quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Cem Vinícius


Cabem muitas coisas em cem anos.
Cabem guerras e tréguas, perdas e danos.
Alguns acertos e tantos enganos.
Cabem idas e vindas, partidas e chegadas
e tantas ruas e tantas estradas.
Cabe choro e cabe riso, inferno e paraíso,
loucas paixões e amores de tanto siso.
Muito cabe em cem anos, mas pouco transborda
e de nem tudo se recorda;
talvez de um laço, talvez de um espaço,
de um corpo, de um abraço.
Talvez de uma música, de um filme, de um poema
ou só de quando o Mundo virou um teorema
e a última utopia naufragou no sistema.
E talvez só do tempo em que de tudo se esqueceu,
pois foi o tempo em que a vida morreu
e que dos umbrais só retornou por obra e graça
dos versos de Vinicius, o anjo boêmio dos reinícios,
o menestrel da alforria,
que mais que poeta,
fez-se poesia. 

    Homenagem pouca ao Poeta Grande, Vinicius de Morais * 19.10.1913