sábado, 19 de abril de 2014

Libertas

 

 Inconfidência - obra de Di Cavalcanti

Sinto que as hordas dos homens da direita
seguram os meus versos e tentam calar os meus desejos.
São os velhos censores da nova Ditadura 
que em sua medíocre patrulha 
buscam a nós outros, os tolos insanos 
que abriram a boceta de Pandora 
com a dúbia esperança de arautos da bonança.
 
Mas eles que urrem e vociferem as suas religiosas boçalidades,
pois eis que atravessarei os pântanos em que chafurdam
e como Zaratustra, do alto da Montanha, 
a todos conclamarei à liberdade
que salva os anjos 

do obscurantismo desses novos tempos e céus.
 
Danem-se os anões de Liliput, pois eis que 
outros Gulliveres ainda chegarão. Ainda nos redimirão.
E vós, Assumares Militares, ao pó voltareis
para que rastejem em sua moralidade burguesa.
 
Reviva, minha doce companheira, e refaçamos o bom combate.
Sejamos Tamoios a quem nada abate.
Revivamos cada vida perdida e cada utopia corrompida.
É tempo de reacreditar que a Mantiqueira de novo ruge
com a esperada coragem de quem sempre se insurge.
 
Percorramos os Santos Inconfidentes 
e vejamos o quão justa é a sedição.
O quão bela é a sedução 
que a todos levanta do rés do chão.
 
Somos brasileiros livres e libertos. 
E sonhamos despertos de peitos descobertos.
Enfrentemos esses novos "felicianos" dragões 
e expulsemos os fantasmas estrangeiros.
Caricatos demônios passageiros.
 
Que voem como aves de arribação. 
Como corvos que são.
E que saibam: aprendemos a dizer NÃO!


               Em 21 de Abril, dia de Tiradentes, homenagem pouca a todos os caídos em combate, nas Inconfidências que sonhamos.