quarta-feira, 17 de abril de 2013

Hinduismo, Yoga, Karma e Jainismo - Breves Resumos



HINDUISMO

A origem do HINDUISMO prende-se à primitiva cultura ARIANA, ou seja, dos povos que invadiram o subcontinente indiano por volta de 2000 AEC.

Estes invasores influíram sobre a Religião Animista dos povos autóctones – DRÁVIDAS*, MUNDAS*, COLÁRICOS* - mas, também, foram influenciados posteriormente por certos cultos dos nativos e desta amalgama resultou o HINDUISMO que, mais que uma religião, é um modo de vida particular e social.

De forma resumida, pode-se estabelecer a seguinte divisão:

1.       HINDUISMO Primitivo, as crenças animistas dos autóctones, pré-invasão ARIANA;

2.      HINDUISMO Védico*,

3.      HINDUISMO Brahamânico*,

4.   HINDUISMO Tântrico (as doutrinas e os rituais inspirados nos TANTRAS*, que se caracterizam por elementos de magia e ritos que envolvem sacrifícios de sangue e atos sexuais),

5. HINDUISMO Moderno. 

A partir do século XIX dC o HINDUISMO e o BRAHAMANISMO tornaram-se sinônimos.

HINDUISMO BRAHMÂNICO

É a terceira fase do HINDUISMO e que adveio da decadência da primitiva Religião Védica. BRAHMA*, o Absoluto (na verdade, o Demiurgo) é um dos deuses que compõem a trindade hindu. Junto a ele figuram VISHNU* e SHIVA o qual, ao longo do tempo, tornou-se o deus principal.

BRAHMA é a manifestação antropomórfica da “Alma Universa (igual à dos Estoicos?)” do SER ABSOLUTO. É mais um conceito de Totalidade que um simples deus.

O cerimonialismo enriqueceu-se sob a direção dos BRÂMANES, os cultos adquiriram poderes mágicos e surgiram ou consolidaram-se as ideias de SAMSARA*, KARMA* assim como as especulações filosóficas sobre a origem e o destino dos humanos.

O sistema de CASTAS* foi institucionalizado e não por mera coincidência, a classe dos BRÂMANES tornou-se a mais elevada.

A visão bramânica do Mundo e sua aplicação à vida são descritas no Livro de MANUSMRISTI ou Código de MANU*.

HINDUISMO VÉDICO

A segunda grande fase do HINDUISMO não pode ser cronologicamente delimitada. Em c. de 2000 AEC os ÁRIAS (ou ARIANOS) estabeleceram-se na Pérsia e na Índia.

Trouxeram suas divindades que compreendiam seus deuses tribais e os deuses cósmicos, dentre os quais, pode-se citar: DYEUS ou DYAUS consorte da “MÃE TERRA” e o “pai” (não o Criador) dos outros deuses, ie, os “DEUSES DA LUZ”: SUARYA (o sol); MAS (lua); HEÓS (Aurora, a grega?). Existiam também os “deuses menores” como as Árvores, as Pedras, os Rios, o Fogo.

Sem perder as características de universalidade e de relação com a Natureza os ARIANOS desenvolveram o primitivo sistema religioso de seus antepassados. Já na Índia, DYEUS foi substituído por INDRA*, deus mais jovem, senhor da guerra, do firmamento e da fertilidade. A ele são dedicados quase um terço dos hinos do RIG-VEDA*.

INDRA* representa o aspecto benéfico das tempestades, enquanto que as forças destruidoras eram atribuídas a RUDRA*, o provável precursor de SHIVA*. Além desses, cultuavam outros heróis (deuses? Semideuses?) como: TRITA e MASATYAS, companheiros de INDRA.

A teogonia ARIANA ainda desenvolveu a ideia de deuses reguladores da sociedade humana tais como: AHURA ou ASURA (posteriormente transformados em seres malignos, ou demônios); MITRA (posteriormente o principal deus romano), que assegurava a “Santidade” dos contratos entre indivíduos ou nações; VARUNA, que garantia os juramentos, entre outros.

Segundo seus ritos, para obter a benção dos deuses o ser humano deveria satisfazer, em pensamento e com ações, as exigências desses deuses. Assim, o ritual se transformou em “Principio Moral”.

Esses elementos e todas as expressões rituais formaram uma tradição oral que por volta do 1° milênio AEC foi transposta para o idioma SÂNSCRITO em forma de hinos e, depois, escrita na coletânea de textos que constituem os três VEDAS: RIG VEDA, SAMA VEDA e ATHARVA VEDA (que é uma coleção de orações mágicas, esotéricas e que expressava a forma popular e primitiva da religião).

Os VEDAS se transformaram nos “Livros Sagrados” de uma religião que, de certo modo, já existia na Índia e que se constituía de princípios otimistas, de amor à vida, mas sem incluir a ideia de existência na pós-morte.

Seus hinos e cantos expressavam o anseio por uma ordem social estável, abundância de alimentos, famílias grandes e harmoniosas, sucessos nas guerras etc. Os rituais ou cultos, que antes eram uma atividade particular, tornaram-se com o correr do tempo, cada vez mais complexos; com elaborados rituais confiados aos BRÂMANES.

Foi, no entanto, essa complexidade que desencadeou a terceira fase do HINDUISMO. Nessa época que se desenvolveu a idéia de PRAJAPATI*, descrito nos VEDAS e, mais tarde, transformado no deus BRAHMA*, o demiurgo.

NOTA do AUTOR - sobre o Hinduísmo Tântrico e o Moderno não teceremos maiores comentários por terem menos importância no contexto sócio religioso, atendo-se mais aos aspectos mágicos e supersticiosos das populações com menor potencial intelectual. Exemplo disso pode ser observado com o famoso KAMA-SUTRA, que deixou de ser estudado pelo seu aspecto filosófico superior e acabou sendo visto como um mero manual de posições sexuais.

 KARMA

Termo que provém da raiz “KR” e que pode ser traduzido como: fazer, obra, ação, rito, execução. É uma palavra que acomoda três significados:

Ação e Reação ou Causa e Efeito.

A Lei da Causalidade segundo a qual todas as ações ou intenções dos seres humanos, motivados pelo desejo e pela ilusão gerarão efeitos correspondentes sobre os mesmos, sejam eles positivos ou negativos. Esses efeitos podem ser divididos em três tipos:

a) SANCHITA (amontoado) que é o resultado de ações passadas, mas que ainda não começaram a se transformar na colheita de uma vida;

b) PRARABDA (da raiz PRAKK, antecipado e ARABDA, começando) – que é o KARMA semeado e acumulado no passado, mas que já começou a produzir efeitos na forma de acontecimentos presentes. É a parte do SANCHITA que se vai viver no momento atual;

c) AGAMI (vindouro) que é o destino que ainda não se construiu; aquele que está sendo semeado no presente e que será incluído na “divida” do individuo

(complementando o nome de cada um desses tipos, vem o vocábulo KARMA);

Ação, atuação no mundo.

Execução de sacrifícios rituais. Conforme o VEDANTA* há vários tipos de trabalhos ritualísticos, cujos principais são:

a) KAMYA KARMA, opcional em certas partes, inclui vários ritos realizados por motivos definidos e específicos, como, por exemplo, “alcançar os céus”;

b) NISHIDDHA KARMA, conhecido como o “ritual proibido”; pois, realizá-lo acarreta aflições e sofrimentos;

c) NYTIA KARMA, que é um ritual diário e obrigatório, cuja realização destrói os débitos kármicos contraídos no passado, assim como inibe a tendência para gerar novos débitos no futuro.

d) NAIMITTIKA KARMA, realizado em ocasiões especiais, como o casamento, o nascimento etc.;

e) PRAYACHITTA KARMA, realizado para eliminar graves débitos KÁRMICOS do passado.

KARMA-YOGA – 

ação em serviço devocional; 

ação executada por uma pessoa que sabe que a meta da Vida é KRISHNA, mas que está mais apegado aos frutos de suas atividades.

YOGA

É uma das tendências filosóficas, ou DARSANAS*, e está relacionada com o Sistema SHANKYA*, formando a Linha de Pensamento chamada SANKHYA-YOGA*. Provavelmente a YOGA é anterior às invasões dos povos ARIANOS* e, consequentemente, anterior aos VEDAS*, aos quais, depois foi incorporada.

Este vocábulo é mencionado pela primeira vez no RIG-VEDA*, c. 1200 AEC, e toda a filosofia que abrange foi codificada no livro intitulado “YOGA-SUTRA*”.

Ao contrário do que frequentemente se pensa a YOGA não é uma religião, não é uma seita, não é uma filosofia completa e nem é uma forma de exercício físico. É apenas uma forma de ver o mundo de maneira mais espiritualizada e que têm por objetivo permitir que os seres humanos alcancem o auto conhecimento por meio de técnicas físicas e psíquicas.

A palavra YOGA, em SÂNSCRITO, deriva do verbo YUGI que significa “Unir”, o que pode ser interpretado como uma “união entre a consciência mental e a consciência espiritual”.

Os famosos exercícios e posições corporais são apenas uma prática de uma das linhas da YOGA, chamada de HATHA YOGA* que trabalha com o corpo físico. No entanto, mesmo neste caso, o objetivo não é a busca de melhor forma física ou a correção da postura. O que se busca alcançar é a melhora da circulação vital do corpo e o bom funcionamento orgânico como etapas necessárias para se atingir estágios que permitam a conjunção das consciências, ou MOKSHA*.

YOGA-SUTRA – textos explicativos sobre a YOGA* escritos por PATÂNJALI*.

YOGUE (YOGUIN, YOGUI) – devoto, asceta, místico. Aquela (e) que prática a YOGA*.

JAINISMO – a face mais radical do hinduísmo.

Religião derivada do HINDUÍSMO, o Jainismo originou-se por volta dos séculos VIII ou VII AEC, na bacia do rio GANGES – atual território de BIHAR. 

Embora seja mais antigo, o JAINISMO como Sistema Religioso estruturado só foi reconhecido a partir do século V AEC, quando viveu MAHAVIRA*, o último TIRTHANKARA e codificador dessa doutrina.

É uma tradição religiosa que se foca sobre a condição dos seres existentes. Afirma que o Universo é Eterno e, portanto, não têm um Criador; e que, embora existam, deusas e deuses não podem interferir nas vidas dos homens. Os deuses, aliás, podem até tornarem-se mortais.

A palavra JAINA ou JAIN é de origem sânscrita e designa os seguidores dos Mestres Oniscientes denominados JINA* (vitoriosos); ou seja, aqueles que triunfaram sobre as paixões e os sentidos, o que lhes possibilitou chegar ao esclarecimento e à consequente libertação da SAMSARA*. Libertação que é vista como um estado de pura bem-aventurança, conhecimento e energia.

Como esses JAINAS fundaram comunidades de monges, monjas e leigos e leigas – figurativamente chamadas de TIRTHA (vau, ou caminho para atravessar as águas do renascimento) – são frequentemente são chamados de TIRTHANKARA, ie, o construtor do vau, da ponte.

Os ensinamentos básicos de MAHAVIRA* (para alguns, o fundador dessa tradição) derivam de sua percepção de que o sofrimento do Mundo é causado pela violência imposta às almas, que vivem em forma corpórea em todos os níveis de existência e que isso impede o potencial espiritual inato em cada entidade individual.

O meio de minimizar essa violência e finalmente libertar-se da SAMSARA é acalmar os sentidos e retirar do corpo o máximo de ações, através da renúncia ao mundo social e às preocupações materiais.

Destarte, os dogmas JAINISTAS enfatizam a importância da AHIMSA* (a não violência) em relação a todas as criaturas, o que os leva a serem vegetarianos rigorosos e a terem comportamentos que podem parecer esdrúxulos ou tolos aos Ocidentais tais como: tapar a boca com um pano para evitar que um inseto adentre e morra; ou então, varrer o chão por onde pisarão para não esmagarem algum inseto etc.

A renúncia ao mundo físico pode causar variados autoflagelos corporais e até mesmo chegar ao suicídio por inanição.

A cronologia resumida e mais recente do JAINISMO pode ser feita da seguinte maneira:

1.    No século III AEC formou-se uma comunidade JAINISTA no centro comercial de MARTHURA*;

2.  Nos séculos IV e V EC. fez-se a codificação dos textos JAINISTAS no chamado TATVARTHA SUTRA;

3.     No século V EC. aconteceu o cisma que culminou na criação das seitas SVETAMBARA* e DIGAMBARA*.

4.   Dos séculos IX ao XI dC. a vertente DIGAMBARA foi frequentemente patrocinada pela realeza do sul da Índia e no inicio e meados do século XII dC. pela dinastia CAULUKYA* de GURAJARAT.

5.  Contudo e talvez paradoxalmente, o monge SVETAMBARA foi o tutor de dois governantes desta dinastia: SIDDHARAJA e seu sobrinho KUMARAPALA*.

6.   Depois, no século XVII, surge a seita STHANAKVASIS* que se distinguia por ser contrária aos ícones.

7.      No século XVIII aparece a seita ascética TERAPANTHIS*.

No final do século XVIII e no século XIX iniciou-se o declínio das comunidades ascéticas e do culto às imagens. Porém, na atualidade o ascetismo é revigorado e existem sólidas comunidades no exterior.