sábado, 27 de abril de 2013

BUDISMO - Filosofia e Religião.

Tido como Doutrina Filosófica e Religiosa, o Budismo organizou-se com base nos ensinamentos de SIDHARTA GAUTAMA, que por ter alcançado o NIRVANA ganhou o epíteto de BUDA, ou “O Iluminado”

A idéia que o Budismo é uma Religião é contestada por vários eruditos, pois sempre se associa qualquer Religião ou Seita a algum tipo de Deus ou de Deuses e o Budismo é totalmente Ateu

Ademais, se olhado com imparcialidade, vê-se que seu inicio aconteceu justamente porque SIDHARTA desiludiu-se com o seu BRAHAMANISMO natal e o renegou completamente por discordar de seus Ofícios, Cerimônias e, principalmente, dos Privilégios, elevadas Posições Sociais e Econômicas de seus Sacerdotes e, principalmente com a superficialidade e futilidade dos atos e ações que configuram as Religiões, ou pelo menos, a idéia que delas se faz. 

Porém, é curioso ver que os Budistas (inclusive os contemporâneos) transformaram o que deveria ser uma tendência filosófica em uma mera Igreja, com direito, inclusive, à veneração das imagens de Buda, à adoração de supostas relíquias (como o “Dente” que teria pertencido a Buda e que anualmente é celebrado com um Festival e Procissão no SRI LANKA) e, é claro, com direito a manter uma Casta de Religiosos ou Monges/Monjas

Por um exercício de imaginação pode-se imaginar a irritação (se ele se irritasse) de GAUTAMA ao saber que ele teria virado o ícone de uma nova religião. O horror de ter sido transformado em “Santo” na corrente teológica que foi fundada em seu nome. Justo ele, que abandonou a Religião por lhe ver totalmente inútil, injusta, supérflua e manipulável e manipulada. E até mesmo mal intencionada e nociva. 

Todavia, não obstante as criticas dos mais esclarecidos e melhores intencionados e a rejeição de outros tantos que não são eruditos (como é o caso desse escrevinhador), o Budismo se espalhou pelo Oriente como uma Religião e mesmo no Ocidente já está solidamente implantado com essa condição. Talvez, aqui, mais por um modismo ou pela vontade de parecer excêntrico.

De todo modo, é importantante que se saiba que os Ensinamentos de BUDA não são originais em suas Essências. 

Na verdade, são cópias resumidas das Linhas Mestras do HINDUÍSMO, de onde sorveu a Idéia Básica de que o eixo central para o sofrimento do homem vem de seus desejos materiais, íniquos e egoístas, os quais, ao não serem realizados causam as frustrações, as mágoas etc. Ou, ao contrário, quando são realizados causam, após a euforia inicial, apenas o tédio de se ter descoberto a invalidade das coisas mundanas.

Dores de que o indivíduo padecerá até conseguir aquietar e eliminar as suas Vontades (por bens materiais/sensíveis/mesquinhos/egoístas/arrogantes etc.). Mas enquanto esse discernimento não lhe chegar, ele continuará preso à “RODA da SAMSARA”, que é o fatídico circulo de morrer/renascer/morrer até que sua Alma seja depurada e ele compreenda a futilidade, a efemeridade, a injustiça dos desejos mesquinhos e alcance o BODDHI, ou a Libertação. Em termos Ocidentais, seria o equivalente a ser admitido no PARAÍSO, o qual só é franqueado aos que não pecaram.

Após ter-se feito as necessárias restrições e criticas ao mau uso que se fez dessa linha de Pensamento, convém a estudar o Sistema em sua verdadeira feição: a filosófica. 

Primeiro é necessário que creditemos ao Budismo várias proposições, teses e afirmativas exaradas pelos filósofos Ocidentais, principalmente, SCHOPENHAUER que nele e nas UPANISHADS apoiou sua Teoria sobre a Vontade como a Essência da Vida.

O alemão transcreve quase que literalmente aqueles conceitos, ou seja,  de que são os Desejos a causa do sofrimento humano e que deles não se consegue escapar, pois é a Vontade (ou o Instinto de Preservação da Espécie e de Conservação do Indivíduo) a Essência de tudo que existe. E na seqüência expõe que a solução para esse impasse será a anulação dos desejos etc. 

Prosseguindo, vemos que o Budismo (enquanto religião, mas já com traços de “Filosofia de Vida”) seguiu em várias direções, espalhando-se pela China, Japão e regressando à Índia. Além, é claro, dos outros países da região. 

Seus textos principais (TIPITAKA) foram escritos em PALI (dialeto hindu) e separados em três “Cestas” ou em três partes, sendo: 

SUTTAPITAKA, que contem os SUTRAS, ie. Os Ensinamentos ditados pelo próprio SIDHARTA.

VINAYAPITAKA, que é o “Manual” com as Regras disciplinares que devem vigorar nos Monastérios, ou Templos.

ABHIDHAMMAPITAKA, também chamada de “Cesta da Metafísica” é a parte que contém a Doutrina da Tendência, a qual, por sua vez divide-se em:

AS QUATRO NOBRES VERDADES:
  
  1. A vida é Dor. 
  2. A causa da Dor é o Desejo. 
  3. O fim ou a cessação da Dor só acontece com o fim do Desejo. 
  4. E para que se consiga suprimir o Desejo é necessário seguir o Óctuplo Caminho, descrito a seguir: 

O ÓCTUPLO CAMINHO DIVIDE-SE EM: 

  1. Na justa Visão (ver tudo com o espírito imbuído de justiça e complacência) 
  2. Na justa Resolução (tomar a iniciativa correta) 
  3. Na justa Linguagem (evitar a futilidade e a injustiça naquilo que se diz) 
  4. Na justa Conduta (no modo de se comportar, com o devido amor para com todos) 
  5. No justo Viver (de forma a não atrapalhar a ninguém e ajudar a todos) 
  6. No justo Esforço (a Negação de se esforçar por futilidades e além do possível) 
  7. Na justa Mentalidade (ter bons Pensamentos e Intenções) 
  8. Na justa Concentração (de modo que ela não cause excessivo desgaste e nem se perca do que verdadeiramente deve ser o seu Objeto. Pois deixar o Pensamento voar desordenadamente é o mesmo que deixar um barco navegar livremente; e isto não é a Libertação, mas só uma inútil divagação). 

A libertação do jugo imposto pelos Desejos nocivos será alcançada através do exercício das normas acima mais a prática do ASCETISMO. É a dissolução da Ilusão (VEU DE MAYA) que fora produzida pela Vontade. 

O BUDISMO deu origem a inúmeras Escolas (ou Tendências) Filosófico-Religiosas e para organizá-las dividiu-se o BUDISMO em duas grandes Categorias: 

1.HINAYANA (pequeno Veiculo) que permaneceu mais fiel aos Ensinamentos tradicionais. Nele, a Salvação só será atingida pelo Monge/Monja que seguiu a VIA da MEDITAÇAO e que, por isso, atingiu o NIRVANA. Vigora, sobretudo na Índia, Birmânia, Sião, Camboja e Laos. 

2.MAHAYANA (Grande Veiculo) que é mais aberta e menos rígida em certos Dogmas. A Salvação, por exemplo, não é reservada apenas aos (as) Monges/Monjas, mas está ao alcance de todos que levarem uma vida baseada no ÓCTUPLO CAMINHO, na prática da Caridade, da Piedade (ou Religiosidade). 

Com essa postura fica claro que o NIRVANA (só alcançável pela Meditação) não é o único Caminho que libertará cada homem e, ao cabo, a espécie humana e o Mundo em Geral. Arraigou-se mais profundamente na China, Japão e Tibet. 

Por útimo, resta esperar que os seus adeptos e/ou admiradores entendam a verdadeira mensagem que SHIDARTA deixou ao dizer que o "Deus" que o homem busca em tantos lugares, está, na verdade, dentro de si próprio.
 

NOTAS: 
  1. Nirvana – estado em que o Indivíduo consegue se libertar das amarras dos Desejos, ainda em vida. É conseguida mediante o Ascetismo combinado com a Meditação. 
  2. Bramanismo – Nome dado ao Hinduísmo na fase em que os Sacerdotes (Brâmanes) comandavam a Sociedade e não só a Religião. 
  3. Hinduísmo – a Religião da Índia. 
  4. Roda da Samsara – As sucessivas reencarnações que o Homem faz até que sua Alma esteja depurada. O ciclo de nascer/morrer/nascer. 
  5. Boddhi – a libertação definitiva da Samsara, só atingido por aqueles que controlaram totalmente seus corpos físicos e levaram a virtuosa vida que daí advém. 
  6. O Véu de Maya – a ilusão da matéria em que a Alma impura vive.  


Fonte - Deusas e Deuses Hindus - Dicionário Sintético e Filosofia Sem Mistérios, ambos de Fabio Renato Villela, Editora Seven System - Biblioteca 24x7.