sexta-feira, 14 de maio de 2010

Dor

Por que esse falso heroísmo
ante a carranca do abismo?
Como seria dormir uma noite,
sem o horror desse açoite?

Que madrasta sorte assassina
impõe-me essa dor que alucina?
Onde estará a alma feminina
que me suavizava essa sina?

Sinto a coragem finda
e há tanta dor ainda ...
Em qual pedaço da vida,
ficou a minha Vida?
Nem tudo passa
nesse tempo de ameaça.

Por onde andarão as Musas que amei,
nos amores que nunca acertei,
nas noites em que senti rei
e nas guerrilhas, em que tolo sonhei?
Agora de quase nada eu sei ...
Só que a bruta dor impera
na ante-sala do que me espera.