quarta-feira, 2 de outubro de 2013



WHITEHEAD, ALFRED NORTH
1861 – 1947.

Prefácio

A importância de NORTH no campo da Matemática pode ser exemplificada pelo fato de ele ter sido Mestre de BERTRAND RUSSELL, o célebre Matemático e Filósofo inglês, e o seu mentor e coautor na notória obra “Principia Mathemática”, que ainda hoje é considerada como uma das mais importantes contribuições já feitas ao pensamento lógico. Mas, as suas realizações foram muito além e a sua copiosa e valiosíssima produção literária (da qual damos noticia no final do presente Ensaio) granjeou-lhe várias condecorações, loas e homenagens, dentre as quais o título de membro da “Royal Society e da Academia Britânica”.

Notas biográficas

Alfred North WHITEHEAD nasceu na cidade de Ramsgate, condado de Kent, Inglaterra. Fez seus estudos iniciais no Trinity College, em Cambridge, e após graduar-se, lecionou matemática nessa mesma instituição de 1885 a 1911. Posteriormente mudou-se para a capital, Londres, onde lecionou Filosofia entre os anos de 1911 a 1924, na universidade da cidade.
Em seguida, a convite, transferiu-se para a universidade de Harvard, nos EUA, onde lecionou de 1924 a 1936.  No ano seguinte, 1937, foi guindado à posição de Professor Emérito, cargo e status de que gozou até falecer em 1947.

Obras Principais

  1. A Ciência e o Mundo Moderno, de 1925.
  2. Aventura das Ideias, de 1933.
  3. Conceito de Natureza, de 1920.
  4. Investigação sobre os Princípios do Conhecimento Natural, de 1919.
  5. Modos do Pensamento, de 1938.
  6. O Devir da Religião, de 1926.
  7. Processo e Realidade: Ensaio sobre uma Cosmologia, de 1929.
  8. Simbolismo: seu Significado e Efeito, de 1927.
Além da carreira acadêmica

Paralelamente à lida no ensino, desenvolveu seu sistema filosófico, que expôs gradativamente ao longo de suas publicações e dos seminários, cursos e palestras que ministrou e proferiu.

Considerado um erudito excepcional, com inúmeras e valiosas contribuições para a compreensão da Teoria da Matemática”, WHITEHEAD era possuidor de notáveis conhecimentos em Literatura e em Filosofia e generosamente usou a sua sólida erudição para desenvolver um estudo profundo acerca das origens da Matemática, das Ciências e da Filosofia; bem como para desenvolver abrangentes pesquisas sobre a “Lógica Simbólica*”, que é o conjunto de estudos que busca expressar, ou dizer, em Linguagem Matemática (algarismos, sinais) a maneira como se estruturam e operam os pensamentos. Com isso, pretende criar uma linguagem rigorosa que se adeque ao pensamento científico e ao gosto dos adeptos dos métodos Empirista, ou Positivista.

NOTA do AUTOR - Para criar esse tipo de Linguagem, a Lógica Simbólica busca desvendar as “Estruturas do Pensamento” a partir de um número mínimo de axiomas (as premissas evidentes que se admitem como Verdadeiras, mesmo sem comprovação).

A aparente contradição

Embora possa parecer contraditório, o fato é que a Filosofia de WHITEHEAD foi elaborada com o claro objetivo de combater o Materialismo Cientifico* que era hegemônico à época e ainda hoje é associado à insipidez da Matemática.

NOTA do AUTORMaterialismo Científico*, nessa concepção é a tese que afirma serem suficientes os estudos científicos para explicar todos os fenômenos mentais, sociais, históricos etc.

E em razão dessa oposição, no inicio do século XX, ele elaborou uma de suas teses que se tornaram mais notórias: “Método de Abstração Extensiva”.

Através da mesma, ele procurou explicar os conceitos básicos que são utilizados nas ciências, particularmente nas chamadas “ciências da natureza”.

E seguindo esse propósito, dedicou especial atenção para esclarecer aquilo que os cientistas classificam como hipóteses inexplicáveis” no campo da Física.

Outros ideários

Outros campos de estudos que também mereceram a sua atenção foram o “Dualismo”, onde ele elaborou várias opiniões criticas contra a divisão entre Espírito e Matéria, Substância e Acidente (ou essência e fenômeno), Abstrato e Concreto etc. E a tradicional representação do Tempo; que também foi alvo de suas ácidas censuras, haja vista a sua discordância em relação à noção que se faz acerca desse elemento.

Em outro terreno, pregou que a natureza física (os rios, as montanhas, as árvores, os homens etc.) é uma “Experiência de Deus”; ou seja, uma forma de o homem ter algum contato com a divindade. De experimentá-la. Segundo ele, quando os objetos, ou as coisas, passam do “Mundo Ideal* para o “Mundo Material”, permitem que se sinta”, que se “experimente a presença do divino. Tem-se, pois, a experiência de se contatar Deus.

A materialização de uma ideia abstrata daria ao homem a oportunidade de captar, ou experimentar, “Deus” através dos Sentidos (tato, visão, audição, paladar e olfato). Permitiria que ele contatasse essa “Força ou Energia Imaterial” que pode ser chamada de “Deus, Absoluto etc.”. Atente-se, porém, que essa concepção não é original de WHITEHEAD, já que remonta ao antigo Hinduísmo e sobrevive em várias culturas e religiões. No Ocidente foi encampada por nomes ilustres como, por exemplo, o de ESPINOSA que afirmava categoricamente que “Deus é a Natureza”, querendo dizer: “Deus é a Força que sustenta, ou que está por trás da Natureza Material”.

NOTA do AUTOR – Mundo Ideal* no sentido platônico: o Mundo das Ideias como molde para as coisas materiais. E que seria o próprio Deus.

A Filosofia do Processo

Baseado na análise da realidade material ou física que fazemos a partir da percepção que temos dos objetos e das relações entre eles, o seu método afirma que a transição que as coisas fazem entre os dois mundos é que gera a ocorrência dos acontecimentos, os quais, por sua vez, definem os formatos e as naturezas dessas mesmas coisas.

Nessa linha de trabalho, conhecida por Filosofia do Processo, WHITEHEAD censura a inadequação das “Categorias Filosóficas” tradicionais que seriam incapazes de lidar com as relações existentes entre a Matéria, o Espaço e o Tempo, justamente por desprezarem o Processo de mutação entre o Abstrato e o Concreto.

Epílogo

Por tudo que se colocou, fica patente que a Filosofia de WHITEHEAD buscou formular um sistema que reunisse a religião, os princípios do conhecimento, ou saber e a metafísica, vista sob a luz da lógica e das ciências modernas.

Uma meta ambiciosa, certamente. E que causou a rejeição de vários outros pensadores. Particularmente no tocante à questão sobre o conhecimento, já que as suas opiniões divergiam da Epistemologia* ortodoxa em razão da introdução de novos elementos confrontantes aos conceitos Positivistas e Materialistas que eram hegemônicos à época.

O seu citado “Método da Abstração Extensiva” ao definir, por exemplo, um objeto como volumes de espaço encadeados e os “acontecimentos” como “processos de tempo encadeados”, contribuiu seguramente para o acirramento das polêmicas.

Mas é certo que contribuiu igualmente para o avanço no estudo da disciplina. E foram justamente essas polêmicas e seus rebates que consolidaram a notoriedade de WHITEHEAD e fizeram do mesmo um dos filósofos mais influentes em nossa época.

Sua contribuição ainda reverbera nos estudos sobre Filosofia e sobre Matemática e ainda goza de enorme prestigio entre as grandes mentes da atualidade.

NOTA do AUTOREpistemologia*: o estudo filosófico sobre as Ciências.

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Produção e divulgação de TANIA BITENCOURT, rien limitée, de Brasília, na Primavera de 2013.