quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

LACAN, Jacques - Psicanálise Contemporânea



JACQUES LACAN
1901 – 1981

O Inconsciente é o discurso do outro.

“Outro” é tudo aquilo que está apartado do “eu”, ou seja, o ambiente em que nascemos e para o qual precisamos dar algum sentido, ou significado, sob a pena de não conseguirmos sobreviver.

A “Linguagem” não deve ser confundida com oralidade. A linguagem pode ser executada através da escrita, da pintura, da escultura, da mímica, da música etc., haja vista que todas as formas de expressão são de uso comum da humanidade. Desse modo, as sensações e imagens que se traduzem nos pensamentos que habitam o inconsciente devem ser feitas segundo a linguagem do mundo externo, ou do “outro”.

Notas biográficas

Jacques Marie Emile LACAN nasceu em Paris e nela viveu por toda vida. Estudou no liceu jesuíta “Collège Stanilas” e depois cursou Medicina, especializando-se em Psiquiatria. Durante a Segunda Guerra trabalhou no hospital militar “Val-de-Grâce” e após o conflito, dedicou-se inteiramente à Psicanálise, fazendo da mesma a sua principal ferramenta terapêutica.

Contudo, acabou sendo expulso da Associação Internacional de Psicanálise em 1953 por ter rechaçado com vigor as censuras severas que recebia por realizar sessões de terapia consideradas muito curtas, o que era considerado uma prática perversa para os padrões mais ortodoxos. A partir de seu desligamento fundou a Sociedade Francesa de Psicanálise, onde produziu seus variados textos que versam, além da psicologia, sobre Arte, Literatura e Linguística. Também produziu e ministrou diversos seminários que eram frequentados por figuras proeminentes no meio intelectual como, por exemplo, ROLAND BARTHES e CLAUDE LÉVI-STRAUSS. Além dessas atividades, por ser um freudiano convicto, apesar de divergências pontuais com o mestre, fundou a Escola da Causa Freudiana em 1961 e a Escola Freudiana de Paris, em 1963 como tributo ao “pai da Psicanálise”.

O Inconsciente e os Psicanalistas

Em geral os Psicanalistas descrevem o inconsciente como um local onde guardamos as lembranças dolorosas e inacessíveis ao consciente. E concordam que o inconsciente retém mais informações que o consciente.

Também concordam que essas lembranças, às vezes, veem à tona e o inconsciente comunica-se com o “eu consciente” embora de maneira imitada. Porém, a concordância é apenas parcial entre os estudiosos, pois cada qual argumenta que essa comunicação acontece por motivos diversos. A saber:

1 – Freud – afirmava que a emergência dessas memórias reprimidas podia ser observada através de comportamentos como a histeria, a melancolia etc. ou pela narrativa feita pelos pacientes de seus sonhos, ou, ainda, através de atos falhos, lapsos acidentais de linguagem etc.

2 – Carl Jung – acreditava que o inconsciente apresentava-se ao “eu" ou ao consciente através de símbolos, da linguagem, dos sonhos e dos arquétipos.

3 – LACAN – através do discurso do outro, pois para ele a linguagem do inconsciente não é a do “eu”, mas a do “outro”.

O “outro” é tudo aquilo que fica além de nós mesmos e é graças a sua existência que conseguimos definir e redefinir a nós mesmos. É graças ao “outro” e à sua linguagem ou discurso que conseguimos entender o mundo e ter os nossos pensamentos mais profundos. Por isso, LACAN definiu que:

“O inconsciente é o discurso do outro”.

O sentido de si

É relativamente fácil aceitar a noção de que cada um de nós existe como um Ser individual, separado do Mundo. Também não é difícil aceitar que reconhecemos as fronteiras que nos separam dos outros e que sabemos existir uma distinção entre o nosso próprio pensamento e a nossa maneira de interagir com o meio ambiente.

Contudo, não é tão fácil explicar de onde vem essa convicção de sermos um indivíduo, pois, como podemos ter certeza de que existimos realmente como um Ser separado do conjunto?
Essa questão ocupa a mente dos homens desde os primeiros Filósofos e o racionalista René Descartes forneceu a explicação que melhor se adaptou ao pensamento ocidental contemporâneo ao afirmar em sua célebre frase que:

Penso, logo existo!

Na atualidade, LACAN desenvolveu esse conceito ao argumentar que através do pensamento e da reflexão passamos a ter consciência da existência e da semelhança do outro, comigo, deduzindo racionalmente como Descartes, que eu também existo.

Afinal, se não houvesse nada externo que pudéssemos reconhecer como separados de nós mesmos, também não poderíamos reconhecer-nos como indivíduos. Seriamos incapazes de conceituar o nosso “Sentido de si” porque não havendo um “espelho” tampouco haveria um Ser delineado, definido que pudesse ser considerado individualmente.

Segundo LACAN, o único jeito de nos sabermos apartados da totalidade, ou do Mundo, é percebermos essa separação entre o “eu” e o “outro”. Ter a capacidade de ser o “eu conhecedor”, aquele que consegue conhecer, perceber o exterior a si, ou o outro. Uma criança, por exemplo, precisa aprender a agrupar e a classificar as suas sensações para sobreviver e assim faz à medida que adquire compreensão e consciência de uma série de símbolos e de sinais – os significantes – que só podem lhe chegar do “universo exterior” através da Linguagem, ou do “discurso do outro”. Assim sendo, LACAN concluiu que:

Cada qual é um “eu” somente porque existe um conceito de “outro”.

Para LACAN somente pela linguagem somos capazes de pensar e expressar as nossas ideias e emoções e a única linguagem que temos é a do “outro”.

Epílogo

A concepção lacaniana de que “o inconsciente é a linguagem do outro” teve enorme influência sobre a Psicanálise e fez com que se desse uma interpretação mais objetiva, clara, direta e aberta do próprio inconsciente.

E esse contributo ao tratamento dos distúrbios mentais, tantos os intelectuais quanto os emocionais, deram-lhe um renome de tal ordem que ele deixou de ser considerado apenas como um Psicanalista para ser visto como um Filósofo na máxima extensão do nome.

É certo que essa consideração gera algumas polêmicas, mas não restam dúvidas acerca de sua importância no cenário intelectual.


São Paulo, 07 de agosto de 2013.
Revisado em 01 de janeiro de 2014.

Produção e divulgação de YARA MONTENEGRO, da Cidade Maravilhosa de São Sebastião do Rio de Janeiro, em Janeiro de 2014.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Fugazes


A mão fresca 
da noite recém chovida
espalha as últimas gotas 
em meu corpo saciado.

Eis chegada a calma
que sucede a eternidade
dos encontros fugazes.

A eternidade dos amores passageiros
que se consumaram entre horas
e na chama do momento sempre.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A Náusea - J.P.Sartre - Resenha

Ed. Nova Fronteira - Ed. comemorativa

Essa obra é um exemplo perfeito das imensas possibilidades da Literatura, haja vista ser tão valorosa como “Tratado Filosófico”, quanto “Romance”. Alguns a classificam como um “Romance Filosófico” e, com efeito, ela é tão bem concebida que não se consegue diferenciar os gêneros literários. Nela, toda a genialidade de SARTRE fica patente e não deixa dúvidas sobre o merecimento do Prêmio Nobel que lhe foi outorgado e que ele recusou em 1964.

A obra conta a história do protagonista, ANTOINE ROQUENTIN, um pesquisador, já entrado na casa dos trinta anos, que se muda para a cidade portuária francesa de Bouville, uma mal disfarçada referência ao porto holandês de Haia, após longas viagens pela Europa Central, África do Norte e Extremo Oriente.
ANTOINE vai para a localidade com a intenção de escrever a biografia de uma semiopaca figura histórica, o Marquês de ROLLEBON, mas no desenrolar do trabalho o sedentarismo lhe produz estranhas sensações e enquanto ele insiste em continuar a obra passa a ver o mundo, e o lugar que ocupa no mesmo, de maneira totalmente diferente.

Num crescente empolgante de dúvidas e emoções, ele percebe que a sólida lógica racional que acreditava constituir a realidade simplesmente não existe. Que os hábitos, valores, crenças etc. não passam de uma fina camada superficial sem qualquer lastro mais profundo.

Abalado por essa conscientização, passa a ser acometido pela “Náusea da Existência”, ou seja, pela horrível sensação de sermos contingentes, de não termos um sentido e de que caminhamos para o Nada.

Pasmado pela indiferença das coisas, dos objetos inanimados e pela inautenticidade dos Seres humanos com quem convive, sente-se cada vez mais sufocado pela consciência de que cada situação que vive é o seu próprio ser, existir. Descobre, assim, que a sua existência é desprovida de qualquer significado maior.

Através das reflexões que se originam dessas descobertas e circunstâncias que atingem a sua personagem, SARTRE analisa as questões relativas à liberdade, à responsabilidade, à consciência e ao tempo tecendo um painel magnífico das questões que permeiam a existência humana.

É nessa obra que o conceito de que “a existência precede a essência” aparece pela primeira vez, antecipando o conjunto de ideias que só veio ao público em 1943, quando SARTRE publicou sua outra obra-prima “O Ser e o Nada”.

Influenciada pela Filosofia de HUSSERL e pelo estilo de DOSTOIÉVSKI e de KAFKA, a obra apresentou o Existencialismo ao Mundo, que não demorou a elegê-lo como um dos principais sistemas filosóficos do século XX. Bem como não deixou de reconhecer que “A Náusea” é uma obra indispensável para todos os interessados em adentrar o universo de SARTRE e resgatar o direito de criar suas próprias convicções sobre o mistério que é existir.



Resenha feita a partir do original "A Náusea" de Jean Paul Sartre, Editora Nova Fronteira - Edição Comemorativa.

Produção e divulgação de YARA MONTENEGRO, do Rio de Janeiro, em Dezembro de 2013. Feliz 2014.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Sonhos outros


Serão inúteis as apostas contrárias
e todas as vozes adversárias,
pois em ti repousa a graça necessária
para o exercício da fantasia diária.
Será em vão a maldade do Mundo,
pois eis que a poesia vertida,
em ti, acaricia a própria vida.
Será em vão o assombro tentado,
pois eis que o poema derramado
em todo peito será abrigado.
Siga comigo Marquesa dos Versos,
em outros sonhos seremos imersos


Para a Musa.


domingo, 22 de dezembro de 2013

Anunciação


Que o clarim do arauto seja de anunciação.
Que proclame o inicio de um novo ciclo
no eterno movimento de renovação.
Que seja um aviso de chegada
e o fim da longa espera por nada.
Que traga em seu bojo os novos alicerces
com os quais serão reerguidos
os homens destruídos.
Que traga boas novas de quem se foi
e o consolo para quem ficou.
Que seja o novo instante, 
o novo Cavalheiro Andante
e a redenção do amor errante.
Que seja um poema e um vinho chileno;
e o perfume de rosas, logo após o sereno.
Que anuncie o voo das andorinhas
que fazem o Verão
e que decrete o transcender
das almas e das cigarras
que anunciam a Primavera,
pois, então, saberemos
que está na própria estrada
a paz anunciada.



Dedicado aos confrades e confreiras da Academia Nacional de Letras do Portal do Poeta Brasileiro, com os melhores votos de Feliz Natal e venturoso Ano Novo.

                                       

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Poetas del Mundo - "Mil poemas a Vinicius de Moraes" -



Agradeço à Instituição "Poetas del Mundo" na pessoa do Dr. ALFRED ASÍS pela deferência. Muito grato.

Produção e divulgação de YARA MONTENEGRO, do Rio de Janeiro, em Dezembro de 2013.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Sejamos Quixotes

Pablo Picasso - Nanquim e Lápis


Sejamos Quixotes. Ousemos desafiar as convenções, os hábitos, as rotinas e exerçamos o sagrado direito de cavalgar em nossas utopias até a última estrela da madrugada. 

Vençamos os tiranos do Mundo, amemos as nossas Musas, brindemos as conquistas, choremos as derrotas, sejamos atentos ao exercício da generosidade, do carinho e do afeto e, principalmente, não nos esqueçamos que os Sanchos de nossas vidas são os alicerces que nos permitem desafiar os gigantes fantasiados de moinhos. 

Por fim, não nos furtemos à poesia, à gargalhada e às esperanças que o Novo Ano haverá de trazer e saudemos de peito aberto a mágica do Natal, enquanto andamos em busca dos sonhos que nos iluminam.



Um grande beijo aos queridos (as) amigos e amigas que me dão a honra de visitarem meus Blogs. A todos (as) um Feliz Natal e próspero 2014.



Produção e divulgação de YARA MONTENEGRO, do Rio de Janeiro, em Dezembro de 2013

sábado, 14 de dezembro de 2013

Silêncios


Desde então um adeus 
preenche os nossos silêncios
e se as ausências tornaram-se desejadas
uma escassa esperança
ainda nos impede de decretar o fim
que já oscila entre os nossos corpos
na cama que não mais se desfaz.


Produção e divulgação de YARA MONTENEGRO, do Rio de Janeiro, em Dezembro de 2013.

Tempo



Exige-me destemor
e me impõe o esquecimento
os caminhos que ando.
Meu tempo é quando.




Inspirado na poética de Vinicius de Moraes.

Produção e divulgação de YARA MONTENEGRO, do Rio de Janeiro, que continua lindo, em Dezembro de 2013.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Estação da Luz e do Crack


Logo, os malditos da noite
avançarão as suas misérias
por sujas avenidas viciadas.

A massa disforme,
oculta em sujos cobertores
carrega seus andrajos e horrores
por entre estrelas envergonhadas
pelas tantas luzes desperdiçadas.

Então se sabe
que a promessa da vida
nem sempre é cumprida.


Produção e divulgação de YARA MONTENEGRO, do Rio de Janeiro, em Dezembro de 2013.

A imagem foi desfocada intencionalmente por respeito às famílias dos dependentes e aos próprios.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Esperas




"Porque o amor é a coisa mais triste quando se desfaz..."

Eu sei que agora ando só,
que as noites escondem as estrelas
e furtam a fantasia
 que a Lua me trazia.
Mas como há em Vivaldi
a renovação de toda Primavera
eu sinto que no peito
já brota uma nova espera.



- Da poética de Baden Powell e Vinicius de Moraes.
- Referência à música "Sagração da Primavera", em "As quatro estações" de Vivaldi.

sábado, 7 de dezembro de 2013

A Lira



Obra de Li Sakamoto

Há um carinho
em cada verso
que te faço,
pois de ti
nasce a doce lira
e por ti 
a vida conspira.


Produção e divulgação de YARA MONTENEGRO, do Rio de Janeiro, em Dezembro de 2013.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Rosas da noite


Permite-me a brisa, a janela aberta.
E esse frescor de chuva recém caída
espalha todos os orvalhos
que as rosas da noite suspiram.
Logo, teu riso refletirá as estrelas
enquanto as promessas se cumprem.


Produção e divulgação de YARA MONTENEGRO, de Campinas SP, em Dezembro de 2013.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Mandela


1918 - 2013

Mandela de Cabidela,
do grito na favela, do vazio na panela
e de outra tanta mazela.
Nelson Africano, exemplo decano
do preço pago pela liberdade
que nunca vem tarde.
Mandela de luto, Mandela de luta
apague a Lei que separa as cores
como se os homens fossem só rancores.
Negro rei Africano, vibre sempre o teu cajado,
pois eis que o opressor é sempre renovado.
E siga sempre, negro sábio, 
já que em em teu lábio 
brilha a justa palavra 
e o futuro 
tu nos ensinou como se lavra.


Homenagem pouca ao homem que me ensinou a acreditar.



Produção e divulgação de YARA MONTENEGRO, de Campinas SP, em Dezembro de 2013.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

domingo, 1 de dezembro de 2013

A próxima madrugada


Porque a maré sempre volta,
aguardo-te na Preamar
até o fim 
da última
estrela raiada.
No bolso e da vida
restou-me apenas um real
para comprar a rosa
que sempre te agrada.
Quem sabe, na próxima
madrugada?




Produção de YARA MONTENEGRO, de São Paulo, em Dezembro de 2013.




sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Cerejas


As cerejeiras floriram depois de Outubro.
Estão renovados os maduros amores
e renovadas, as maduras cerejas.
Eis retornadas as brisas benfazejas
e decretada a inutilidade das proezas,
pois é tempo de pura leveza,
de saudade menos doída,
de vontade mais atrevida
e de um novo brinde
à vida.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A Estrela e a Mulher



A mulher
que volta do Passado
repõe a estrela perdida.
De novo completa,
a noite repõe a vida.




La Vie


O tempo nunca é curto
enquanto mede uma ausência.
Mas eis que me visitam
amores que vivi
e Piaf ressurge 
em todos os tons e sons.
E se por ti eu soube
que a saudade tem nome,
por ti eu sei como renascem
os sonhos.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Chuva




Cai uma chuva tão suave
que se pensa
que Deus nos acaricia.
Tudo existe
para findar o que é triste.
O cheiro de terra molhada
preenche todo vazio
e de todo sede há o sacio.
O tempo passeia no relógio
e a tarde se estende até onde se compreende.
A vida, aos poucos, a gente entende.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Amores Maduros


E sem que se perceba
um mediterrâneo azul olhar
devolve-me o sonho de sonhar.

Amores maduros
talvez indevidos,
talvez atrevidos,
talvez heroicos
nesses tempos Minóicos
de gregos labirintos.

Maduros amores
que tornam menores
os anos que trazemos
e melhores os que queremos.

Maduros amores
que dispensam os verbos
e acolhem os versos não ditos.
Silêncios falam.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A Negra Poetisa


Negra Graça poetisa 
mostre a tua santa ira e a tua doce lira.
Que teu canto voe, que teu verso ecoe
e que tais sejam ante a bruta ferocidade,
que não reste sombra da maldade.

Negra poetisa, por ti a luta se suaviza
e todo contrário se harmoniza.
Reviva o Baobá natal,
 reconte os mitos, os ritos,
e os gritos da África ancestral.
Cá te ouviremos,
pois de lá, todos viemos.

Ave Graça, da negra alegria!
Que nenhuma mordaça
cale a tua valentia
e nem nos roube a tua poesia.


Homenagem pouca à poetisa GRAÇA GOMES e ao poeta moçambicano MPIOSSO - YE- KONGO

Produção e divulgação de TANIA BITENCOURT, rien limitée, do Rio de Janeiro, no dia em que se celebra A Consciência Negra.

domingo, 17 de novembro de 2013

Promessa



Quantos versos te restarão
quando as estrelas se apagarem?
Em busca de qual promessa
tu ainda rezará as mandingas?
Quem haverá de desenhar as rendas
por onde voava o colibri?
Quem, de ti restará?

E tudo por quê?
De onde ressuscitastes esse medo?
Lembrança de tantos amores em vão?

E no entanto, poeta, é preciso reviver.
Dispa-se da paúra e descalce o que dirão.
Nada sabem do que se passa em teu peito
e é tempo de renascer.

Nada escute, além da voz da amada.
Nada veja, além do brilho de seus olhos.
Nada temas.
Aperte a mão estendida,
afaste a mágoa sentida,
esqueça a decepção havida
e siga este outro lado da vida.

           



Produção e divulgação de TANIA BITENCOURT, rien limitée, Indaiatuba SP, na Primavera de 2013.

sábado, 16 de novembro de 2013

A Cidade e o Feriado


A avenida vazia expõe o silêncio das ausências.
Velhos edifícios espiam vagos passos largos
e pausas consentidas desfilam nuas vidas.

Como amante sem recato a cidade se dá
em leitos improváveis.
E a vastidão despovoada 
a faz tão íntima
quanto mulher recém amada.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Manchetes


Porque a vida se repete,
os jornais são inúteis.
Personagens mudadas repetem velho atos,
velhos fatos e iguais retratos.
 E porque só há o que já houve,
presente está sempre o Passado 
e a dor nem muda de lado.



Produção e divulgação de TANIA BITENCOURT, rien limitée, do Rio de Janeiro, na Primavera de 2013.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Gnomos

Obra de Li Sakamoto

Será inútil descobrir
o pote de ouro
no fim do arco-íris,
se no caminho
perdemos a crença
nos gnomos que lá
o deixaram.


Homenagem pouca à Artista Plástica e Fotógrafa Li Sakamoto.

Produção e divulgação de TANIA BITENCOURT, rien limitée, desde Aquidauana, na Primavera de 2013.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Tanto há


Há muito porque te amar.
E não só a suave porcelana de tua pele,
a elegância de teu porte majestoso,
a beleza sensual de teus lábios,
a sinuosidade de tuas curvas
e a seda que recobre os teus cabelos.
Muito mais existe para te amar.
Há a grandiosidade de tua inteligência,
a profundidade de teu saber,
a ternura de tua carícia
e a graciosidade com que tu desfila a modéstia
de quem se sabe além da ostentação.
Muito há, porque te amar.

à Musa

Produção e divulgação de TANIA BITENCOURT, desde Campo Grande MS, para rien limitée, na Primavera de 2013.

domingo, 10 de novembro de 2013

Poderia ter sido


A vida que não foi, mestre Bandeira,
abre caminho para a angústia de ser só.
Hoje, a brisa não me trouxe o sorriso da Musa
e nem me chegou o voo do colibri.

A dor dos amores que foram breves
e que nem sei porque se foram
tinge de cinza a tarde finda.
O amor que imaginei maduro chegado,
fez-se silêncio um dia e ausência depois.
O amor que um dia curou as minhas dores
e escreveu a minha poesia,
morreu como quem nunca viveu.
E no ataúde em que se enterrou
não coube a última rosa que lhe guardei.

Já não brilha a estrela do leste, 
agora perdida no escuro sem fim.
A noite não compensa o Sol perdido
e a luz da Lua que um dia vestiu
as minhas fantasias 
estragou-se em realidade.

E pensar, mestre Bandeira, que a vida poderia ter sido...


                    
Homenagem pouca ao Mestre Manuel Bandeira.


Produção e divulgação de TANIA BITENCOURT, rien limitée, do Rio de Janeiro, na Primavera de 2013.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A Psicografia



As palavras chegam
não se sabe de onde
e entre saudades e dores
avivam presenças 
que se julgavam perdidas.
Por instantes, quase se escuta:
mãe, apronta o meu jantar...


Produção e divulgação de TANIA BITENCOURT, rien limitée, do Rio de Janeiro, na Primavera de 2013.

domingo, 3 de novembro de 2013

O Naiff





As cores de um Naiff
compensavam a usura do cinza.
Entre um vermute
e uma Crônica de Costumes,
momentos se fizeram.

Nem sempre 
a aspereza do amor ausente,
esteve à mesa comigo.



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Érika



Se a bala foi perdida,
ou se foi indevida,
o que importa agora?

A boca do forno
crema primeiro
a pouca fantasia que viveu 
e a morte
que antes lhe ocorreu.
Dupla morte
para o sonho
de consorte.

Depois, o ramo de jasmim
desce à barca de Caronte,
ao rés do horizonte.

Acima ficamos nós.
Acima, ficamos sós.
Quem nos devolverá
a doçura de Érika?


               Para a Sra. Gertrudes e Sr. Christopheer. Saudades de Érika que partiu há dois anos.


Produção e divulgação de TANIA BITENCOURT, rien limitée, do Rio de Janeiro na Primavera de 2013.