terça-feira, 23 de abril de 2013

SUTRAS (kama-sutra), MANTRA (OM - AUM), LÓTUS SAGRADO, GUNAS, MAHABHARATA




SUTRAS São pequenos e resumidos textos que versam sobre assuntos diversos, tais como: gramática, astronomia, astrologia, geometria, leis, ética, sexo, prazer (por isso o “KAMA-SUTRA”) etc.


A partir do século VII EC. proliferaram os comentários sobre os textos sagrados, mas estes comentários eram de tal modo resumidos e/ou ininteligíveis que não podiam ser entendidos e isto ensejava outro comentário sobre o anterior, cada qual, é claro, trazendo diferentes interpretações sobre os fatos analisados.
Por fim, tal Sistema de interpretação foi codificado e, em meados da Idade Média ocidental, estipularam-se os seis sistemas filosóficos com o propósito de consolidar os aspectos relativos ao assunto em questão.

Com a colonização inglesa no século XVIII e a popularização da Cultura indiana no Ocidente, camadas de menor capacidade intelectual passaram a se deliciar com a visão naturalista que os hindus tinham do sexo. Em razão desse apelo grosseiro, textos que versavam sobre o assunto logo ganhavam legiões de seguidores, sobressaindo-se dentre outros o SUTRA que se dedicava a explorar o prazer físico; o KUNDALINI, ie, a força vital contida no sexo; o NIRVANA possível através do orgasmo etc.

Foi, então, que o KAMA-SUTRA se tornou um mero manual de posições sexuais, para uso de gente com esse nivel intelectual e cultural. Aliás, são poucos os que o conhecem em seu formato original, o literário. Normalmente só sabem das edições que substituíram os textos por gravuras, ou desenhos, ou fotografias.
A seguir, avançaremos sobre o assunto.

KAMA-SUTRA 
  termo oriundo de: SUTRAS (textos explicativos) + KAMA (a busca do prazer); 
ou seja, manual para se atingir o prazer. 

Foi escrito entre os séculos III a V d EC por VATSYAYANA* que fez uma extensa classificação das formas de amar. Além das indicações para o coito, a obra descreve oito tipos de “dentadas amorosas” e três formas de se “beijar uma donzela”. Também se oferece como um manual de comportamento em outras esferas; como um livro de receitas de afrodisíacos e de dicas de beleza e traz em todo seu bojo uma feroz condenação aos meios contraceptivos, pois evitar a procriação, para o HINDUÍSMO, soa como evitar a “lei da vida”.

Embora seja considerado pelos ocidentais um simples manual de sexo, repleto de posições acrobáticas; o KAMA-SUTRA tem, na verdade, um significado mais transcendente para os hindus.
Ao unir pessoas, o ato sexual seria capaz de resolver desentendimentos ocorridos em vidas passadas e, assim, melhorar as perspectivas para as encarnações futuras. Também é capaz de proporcionar meios para se atingir o possível Nirvana, exercitar a “Força Vital” e outros benefícios que vão muito além do simples prazer hedonista que predomina nas relações ocidentais.


MANTRAS hinos rituais Védicos entoados em louvor dos deuses ou para pedir-lhes alguma graça; palavra oriunda de “MAN (pensar)” + “TRAN (liberar)” que pode ser traduzida como “Libertar-se dos pensamentos (mundanos)”. São Silabas ou Nomes Sagrados (por suas letras, som e significado) que são pronunciadas e ouvidas para produzirem a expansão da consciência.

O MANTRA mais sagrado e talvez o mais difundido seja o “OM*”.

OM (AUM) – A palavra OM é muito repetida pelos hindus durante suas meditações e geralmente é cantada ou escrita no inicio e no fim de qualquer coisa, para atrair bons sentimentos. Em termos fonéticos, deve-se registrar que as três letras A, U, M são pronunciadas “OM”, porque em SÂNSCRITO o som de “O” é formado a partir do ditongo A+U.

Conta-se, nos PURANAS*, que o deus SKANDA* perguntou qual seria o sentido desse termo ao deus demiurgo BRAHMA, que, em resposta, recitou uma ladainha com doze mil versos, os quais, porém, não elucidaram a dúvida de SKANDA. E como esta, várias outras histórias são contadas.
Efetivamente, o significado de “OM” é difícil de ser compreendido e, no entanto, é o mais poderoso dos MANTRAS.

Conforme alguns eruditos, “OM” é Deus em Si mesmo e o símbolo universal do HINDUISMO, assim como a Cruz é para os CRISTÃOS e “A Roda de Oito Raios” é para os BUDISTAS.
Conforme diz o sábio SARAWASTI*, as Escrituras dizem que aquele que pronuncia esse MANTRA com fé e devoção alcança a libertação da SAMSARA* já neste mundo.

Para outros estudiosos, é o Som ou a Silaba sagrada que representa BRAHMAN, a “Alma Universal”.
YOGUES (ou YOGUINS) dizem ouvir esse som contínuo, transcendente e arquetípico durante os estados de meditação profunda. E aqui vale o registro de que a ciência já comprovou existirem alterações cerebrais naqueles que praticam alguma forma de concentração intensa, independente do objeto da concentração.

Por fim, registre-se que em sentido literal: “OM” significa “Tudo”; isto é, Passado, Presente e Futuro. Ou a plenitude da vida material e/ou espiritual.


LÓTUS SAGRADO – Lótus é uma planta aquática, típica da região indiana, que teve seu nome emprestado a uma das Deusas do panteão hindu, a Deusa Lotus.

O Lótus germina e nasce na sujeira do lodo e oferece uma flor de deslumbrante alvura. É esse simbolismo: do lodo à pureza da flor de imaculada brancura, que lhe concede um lugar de destaque na teologia hindu.

Conforme a tradição, uma das versões sobre a origem do deus demiurgo BRAHMA relata que o mesmo nasceu de um Lótus dourado, ornado com mil pétalas e de brilho correspondente ao do Sol.

Também é freqüente que o Lótus apareça como o pedestal de BRAHMA e doutras divindades; todas sentadas sobre suas pétalas. Porém, a que mais se relaciona com a flor é a deusa LAKSHIMI*, além daquela que lhe emprestou o nome, pois, na Índia antiga, tanto LAKSHIMI quanto a deusa LÓTUS eram as protetoras dos cultivares de arroz, tendo como “filhos” o lodo e a umidade que são indispensáveis para a fertilidade do solo.

A deusa LÓTUS é representada como uma mulher de pele dourada, característica da planta, que concede prosperidade e grande prole a todos aqueles que a reverenciarem.


GUNAS – é um termo polissêmico e que ganhou popularidade no Ocidente graças à Teoria das Super Cordas, na qual se afirma que a origem primeira da matéria provém de vibrações similares àquelas que uma corda de violino provoca e que produz sons.
A seguir os significados mais corriqueiros para o mesmo:

em sentido literal: cordas;

qualidades, modalidades, atributos;

forças ou qualidades que impregnam todas as coisas, vivas ou não, em proporções diferentes, garantindo a sua heterogeneidade e complementaridade;

nos humanos, a preponderância de uma GUNA é o resultado do KARMA* acumulado e define a tipologia comportamental, ie, a tendência de temperamento, gostos, habilidades físicas, intelectuais e/ou artísticas. Subdividem-se em:
·          
      RAJAS* = expansão, luminosidade, atividade, calor, euforia, desejo, criatividade, exteriorização;
·         TAMAS* = contração, obscuridade, frio, apatia, passividade, inércia, receptividade e interiorização;
·         SATTVAS* o equilíbrio entre opostos, lucidez, discernimento, sensibilidade.

conforme o BHAGAVAD-GITA, a PRAKRITI quando é observada como Natureza objetiva, física, concreta, divide-se, também, nas três GUNAS mencionadas:
·          
      TAMAS, inércia ou trevas;
·         RAJAS, atividade ou fogo;
·         SATTVA, harmonia ou luz.

Destarte, quando num Ser humano prevalece o GUNA-TAMAS ele é torpe, preguiçoso e/ou apático. Se prevalecer o GUNA-RAJAS será progressivo, impulsivo e/ou orgulhoso. Predominando a GUNA-SATIVA será equilibrado, harmônico e compreensivo;

Nada existe que esteja livre da influência das GUNAS, pois esses três poderes nascem da Natureza e prendem o “Espírito Infinito” ao mundo finito. Essas qualidades não são simples acidentes da PRAKRITI, mas são de sua própria natureza e formam parte de sua composição.


MAHABHARATA – é o maior poema épico do Mundo, possuindo mais de cem mil versos.

Atualmente o texto contém retoques e interpolações e não é mais possível recompor sua forma original que, provavelmente, já estava concluída em meados do século IV AEC.

Conforme os estudiosos, a obra foi escrita em uma época de grandes transformações sociais na Índia e descreve os motivos, o decorrer, a conclusão e o pós-guerra da luta que envolveu os KÁURAVAS contra os PÂNDAVAS.

Alguns a julgam uma metáfora que se refere à luta dos povos indianos autóctones contras os invasores ARIANOS, pois o local onde se dá a última e decisiva batalha é chamado de KURUKSHETRA e se situaria entre os rios SUTLEY e JUMMA, onde se concentrava o centro da cultura Indo-ARIANA.

Nos últimos 1.500 anos, o épico inspirou vários poetas, teatrólogos, orações e meditações. Assim, peças teatrais, fábulas, romances, pinturas, e aforismos para YOGUES* têm influenciado milhões de hindus.

Conforme a tradição seu autor foi VYASA, mas o fato do poema ter se desenvolvido ao longo dos séculos coloca sob suspeição essa autoria. O tema central da história envolve o DHARMA* da realeza e pode ser sintetizado da seguinte maneira: quando o rei PADU* morreu o trono dos KURUS* passou para seu irmão - patriarca dos KÁURAVAS*, que criou seus sobrinhos, os PÂNDAVAS*, os quais seriam os legítimos herdeiros.

Os PÂNDAVAS cresceram junto com os primos KÁURAVAS, mas ao atingirem a maioridade, DURYODHANA*, o primo primogênito, alegou ter direito ao trono e após um fraudulento jogo de dado logrou expulsar os PÂNDAVAS do reino.

Após treze anos os PÂNDAVAS retornaram e, então, aconteceu a guerra entre os primos. Todos os KÁURAVAS são mortos e os PÂNDAVAS assumem o trono e reinam até que lhes é chegado o momento de se autoexilarem nas florestas (conforme o costume de então) à espera da morte, que para eles significava ingressar no reino do deus INDRA* onde aguardariam novas encarnações.

O trono ficou, então, com o filho de ARJUNA, que talvez seja o personagem mais conhecido no Ocidente, pois ele é o interlocutor do deus KRISHNA* no BHAGAVAD GITA*, que, é um capítulo do Poema.

Registre-se, também, a existência de outro Épico que seria maior que o MAHABHARATA, no QUIRQUISTÃO – Ásia Central. Contudo, dele não há registro escrito, apenas a forma oral que ainda é recitada por cantores.