terça-feira, 14 de outubro de 2014

Rousseau e o Romantismo - Parte IV - Notas biográficas, continuação



Rousseau e o Romantismo - Parte V
Notas Biográficas - continuação

A caminho da capital, em meados do Outono de 1741, Jean Jacques deteve-se em Lyon para visitar alguns amigos e conseguir com os mesmos, cartas de referências que lhe pudessem servir na busca por emprego. Foi recebido amistosamente pelo casal Mably e através deles travou relações com o Abade de Mably1 que lhe deu as cartas de apresentação que o auxiliaram a conseguir alunos de música na capital.

Com esses alunos conseguiu manter-se e paulatinamente desenvolveu novas relações, através das quais chegou à Academia onde expôs o seu Sistema de “notações musicais”, que não foi aprovado pelos acadêmicos.

Em face desse insucesso, ele apresentou o mesmo Sistema a Jean-Philippe Rameau (1683-1764), célebre músico francês e autor de óperas famosas como “Pigmalião”, que o considerou mais difícil que o comum.

Contudo, esse par de rejeições não foi suficiente para convencê-lo da impraticabilidade de seu método e ele partiu em busca de outros caminhos. Conheceu, então, o ainda semianônimo Diderot e conseguiu que ele o publicasse na incipiente “Enciclopédia”.

É certo que foi uma vitória, mas ainda insuficiente para satisfazer a sua ambição de chegar ao círculo mais alto da Sociedade e, por isso, ele passou a utilizar toda sorte de meios e métodos para se aproximar da nobreza.

Através da música e da declamação de poesias rompeu algumas barreiras e no ano de 1743 conheceu, através de um padre amigo, duas senhoras da elite que lhe franquearam algumas portas. Uma dessas senhoras era esposa de Monsieur Claude Dupin, conselheiro do rei, por quem ele se apaixonou e a quem tentou seduzir, em vão.

Nessa ocasião ele começou a escrever a ópera “Les Muses Galantes” e foi indicado por outra conhecida para o cargo de Secretário, na embaixada francesa em Veneza (atual Itália).

Nesse posto permaneceu por dezoito meses, entre 1744-1745, empenhando-se sinceramente, pois almejava fazer uma bela carreira diplomática. Porém, seus esforços não foram suficientes para agradar ao Embaixador que não perdia oportunidade em destratá-lo, criando-lhe um ambiente terrível. Por fim, Jean Jacques não suportou mais e após uma violenta altercação entre ambos, abandonou seu posto e voltou para Paris, onde enfrentou grandes dificuldades, pois só conseguiu receber seus salários e outras verbas após um longo e desgastante processo na justiça.

Traumatizado pela péssima experiência, voltou-se inteiramente para a música e concluiu a ópera que havia iniciado, conseguindo que ela fosse cantada por Rameau, apesar de ele criticar alguns de seus trechos.

Alegrou-o, todavia, a boa receptividade que outros críticos e músicos lhe deram. Seu sucesso estava iniciando-se e doravante se consolidaria, alavancado por sua participação no projeto da “Enciclopédia”, como veremos no próximo capítulo.


Lettré, l´art et la Culture. Rio de Janeiro, Primavera de 2014.