sábado, 9 de fevereiro de 2013

Bastaria


Bastaria um amor simples.
Desses, que já nem se usa.
Fartei-me das complexidades
e das tantas singularidades.
Bastaria uma mulher
que se quisesse só mulher
e a mim, apenas homem.
Que nos isentasse da perfeição.
Que nos dispensasse da angústia
de não sermos Super-Seres.
Bastaria apenas poder acreditarmo-nos.
Saber-nos protetores e protegidos.
Bastaria um amor calmo
para vivermos a glória
de imperfeitos, mas sábios, corpos maduros.
Ávidos e capazes de prazeres prolongados,
pois eis que os amores já não se contam
e nem se jactam de obrigatórias performances.
Um calmo amor
em que tempo houvesse
para que o Expresso na cafeteria
fosse sorvido em conjunto
com a Dialética de Hegel.
E que impedisse que o esplendor
do Brasil de Glauber e Bandeira
fosse manchado pela cretinização
de um Mundo que contém
"Grandes Irmãos" televisivos.
Em que tempo houvesse para se saber
da infantilidade dos flertes inconsequentes,
dos ciúmes intolerantes
e das vontades indigentes.
Tempo para crer nas quimeras,
no Canto das Sereias
e nos Castelos de areia.
Tempo de viver
esse sabor de vinho maturado,
esse calor de mãos dadas,
esse aconchego de um colo
e de um carinho.
Tempo de viver
essa calma do mar de Botafogo.