sábado, 2 de fevereiro de 2013

Dignidade

Foi em um desses Canais de Televisão especializados em Documentários.


Uma equipe de cientistas europeus desenvolvia um estudo acerca da capacidade cognitiva de vários primatas, inclusive os humanos.

O experimento consistia em fazer o candidato descobrir a maneira mais eficiente para se atingir um caramelo escondido em uma caixa dotada de vários dispositivos que exigem raciocínio lógico para serem destravados.

A experiência testou  alguns símios até chegar ao nosso parente mais próximo, os chimpanzés, cuja representante, uma fêmea chamada “Sibha” teve pouquíssima dificuldade para descobrir os segredos de funcionamento da engenhoca e só perdeu o desafio porque competia com a previsível habilidade superior de uma garotinha africana chamada Lourdes...

Mas tudo que descrevi até aqui não teve a menor importância, pois o que de fato me marcou      profundamente foi o imenso amor que eu senti pela mãe de Lourdes.

A enorme admiração pela sua capacidade de mostrar que a altivez supera a penúria.

Não, a sua filha não era uma pobre criancinha africana de tudo carente e que tudo deveria aceitar, sobretudo para aplacar as culpadas consciências coloniais e exploradoras que por tanto tempo usurparam e sangraram a força do Continente mãe.

Não, Lourdes, é uma criança linda, inteligente, estudiosa e que apesar da pobreza da mãe, em nada difere do meu filho, com a minha pobreza.

Em meio à desoladora miséria em que vivem os africanos (que são tão ricos, meu Deus) pude notar que aquela mulher – que não foi sequer citada – teve todo o cuidado de vestir a filha, para que participasse do programa, com a melhor roupa e o melhor sapato que a sua indigência permitia.

Vestido feio, surrado, pobre e, no entanto, esplêndido pelo simples fato de que vestia a dignidade de Lourdes. 

Porque vestia a sua dignidade.



Foto captada na WEB - identificação desconhecida.