quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Uma Musa



Sempre houve uma Musa apenas,
porque sempre se quis o Amor verdadeiro.
Desses, que permitem o silêncio
que tudo diz sobre o que não se fala.
Desses, em que o Desejo
é o orgasmo que se prolonga
pelas mãos que se dão
para que o sono não afaste
as almas adormecidas.

Desses, que antecipam a madrugada
em que os versos são escritos
e nos quais se sabe que as Odisséias
são redivivas e a Poesia é possível.

Desses, em que se entende
o porquê de Odisseu tanto navegar
em busca de sua Penélope única;
sabia o herói
que ainda que o Mar
seja a liberdade
é doce o gosto de ficar,
pois o perfume da rosa
só há,
porque a raiz existe.

Desses, que um dia no calendário
é mais que uma marca.
É o signo do eterno recomeçar.

        Para a Cris,

Digitado pela Taisinha.