prejudicada pela própria limitação da Linguagem.

Qualquer afirmação ou qualquer negação sobre a “Verdade Absoluta” será contraditória. Por isso, NET (não), NET, NET, é tudo o que se pode dizer quando se especula sobre o “Absoluto ou BRAHMAN”, pois sobre Ele nada pode ser explicado com as palavras. Só se pode dizer que Ele não é isso, não é aquilo etc.

VEDANTA SUTRA – tratado filosófico escrito por VYASADEVA* para determinar a conclusão de todos os VEDAS.


UPANISHADS – em sentido literal ampliado: final dos VEDAS* ou VEDANTA*.
São textos filosóficos que alguns consideram esotéricos, mas que, em síntese, tratam de temas que também são comuns à filosofia ocidental, tais como a origem, o destino e a essência dos seres humanos.
As UPANISHADS também são tradições religiosas que correram em paralelo com o BRAHMANISMO*, desde o inicio do Período VÉDICO. Porém, davam ênfase ao desenvolvimento espiritual que pudesse advir dos rituais e não aos rituais em si, como era característico na religião dos BRÂMANES*. Visavam fomentar os chamados “Estados Ideais” do “Ser Interior”, oriundos das meditações e das práticas preconizadas pela YOGA*. 
Nas UPANISHADS, o conceito de BRAHMAN* avança para além dos ritos e passa a abranger tudo que há de físico e de metafísico. Esse conceito, aliás, adquiriu enorme importância no hinduísmo posterior.
Como em outras vertentes do hinduísmo, as UPANISHADS apregoam a renúncia ao Mundo Físico como o único e certo caminho para se chegar ao “Verdadeiro Conhecimento” sobre BRAHMAN* e sobre a futilidade dos desejos e ambições terrenas; assim, adquirido tal conhecimento, escapa-se da ilusão de MAYA* e da SAMSARA*.
Também propõem uma especulação mais racional e menos supersticiosa sobre a religião e sobre a condição do homem no Universo.
São textos vigorosos que rechaçam a idolatria de outras correntes do hinduísmo e reafirmam a validade dos ensinamentos dos VEDAS*, dentre os quais, aqueles que pregam a existência do “Eu” imutável que reencarna conforme o seu KARMA*.
As UPANISHADS estão escritas nos finais dos VEDAS e o número das mesmas varia conforme os eruditos. Para alguns são cento e oito, para outros são trezentas. Contudo, onze delas são consideradas, consensualmente, as mais importantes. São elas:
1.      ISHA,
2.      KENA,
3.      KATHA,
4.      PRASNA,
5.      MUDAKA,
6.      MADUKYA,
7.      TAITTIRYA,
8.      AITAREYA,
9.      CHANDOGYA,
10.  BRHADARANYAKA
11.  SVETASVATARA.
As UPANISHADS tiveram influência importante na filosofia Ocidental e em certo casos, como no de Schopenhauer, foram decisivas.