sábado, 22 de maio de 2010

Tatyana

A vida nos reparte
e seguimos rumos estranhos.
Valentes e lanhos
juntamos cacos e partes
e insistimos nessas artes.

Russa mulher distante,
bela como sonho de Cervantes,
breve como instantes,
mas eterna Musa de tantos Dantes.

Que caminhos são esses
mulher estrangeira?
Que perfume de cerejeira,
que brisa ligeira
carrega tua alma
e arrebata minha calma?

Pouco te sei moça de longe,
mas sei do Nivarna de monge
que cobre meu peito
no abrigo do teu leito.

Loura moça da branca neve,
manjar que a vida serve,
eu deveria ser breve
como riso que não se atreve,
mas eis que te escrevo
e em sonhos revejo
esse sonho sobejo.

                            Para Tatyana.