sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Voo da Vida



Por que eu deveria deixar de me iludir?
Que pena traça essa linha hamletiana
de Ser ou Não Ser?

Eu quero os holofotes coloridos dos sonhos
e as lantejoulas brilhantes da pura inconsequência.
Recuso-te, árida realidade dos homens tristes.

Recuso-te, angústia dos limites férreos
de inúteis esquemas e fascistas sistemas.
Que eu seja Zaratustra e nieztschianamente vença
as alturas dos arames e paire sobre as agruras,
pois nasci nas Montanhas e o vento canta comigo.

Venha sim, Princesa, ainda que a neguem,
é alta, nobre, pura e bela a grandeza de toda cor.
Voe comigo, pois eis que existir é maior que o abismo
e somos deuses com vontade de viver...


Para a moça bonita. Com carinho.

Lettré, l´art et la culture. Rio de Janeiro, Primavera de 2014.