quinta-feira, 7 de março de 2013

Homenagem ao "Dia Internacional das Mulheres" - REPUBLICADO


BEAUVOIR, SIMONE – a Mulher e o Feminismo.
1908/1986

“O homem é definido como “Ser Humano” e a mulher como fêmea”.

Em sua obra mais célebre, O Segundo Sexo, a filósofa francesa argumenta que no correr do tempo, o paradigma do que entendemos como Humano – tanto em termos filosóficos, quanto gerais – é sempre uma visão masculina.

Alguns filósofos, como Aristóteles chegaram a igualar Humanidade com Masculinidade. Outros, não ousaram tanto, mas não titubearam em elevar o masculino como o padrão segundo o qual a humanidade deve ser julgada; ou seja, toda ação ou pensamento feminino seria tão insignificante que não entraria na equação de erros e acertos do Ser Humano. Tudo seria condenado ou absolvido conforme o ponto de vista masculino.

Essa visão acabou confundindo inclusive o que se entendia como “libertação feminina” e Beauvoir tinha entre suas preocupações o fato de que as mulheres são tratadas com relativa igualdade apenas se agirem como homens.

NOTA do AUTOR – essa lógica torta, talvez também explique o porquê de a homossexualidade feminina ser mais tolerada que a masculina. Para os valores equivocados da sociedade, o homossexual masculino desceu à condição de mulher; enquanto a homossexual feminina subiu à condição de homem.

Para Simone, mesmo aqueles que lutam pela igualdade de Direitos, fazem-no imaginando (ainda que de boa-fé) que Igualdade significa que as mulheres podem fazer as mesmas coisas que os homens, como, por exemplo, votar e ser votada, dirigir um automóvel, não usar o lenço na cabeça, ter prazer sexual etc.

Mas essa é uma visão totalmente errada, segundo Simone, já que não leva em consideração que os dois gêneros são diferentes física e emocionalmente. Portanto, o “bom combate” será aquele que exija os mesmos Direitos Civis, Políticos, Profissionais etc., mas sem a contrapartida de que para “merecê-los (sic) a mulher tenha que se masculinizar. Sem que ela tenha que pensar e agir como se fosse um homem.

Destarte, o objetivo a ser alcançado é a conquista da plena cidadania, com o devido respeito à sua maneira de Ser, de Sentir, de “estar no Mundo”.

Ter o Direito de ser diferente do homem, sem que isso implique em diminuição em suas prerrogativas de cidadã.

Simone teve formação filosófica na área da Fenomenologia que, como se sabe, é o Estudo sobre como as Coisas (objetos, seres, etc.) se manifestam à nossa Consciência.

Esse ideário sustenta que cada indivíduo constrói o Mundo a partir de sua própria perspectiva; organiza as Coisas e os seus sentidos (seus significados) a partir do que lhe acontece.

A partir dessa constatação, Simone tornou-se uma Existencialista – no sentido de que a Existência como Mulher é que formava a sua Essência.

Ao trazer a concepção Existencialista para a condição de mulher, Simone buscou a separação entre o Ente biológico, a forma corporal com a qual as mulheres nascem, e a “Feminilidade”, que é apenas uma Construção Social (um esquema construindo segundo os costumes, as normas da sociedade. Uma invenção dos Seres Humanos).

Assim, a partir da premissa de que qualquer Construção Social está aberta a modificações e a diferentes interpretações, admite-se a possibilidade de “ser mulher” de várias maneiras diferentes e de se fazer uma “Escolha Existencial”, pois, segundo ela, “já que nos exortam a sermos mulheres, a tornamo-nos mulheres” isso sinaliza que “nem todo Ser Humano do sexo feminino é mulher (sic)”. “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher. Tornemo-nos, então!”.

Para Beauvoir, as mulheres devem se libertar da ideia de que necessitam ser como os homens as imaginam; e da passividade que lhes é atribuída. E, por consequência, da servilidade a que foram condenadas pela Sociedade.

Viver uma “Vida Autêntica”, mais reflexiva e acima dos padrões e valores habituais (ser magra, bela, desejável etc. com interesses miúdos em roupas, joias e similares, visando, ao final, agradar aos Homens e assim perpetuar a servidão) é, certamente, mais penoso do que levar uma vida de frívola existência.

Contudo, é justamente a “Vida Autêntica”, com sua rejeição aos valores burgueses e sexistas, que garantirá a igualdade enquanto cidadã e o direito a ser diferente enquanto mulher.


                                           Dedicado à todas...