sábado, 20 de abril de 2013

DEUSAS HINDUS - Kali, Lakshimi, Parvati, Ganga, Saravasti, Sita e Sri.



KALI – É a personalidade mais aterradora do Hinduísmo. Na realidade, contudo, é apenas uma das faces de PARVATI (A poderosa “Deusa-Mãe” ou “MAHADEVI”, esposa de SHIVA), que, ao se zangar, deixa fluir seu lado mais sombrio. Nada que nós mesmos não fazemos em nossos momentos de ira.

Insaciável em sua sede por sacrifícios sanguinolentos, KALI, geralmente, é retratada usando um colar de crânios, trazendo a cabeça de um gigante nas mãos e gotejando sangue de sua língua protuberante.

Tal qual seu marido, também dispõe de um terceiro olho. Nesse estado, é comum ser representada com a sua vestimenta de cobras, manchada de sangue e com um colar dos crânios de seus próprios filhos.

Porém, e apesar da aparência, KALI é uma divindade positiva, pois representa apenas outro aspecto de “nossa mãe interior”; ou seja, aquele que destrói com vigor (e talvez com violência) o Ego inferior.

Se não se renúncia conscientemente aos fúteis prazeres materiais, a “Natureza Infernal” providenciará esta dissolução nos “infernos atômicos da natureza”.

A “Deusa-Mãe Universal” dos indianos já era cultuada antes da invasão ARIANA e da compilação dos VEDAS.

Na atualidade, é a divindade mais popular entre os cidadãos médios, mas para alguns Ocidentais (por ignorância ou má fé) não passa de uma comprovação do “barbarismo Hindu”, talvez esquecidos das representações sangrentas de seus Santos, Mártires e do próprio Jesus crucificado.

KALI também é o nome de um dos sete tipos de fogos ritualísticos e, também, o nome da última (a atual) das quatro “Eras Védicas (KALI-YUGA*); aquela que é marcada pela violência, hipocrisia, destruição dos recursos naturais, discórdia etc.


PARVATI – a DEUSA (ou DEVI*) é tida como a consorte de SHIVA. Talvez um dos casais mais populares do HINDUISMO.

Segundo a tradição, PARVATI é a personificação da paciência e da bondade. Protetora dos casamentos, ela têm como objetivo construir uma família e um lar, para, assim, dar vazão ao seu instinto maternal.

É um contraponto ao seu marido, SHIVA, que é violento, intempestivo e avesso a todas as regras sociais. Para o “deus da destruição” quanto mais afastado da vida em comunidade, melhor.

Mas apesar dessa brutal diferença de personalidade, ambos se completam e são inseparáveis. SHIVA nada seria sem PARVATI.

A amável e bela deusa, filha do rei epônimo do Himalaia, é a força (a energia de SHIVA) com a qual ele faz a transformação do Mundo. Apenas ao lado da mulher é que o deus manifesta toda sua potencialidade.

PARVATI é a suprema energia, que em SÂNSCRITO é chamada de SHAKTI*. Tudo nasce dela; o que, em verdade, é uma regra para os outros casais de deuses.

Sem suas companheiras, os grandes deuses seriam corpos sem vida, incapazes de agir. Dessa sorte é que BRAHMA é associado à sua esposa SARAVASTI, que lhe dá a capacidade de criar. VISHNU é consorte de LAKSHMI, por meio de quem ele mantém a criação. E SHIVA têm PARVATI.

Juntos, formam uma única essência e permitem a existência do Universo. Conforme alguns eruditos: “a mulher representa a energia ativadora, enquanto o homem significa o poder de transformação”.

Nas representações, SHIVA e PARVATI quase sempre são retratados de braços dados e sorridentes. Inspirados na imagem dessa relação harmônica, os devotos recorrem à deusa para pedir benções aos seus próprios casamentos, mesmo sabendo que o relacionamento dos deuses não é perfeito, pois como as outras divindades, eles são antropomórficos e, portanto, tão falíveis quanto são quaisquer outros humanos.

Às vezes, as diferenças causam desavenças e, em alguns mitos, PARVATI protagoniza o papel de esposa intolerante, enquanto SHIVA age de modo irresponsável e egoísta. Para ilustrar esse fato, observa-se que o maior sonho dela seria ter um filho com ele, mas ao “Senhor da YOGA” não interessa a procriação, já que a Criação não é a sua função primordial (deve-se ter em mente a sua função de destruidor). Por isso, aliás, quando dos nascimentos dos dois filhos do casal, SKANDA* e GANESH*, o pai estava ausente.

Todavia, essas rusgas são vistas com naturalidade já que o antropomorfismo é uma constante no HINDUISMO.

A história de amor do casal é contada no livro sagrado SHIVA PURANA (ver PURANAS), datado de c. VII AEC Nele, conta-se que PARVATI nasceu com a missão de se tornar a esposa de SHIVA, pois, após ele ter perdido a sua primeira mulher, mergulhou em profunda meditação e PARVATI deveria tirá-lo desse estado de inconsciência, para que ele voltasse a cumprir o seu papel de destruidor.

Além disso, ela deveria gerar um filho dele, pois a criança seria a única forma de vida capaz de matar um demônio que ameaçava o Mundo naqueles tempos.

A conquista amorosa foi difícil. Conforme os eruditos: “a mulher, para merecer o casamento com uma figura destacada, precisa provar que têm capacidade de acompanhá-la e, se necessário, até mesmo superá-la“.

O caminho escolhido por PARVATI para impressionar SHIVA foi a via de “TAPAS” (ou da perseverança)* que, conforme as crenças hindus, é um dos mecanismos mais eficientes para realizar um determinado desejo. Acredita-se, até, que depois de algum tempo realizando esse exercício, o calor liberado pelo corpo pode até queimar o Mundo.

E como PARVATI ficou durante muito tempo apoiada em apenas uma perna, no meio de quatro fogueiras e em pleno verão, o calor acumulado foi tanto, que os outros deuses forçaram SHIVA a consumar o casamento.

Desse modo, PARVATI cumpriu seu destino e se tornou a companheira de SHIVA.

PARVATI, em Sânscrito, significa “Montanha”, mas a deusa também é chamada de: MAHAVEDI*, KUNDALINI*, UMA*, DURGA* e KALI*.


LAKSHIMI – Segundo a tradição, quando os demônios reviraram o “Mar Cósmico” (feito de leite) com a montanha sagrada MANDARA*, fizeram emergir a “CRIAÇÃO (a regurgitação dos Buracos Negros que os Cientistas ocidentais acreditam ter existido?)”.

E foi com esta agitação, a deusa LAKSHIMI surgiu trazendo um néctar celestial que imortalizou os deuses (a Ambrósia grega?).

Desse modo a tradição hindu relata o aparecimento da Deusa da Fortuna e companheira do grande deus VISHNU, o segundo na hierarquia indiana.

LAKSHIMI pode assumir diversas formas, sempre de acordo com a encarnação de seu marido. Aqui citaremos algumas de suas encarnações mais célebres:

1)      FLOR DE LÓTUS, quando VISHNU encarnou como o anão VAMANA*;
2)      SITA*, a esposa de RAMA*;
3)      RADHA*, a esposa de KRISHNA*, entre outras.
4)      SRI – ver abaixo.

Não obstante sempre figurar ao lado de seu esposo, LAKSHIMI – como a Deusa Mãe – tem seu próprio culto e são inúmeros os seus devotos.


GANGA – A deusa que personifica a abundância das águas do rio GANGES.

Segundo a tradição, as águas do rio são despejadas de potes sagrados que o deus SHIVA ergue e despeja sobre a própria cabeça para que os seus longos cabelos amorteçam o impacto da queda, pois se assim não fosse, a força das águas destruiriam o Mundo com sua tremenda pressão.

Para os hindus, originalmente o rio GANGES corria apenas no Céu, mas SHIVA desviou a torrente de GANGA para a Terra, permitindo-lhe, assim, ser o nascedouro da vida.

A deusa GANGA, por correlação direta, é associada à Criação e a abundância. 


RADHA – a companheira de KRISHNA não é propriamente uma deusa, mas pelo seu envolvimento com o deus e por suas qualidades também recebe certa veneração, ou, ao menos, uma grande simpatia dos hindus. RADHA era a GOPI* (ordenhadora) preferida de KRISHNA*. E ela, por sua vez, dedicava-lhe um amor puro e sincero.
A história que se conta sobre o casal é que em certo dia RADHA e suas companheiras estavam se banhando num riacho quando ela começou a entoar cantos fascinantes. KRISHNA, ouvindo-a, escondeu as roupas das GOPIS por pilhéria, dizendo-lhes que as devolveria se cada uma lhe beijasse.
Enquanto elas se reuniram para decidir o que fazer, um feroz demônio ateou fogo na região e KRISHNA o apagou com vigorosos suspiros, embora tenha ficado todo chamuscado.

Condoída, RADHA beijou-lhe os lábios e KRISHNA ficou apaixonado. A partir desse momento não se interessou por outra mulher e passaram a formar um casal muito unido.

Alguns estudiosos veem em RADHA um AVATAR* da deusa-mãe LAKSHIMI*.

SITA – a esposa de deus RAMA* (um dos AVATARES* de VISHNU*).

Conforme a tradição, SITA é uma AVATAR da deusa LAKSHIMI*, o que a torna especialmente venerada.

Segundo o épico RAMAYANA*, SITA foi raptada pelo demônio RAVANA* e levada para a sua morada.

No prosseguir do Poema, o deus e marido RAMA, ajudado pelos exércitos do deus-macaco HANUMAN* (um exército de símios) a resgata e a torna rainha.

SITA, apesar do assédio de RAVANA, permaneceu devotada ao esposo e daí vem o simbolismo de sua personalidade: a mulher que encarna a virtude da lealdade.


SRI – a esposa de VISHNU*. SRI é uma deusa muito associada ao YOGA*, à meditação e independentemente de seu marido têm inúmeros devotos.
Deve-se, todavia, registrar que SRI é um termo que pode englobar outras concepções e para alguns é mais que uma esposa. 
Seria uma das formas que VISHNU encarna, ou seja, um dos AVATARES do deus, uma forma de sua energia.








SARAVASTI – a deusa e esposa do deus demiurgo BRAHMA*.

Assim como a “Eva” judaico cristão, SARAVASTI foi feita a partir do corpo de seu marido e foi da união de ambos que nasceram os seres vivos.

É vista como da deusa protetora dos artistas e das artes (a ATENÁ grega?) repleta de amor e compaixão.