quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Óperas, guia para inciantes - Parte VI - A Ópera francesa.


A Ópera francesa formou uma escola separada da italiana, na expectativa de encontrar seus caminhos originais.

Porém, não obstante a sua tentativa de se desvincular de sua irmã, ela deve a um italiano (Giovanni Battista Lulli – Florença – 1632-1687) o seu inicio.

Cantando no idioma francês com o nome de Jean Batiste Lully, foi ele quem que a iniciou em 1672 e a monopolizou por um largo período.

Os disciplinados e fluentes “Recitativos” e “Aberturas”, bem como os célebres “intermezzi”, que criou formaram um rígido padrão que só ruiu um século depois, graças às reformas introduzidas pelo gênio de Gluck.

Todavia, mesmo reformada, a Ópera francesa continuou a apresentar alguns elementos de sua origem itálica, tais como os interlúdios de balé e uma suntuosa cenografia, suportada por complexa maquinaria teatral. Além disse, não deixou de ser influenciada pelo “Bel Canto” de Rossini e doutros compositores italianos.

Por outro lado, insistindo em criar um espaço próprio, seus autores, compositores, cantores, cenógrafos etc. criaram, com efeito, inúmeras variações bem sucedidas, como é o caso, por exemplo, da “Ópera Comique (ver quadro sinótico)”, cuja característica principal é o fato de possuir diálogos falados ao invés de cantados; como, aliás, pode ser observado na mundialmente famosa Ópera “Carmem”, composta por Georges Bizet, onde tal característica é presente, assim como a exuberância dos elementos cênicos e melódicos.

Esse tipo de Ópera em que o “Libretto (ver quadro sinótico)” vincula-se diretamente com a Literatura atingiu o seu ápice entre os anos de 1770 a 1880, chegando, então, a servir como modelo para o estilo alemão chamado de “Singspiel”.

Para vários outros estudiosos, ela também foi a inspiração para a chamada “Operetta”, com a qual apresenta algumas semelhanças de conteúdo e de tema.

Noutro extremo, apresentou os elementos da chamada “Grande Ópera”, como nos casos de “Guillaume Tell” de Rossini, em 1829; e de “Robert le Diable” de Meyerbeer, em 1831. Nessas ocasiões, Paris presenciou a exibição de verdadeiras superproduções com deslumbrantes e luxuosos cenários, grandes Corais (ou Coros), orquestras sinfônicas inteiras, balés magníficos e um grande elenco de cantores, bailarinos etc.

Dessa forma, e mesmo sendo considerada inferior à italiana, a Ópera francesa consolidou-se e ainda hoje é uma manifestação cultural que contribui vigorosamente para que a França continue a ser o “farol do mundo”.

§§§

Falaremos na sequência da Ópera alemã, que mesmo sem ter o prestígio de suas irmãs, constitui-se em uma expressão artística de elevado valor.


Lettré, l´art et la Culture. Rio de Janeiro, Verão de 2015.