sábado, 1 de maio de 2010

Cinza Tarde

Sufocante cinza tarde,
qual horror sem alarde.
Ouço o terror que goteja
e a prece de quem verseja.

Na Sé, os monges gregorianos.
Nos bordéis, a nudez de pouco panos.
Homens fazem planos
e mulheres choram danos.

Porque de branco se veste a recusa.
E de preto quem acusa.
E de vermelho quem abusa,
do amor que já não se usa.

Um vivente apaixonado
com métrica e rima
te faz obra-prima.

Conterrâneo
do Mediterrâneo,
que cavalga ondas
em liquidas rondas,
louco Poeta
e pseudo Profeta,
esperança de Pandora
e o amor da bela Flora,
vem comigo, já é hora.
A morte não demora.