sábado, 18 de maio de 2013

Ilíada


Eu sei que deveria, mas não consigo reter
a lágrima que choro por Heitor, "o domador de cavalos".
A mesma lágrima que nunca não consegui sustar
por homens que são apenas homens
e que caem esmagados pelo peso de Aquiles deuses.
O choro pelo comuns, pelos vulgares Fabios de tantos nomes,
desprovidos da pomposa glória do Olimpo de Zeus.

O pranto pelos que me são iguais, cuja Tróia de todo dia,
custa-nos a morte repetidas mil vezes.
A morte miúda e ainda assim tão amarga.
Mortes de "Heitores" cujos corpos perdem as almas
por indevidos atos de tantas Helenas e tantos Páris.

A morte de nossas Cidades-Pátrias-Casas,
violadas por Gregos Cavalos de Odisseu
no útero da frágeis muralhas
que Homero ainda nos permitia.

A morte do homens
que choram por si.


                  
Referência à obra "A Ilíada" de Homero.