terça-feira, 7 de outubro de 2014

Rousseau e o Romantismo - Parte I - Preâmbulo


Rousseau e o Romantismo - Parte I - Preâmbulo
Preâmbulo

Recorda-se o leitor (a) que no capítulo anterior citou-se o antagonismo entre os ideários de Voltaire e o de Rousseau, ainda que ambos se abrigassem sob o manto do Iluminismo.

Em verdade, aquele conflito especifico repetia o eterno movimento pendular que constitui a essência do Pensamento filosófico: a alternância entre o predomínio de uma tendência caracterizada por um pensar mais associado à realidade física, concreta; e a predominância de uma corrente mais ligada ao abstrato, espiritual, sentimental, sobrenatural.

Tendências que não podem ser classificadas como “superior” ou “inferior”, haja vista que cada qual tem seu mérito se adéqua às condições que a civilização enfrenta naquela quadra do tempo, já que são resultantes da conjuntura histórica do momento. São teses e antíteses que nunca serão resolvidas em uma síntese superior, pois se tal sucedesse ter-se-ia o “conhecimento total”, que sabemos ser impossível em virtude das limitações da mente humana. Assim sendo, resta-nos aproveitar a existência do contraditório que esse embate propicia e ver no mesmo a faísca que acende as novas luzes do Saber.

Isso dito, colocaremos na sequência algumas características que diferenciam o Romantismo do Sentimentalismo, e logo na sequência iniciaremos as considerações sobre o maior expoente dessa corrente, Jean Jacques Rousseau.

01) Otimismo filosófico;
02) Providencialismo;
03) Tradicionalismo
04) Titanismo,
sendo:

Otimismo filosófico – a convicção de que a realidade é tudo aquilo que deve ser; e de que é sempre perfeita e racional. Graças a tal otimismo, o Romantismo tende a exaltar como sublime a dor, a infelicidade e o próprio mal, pois a magnitude superlativa do “espírito” também se manifesta nos aspectos negativos da realidade, superando-os e até os resolvendo. Exemplo claro dessa tendência é a Filosofia de Leibniz, entre outros.

Providencialismo histórico – a história é um processo necessário (no sentido filosófico) no qual a “Razão Infinita (O Espírito, Deus)” se manifesta ou se realiza. Por isso, na história nada há de irracional ou inútil. Entre o Romantismo e o Racionalismo observa-se a seguinte diferenciação:
O Racionalismo associa a “tradição” com a ignorância, a superstição, os preconceitos, a violência, as fraudes e a “história” com o processo de reconhecimento dessas negatividades e de esforço para libertar-se delas. O Romantismo, ao contrário, considera que a tradição e a história são manifestações “Razão Infinita”, sendo ambas, portanto, verdade e perfeição.

Tradicionalismo – em conformidade com as características acima, tem-se o Iluminismo-Racionalista como crítico e revolucionário; enquanto o Romantismo é conservador, tradicionalista, enaltecendo sempre as instituições e as tradições.

Titanismo – configurado no culto e na exaltação ao “infinito” ou pela negação simples do “finito” que o raciocínio pode demonstrar através do pensamento lógico, atado às regras da física, da matéria. O Romantismo não considera impossível a existência do sobrenatural, do miraculoso, do fantástico, bem como da capacidade humana de se ir além das barreiras concretas. O titã grego Prometeu é um símbolo clássico dessa concepção, já que representa a rebeldia; o avanço para além dos limites da física e das Leis.

Produção e divulgação de Pat Tavares, lettré, l´art et la culture, assessoria de Imprensa e de Comunicação com o Público. Rio de Janeiro, Primavera de 2014.