domingo, 2 de setembro de 2012

George LUKÁCS - Filósofos Modernos e Contemporâneos (Revisado)

LUKÁCS, Georg Bernhard Von Szegedin.

1885 – 1971
Szegedi Lukács Gyorgy Bernát (em húngaro) nasceu em Budapeste, na Primavera europeia.
Sua importância na Filosofia Contemporânea é reconhecida até por seus críticos e segundo Lucien Goldmann ele foi capaz de refazer em sua vida atribulada o que houve de principal na Filosofia alemã.
Inicialmente como Critico (no sentido de “estudante minucioso”) sob a influência de Immanuel Kant, depois como adepto de Hegel e, por fim, como seguidor de Karl Marx.
Sua reputação é decorrência direta de seu talento e de sua dedicação aos estudos, os quais foram terminados, em nível acadêmico, na Universidade de Budapeste.
Ali, além do currículo escolar, LUKÁCS desenvolveu várias outras atividades e se associou a alguns círculos Socialistas, sendo que em um deles teve contato com Ervin Szabó, renomado Anarquista e Sindicalista, que lhe apresentou as obras de Georges Sorel.
Devido a tais influências, LUKÁCS foi, num primeiro momento, um sincero entusiasta do “Anti-Positivismo” (ou seja, condenava com veemência o “Materialismo Cientifico” e a “Rigidez da Moralidade Positiva” já que ambas contrariavam os preceitos da Filosofia Anarquista) enquanto demonstrava um tímido entusiasmo pelo “Modernismo”, apenas por ser o inverso do “Classicismo” que imperava nas Artes à época.
De 1904 a 1908, envolveu-se com as pessoas de uma companhia de teatro que já havia encenado peças de Henrik Ibsen, August Strindberg e Gerhart Hauptmann. A companhia desses Intelectuais, em conjunto com os anteriores, foi um poderoso incremento em sua Cultura e um fator decisivo para orientar a sua perspectiva sobre o Mundo.
Tornou-o aberto para as possibilidades que estão além da estreita visão burguesa e o convenceu da importância da Racionalidade para minar as antigas superstições religiosas que foram adaptadas para a Política e que embasavam a organização da Sociedade.
LUKÁCS passou a maior parte de sua juventude na Alemanha e entre os estudos que realizou na Universidade de Berlim (1906-1910) e na de Heildeberg (1911-1913), conheceu mais alguns Intelectuais que consolidaram sua erudição e aumentaram-lhe o leque das opções filosóficas. Dentre outros, conheceu: Georg Simmel, Max Weber, Ernst Bloch e Stefan George, os quais, junto com o próprio ambiente universitário, levaram-no a adotar o Neokantismo*, como Sistema Filosófico preferido, sem, no entanto, repudiar suas antigas inclinações por Platão, Hegel, Kierkegaard, Dilthey e Dostoiévski (que geralmente é mais conhecido como romancista).
NEOKANTISMO – (do grego, neo = novo + Kantismo) Movimento filosófico da segunda metade do século XIX que se difundiu principalmente na Europa. Sua principal proposta era afirmar a Filosofia como “Teoria do Conhecimento” e fundamentadora das Ciências Naturais e das Normas Sociais, segundo o Ideário de Immanuel Kant.
Ativismo Político
Após graduar-se, LUKÁCS voltou à Hungria em 1915 e passou a liderar um grupo de Intelectuais de Esquerda que contava em suas fileiras com Karl Mannheim, Béla Bartok, Béla Balázs, Karl Polanyi etc. Ali ele começou sua prática efetiva nas lidas do Socialismo.
Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial e da Revolução Bolchevique, adaptou seu Ideário ao momento e em 1918 juntou-se ao Partido Comunista Húngaro tornando-se dedicado e fiel Marxista.
Durante o curto Governo da República Soviética da Hungria ele foi feito “Comissário do Povo para a Educação e Cultura” e trabalhou na 5ª Divisão do Exército Vermelho Húngaro.
Após a derrota e queda da Republica Húngara, caiu na clandestinidade, mas acabou preso em Viena, Áustria, e só escapou da deportação graças à intervenção de Intelectuais renomados, como, por exemplo, Thomas Mann e Heinrich Mann.
Em termos intelectuais, voltou sua atenção para os Pensamentos de Lênin e trabalhou no desenvolvimento dos mesmos.
Resultou desses estudos a obra “História e Consciência de Classe” – sobre a qual falaremos mais algures – formada por uma coletânea de Ensaios, cuja publicação primeira, em 1923, obteve uma enorme repercussão em justa compensação ao seu esforço em prover o Leninismo de melhor base filosófica.
Alguns de seus admiradores chegaram a comentar a respeito da mesma que nem o próprio Lênin teria feito melhor, porém essa simpatia não foi unânime e o livro foi duramente atacado por Grigory Zinoviev (que posteriormente foi perseguido por Stalin) no 5º Congresso do Komiterm, em 1924.
Contudo, não obstante esse revés continuou seu trabalho sobre Lênin e logo após a sua morte escreveu um curto estudo sobre o mesmo, intitulado de “Um Estudo sobre a Unidade de seu Pensamento”.
Em 1925 mudou seu foco e publicou uma revisão critica do “Manual do Materialismo Histórico” de Nikolai Bubkharin.
No campo político e na condição de húngaro exilado, permaneceu ativo na “Esquerda” do Partido Comunista Húngaro e nessa situação se opôs tenazmente à política de Béla Kun.
Suas “Teses sobre Blum”, de 1928, clamavam pela derrubada do Governo de Horty (Miklós 1868 – 1957) e pela instauração de uma “Ditadura Democrática do Proletariado e Camponeses” como estágio intermediário até que ocorresse a implantação definitiva da “Ditadura do Proletariado”.
Todavia, novamente, suas ideias não tiveram boa aceitação pelo Komiterm o que o obrigou a fazer, posteriormente, uma autocrítica reconhecendo a impropriedade de sua posição.
De 1929 a 1933 o Filósofo permaneceu em Berlim, mas diante da ascensão do Nazismo mudou-se para Moscou e ali permaneceu até o fim da 2ª Guerra.
Aproveitando-se desse ensejo, as forças que lhe faziam oposição voltaram ao ataque acusando-o de ser “Agente Soviético” por ter residido na Rússia durante aquele período. E tal perseguição lhe ocasionou sérios contratempos em seu regresso à Hungria. Porém, apesar disso, ele se envolveu no estabelecimento do novo Governo húngaro e foi eleito para a “Academia de Ciência Húngara”.
De 1945 a 1946 ele se dedicou a criticar os autores não comunistas como parte de seu trabalho no Partido. Trabalho que, aliás, era-lhe agradável, pois ele compartilhava dessa censura, taxando tais autores de “deficientes intelectuais”. E seu zelo na tarefa foi tal que ele acabou sendo acusado de participar do “jogo administrativo” de remoção dos Intelectuais independentes e/ou contrários ao Regime.
Dentre os Pensadores que teriam sido perseguidos por LUKÁCS pode-se citar, entre outros, Bélas Hamvas, István Bibó, Lajos Prohászka, Karoly Kerényi, sendo que alguns foram presos em várias ocasiões, outros mandados para manicômios e, outros, forçados a trabalhos menores e/ou braçais.
O pensador Claudio Mutti afirmou a propósito, que LUKÁCS teria sido membro da “Comissão do Partido” responsável pela elaboração das listas de livros proibidos por serem “antidemocráticos” e/ou “socialmente aberrantes” que o “Departamento de Propaganda e Informação” do Gabinete do 1º Ministro impunha ao País, enquanto silenciava os autores proscritos, pelos métodos conhecidos.
Essa acusação nunca foi cabalmente comprovada, mas o certo é que LUKÁCS influiu diretamente na censura estabelecida pela chamada “Tática Salami” que vigorou na Hungria durante os anos de 1945 a 1950, sob o governo de Mátyás Rákosi. Porém, até onde se sabe, apenas como Critico de Literatura e avesso aos métodos ditatoriais.
Ademais, deve-se dizer, é sabido que LUKÁCS acreditava na superioridade da “Arte Socialista”, mas preferia que essa vantagem decorresse da honesta competição entre estilos e não através de expurgos, deportações, censuras, deportações, desaparecimentos e outras “medidas administrativas”.
Aliás, essa sua tolerância artística e intelectual custou-lhe o próprio cargo quando o Presidente Mátyas reeditou a famigerada “Tática Salami” sobre o próprio Partido Comunista Húngaro, entre 1948 a 1949, e o expulsou dos quadros do Governo.
Ao Partido, contudo, ele voltou no ano seguinte, 1950, e conforme seus adversários, “convencido” a cooperar com o Regime que, assim, o teria usado durante a prática dos expurgos que foram feitos na Associação de Escritores, entre 1955 a 1956.
É verdade que alguns Intelectuais como Aczel e Merav minimizaram a sua participação nos funestos acontecimentos, afirmando que ele participou apenas como assistente e que cedo demonstrou a sua insatisfação ao abandonar as reuniões.
Após a morte de Stalin em 1956, LUKÁCS tornou-se Ministro no breve Governo de Imre Nagy que não contava com a simpatia da URSS.
Ainda como Ministro, participou da antipartidária Associação Revolucionária Comunista “Petofi” e atuou em várias frentes em prol de reformas que restituíssem credibilidade ao desgastado “Partido Comunista Húngaro”. Mas seu ativismo não foi bem aceito e ele esteve prestes a ser preso e fuzilado nas décadas de 1960 e 1970, como foram vários de seus companheiros.
NOTA do AUTOR - Seus livros “O Jovem Hegel” e “A Destruição da Razão” foram utilizados para acusá-lo de ter-se tornado um inimigo do Socialismo por ter distorcido (sic) a ligação do Marxismo com o Hegelismo e ter denunciado (sic) a Irracionalidade do Sistema.
Após a queda do Governo Nagy, foi deportado para a Romênia com o restante do staff do Presidente deposto. Lá, permaneceu fiel ao Comunismo, mas se tornou um critico mordaz do Partido Comunista da URSS e o da Hungria até os últimos anos de sua vida.
A Obra
LUKÁCS não foi um autor extremamente prolífico, mas a qualidade superior de seus textos garantiu-lhe o merecido prestigio que ainda hoje lhe é creditado.
Seu livro, “História e Consciência de Classe”, de 1919 – 1922 iniciou a corrente de pensamentos que posteriormente tornou-se conhecida como “Marxismo Ocidental”.
Um dos destaques positivos da obra é a contribuição que empresta ao debate relativo à ligação da Sociologia, Política e Filosofia com o Marxismo. Outro ponto destacado é a reconstrução da “Teoria Marxista da Alienação”. E, também, a reflexão do autor sobre outras teses de Marx, como Ideologia, Falsa Consciência, Retificação, Consciência de Classe etc. Na sequência veremos seus argumentos sobre algumas delas:
Sobre a Ideologia ele reafirma a sua tese de que a mesma é uma “Projeção da Consciência de Classe da Burguesia”; ou seja, aquele “conjunto de ideias, crenças e valores” relata, ou descreve, o que os Indivíduos Burgueses pensam sobre si mesmos e sobre o grupo sócio econômico e cultural a que pertencem. Expressa a convicção de que a reunião desses indivíduos, cujas ideias e valores são semelhantes, forma uma “Classe Social”.
Segundo ele, a Ideologia é usada pela Burguesia como se fosse uma “Verdade Absoluta ditada por Deus” e que, por isso, deverá ser aceita e obedecida por todos. Com isso, a Classe dos Burgueses pretende evitar que o Proletariado tome consciência de sua miserável condição e de seu imenso potencial revolucionário.
NOTA do AUTOR – observe-se aqui a semelhança, que não é aleatória, com o Pensamento de ALTHUSSER.
Em outro texto, “O que é o Marxismo Ortodoxo?” o Erudito analisa a Falsa Consciência e afirma que a “Ciência do Real”, ou o “Conhecimento da Realidade” deve limitar-se ao que é efetivamente concreto e se deve pensar ou refletir de maneira exclusivamente objetiva sobre um Período histórico, para se conseguir desmistificar as falsas “Verdades Eternas”, tais como as “Leis imutáveis da Economia”, posto que essas, não passam de meras ilusões ou distorções criadas com nefastos objetivos.
Quanto a Reificação, LUKÁCS argumenta que tal Coisificação é uma decorrência da própria natureza (ou forma de ser) da Sociedade Capitalista, que induz o individuo a privilegiar os seus interesses pessoais acima de tudo.
A Coisificação impede, portanto, o surgimento da “Consciência de Classe”, já que esta obrigaria o indivíduo a pensar primeiro nos interesses de sua “Classe” e só depois nos seus particulares.
Reificaçao – Coisificação – reduzir o Ser Humano, ou aquilo que é ligado a ele (como as suas crenças, ideias, etc.) a valores exclusivamente materiais, físicos, concretos. O termo Reificação é originário do latim (“res” = coisa + ficar + ção) e indica o momento em que o Homem se torna apenas uma “Coisa” e é afastado e de suas características humanas (de suas ideias, crenças, sentimentos, valores éticos ou morais como honra, dignidade etc.); assim como toda a realidade objetiva, concreta, material. Tudo passa a ser apenas “um objeto inanimado”. Esta condição é inevitável e acontece durante o “Processo de Alienação” que lhe é imposto pela natureza (ou forma de ser) do Capitalismo.
Aos interessados em aprofundar-se no tema, recomendamos a sugestão do Sociólogo e Mestrando em Critica de História da Arte, Thyago Marão Villela, para que se estude a “Teoria do Fetiche” de Marx, onde ele coloca a tese de que no Capitalismo as “coisas ou objetos” parecem estabelecer relações sociais (como se fizessem amizades, intrigas, inimizades etc.) enquanto os Indivíduos se quedam passivos perante os mesmos, transformando-se também em meras “coisas ou objetos”.
Assim sendo, para o surgimento da “Consciência de Classe” é imperioso extinguir o processo de “coisificação” tão logo ela se materialize, o que só é possível com o surgimento de Correntes Filosóficas e Políticas que quebrem a inércia vegetativa em que vive o Proletariado e que este ganhe poder intelectual através de estudos, para que na sequência apareçam Partidos Leninistas capazes de orientar a Revolução.
Mas o que vem a ser exatamente a Classe Social?
Em sua obra já citada “História da Consciência de Classe”, de 1920, ele trata primeiro da ausência de definição sobre “Classe” na obra de Marx e, num segundo momento, propõe a sua definição:
O que forma uma Classe Social é a posição do grupo de indivíduos que a compõe em relação ao “modo de produção” (ou seja, grosso modo, Engenheiros compõem [ou fazem parte de] uma “Classe Social” e Pedreiros compõe outra, justamente porque cada qual ocupa uma posição diferente em relação ao modo de produção).
Na sequência, afirma que em cada “Classe” (no Sistema Capitalista) há uma Consciência, a qual, porém, não é formada segundo os interesses dos indivíduos componentes da mesma, mas sim pelo seu Sentido Histórico, ou seja, pela suposição criada no correr da história de que uma Consciência seja vinculada racionalmente a determinada Classe por haver uma ligação entre densidade intelectual e firmeza da Consciência.
Em tese: a “Classe Burguesa” graças ao fato de ser composta por indivíduos com mais densidade intelectual teria mais firmeza em suas convicções que a “Classe Proletária”, cujos indivíduos não primam pelo intelecto e, portanto, não conseguem manter- se convictos de suas posições.  
NOTA do AUTOR – a quantidade disponível dos recursos materiais de cada Classe materializa essa diferenciação. Apenas por ter certa folga material é que a Burguesia pode se dar ao direito de cultivar valores abstratos que formam a Consciência de sua Classe. Já o Proletariado tem sua atenção voltada exclusivamente para a sobrevivência física, para as necessidades básicas diárias, sendo impraticável enxergar além de seu horizonte imediato. O seu eventual “companheiro de Classe” deixa de sê-lo para se tornar um competidor a mais que lhe disputa os parcos recursos. É um círculo vicioso que lhe proíbe, pois, a formação da sua “Consciência de Classe”, a qual, no entanto, seria um instrumento teórico imprescindível em sua luta contra a Burguesia e em busca de mais justiça social.
A partir daí o Pensador analisa as duas Classes que o Marxismo estuda: a Burguesia e o Proletariado.
A primeira, não obstante possuir capacidade para compreender a totalidade da Sociedade (ie, que além de si, existem outras Classes que também tem o Direito de buscar suas realizações), tem essa compreensão reduzida pela força de seus interesses (grosso modo, é como se forçasse a não ver) e com isso tem apenas uma Falsa Consciência.
Já o Proletariado, apesar do que foi exposto na “nota do autor” anterior, tem potencial para vir a compreender plenamente a Sociedade - principalmente porque lhe interessa destruir o “Modo de Produção Capitalista” – mas seria necessário que se desvencilhasse daquela Falsa Consciência que toma emprestada da Burguesia; ou melhor, que lhe é imposta pela mesma. Que se livrasse da referida.
Dessa sorte, a Revolução Proletária, segundo LUKÁCS, não poderá surgir de um ambiente pacifico (ou pacificado), já que nada será entregue voluntariamente. Tudo terá que ser tomado.
 Não acontecerá de modo passivo, pois é imperioso que o Proletário adquira sua Consciência de Classe através da luta para que se organize e se fortaleça e crie condições efetivas para derrubar o Sistema que lhe oprime.
É preciso que saiba se aproveitar das Crises que periodicamente assolam o Capitalismo para fazer eclodir a Revolução.
NOTA do AUTOR – essas ideias de LUKÁCS foram bem aceitas, mas foram repudiadas por ele no fim de sua carreira. Principalmente a parte em que ele colocava o Proletário como sujeito da Historia.
Critica Literária e Estética.
Doravante trataremos dessa outra atividade do Intelectual, pois além da excelência de seu trabalho no campo da Filosofia Política e Filosofia Marxista, ele foi um dos mais influentes Críticos Literários do século XX.
Sua entrada nessa lida aconteceu com os estudos feitos em sua obra “A Teoria do Romance”. Trata-se de um relato sobre a história do Romance, enquanto gênero literário e, também, uma investigação acerca de suas características.
Outro Ensaio de sua lavra que se tornou célebre é aquele intitulado de “Kafka ou Thomas Mann”. Nele, LUKÁCS argumenta a favor da superioridade que enxerga na obra do segundo, classificando-a como mais adequada ao Modernismo.
Aliás, sobre essa classificação é interessante notar que LUKÁCS a coloca de forma elogiosa, enquanto discordava das inovações “Modernistas” introduzidas na Forma Literária por autores como o próprio Kafka, James Joyce e Samuel Beckett.
Outra singularidade a ser notada em seu trabalho é o louvor que ele dedicava aos antigos Romances de Cavalaria, como, por exemplo, os de Walter Scott.
Em seu livro “O Romance Histórico” ele afirma categoricamente que autores como Scott, embora resvalem para certa nostalgia em favor da Monarquia, opunham-se valorosamente contra a ascensão da Burguesia (Sic).
Prosseguindo, veremos outros trabalhos de sua autoria que também merecem notoriedade, como, por exemplo: “Notas sobre o Romance” e “Narrar ou Descrever”.
Nesse último, o Erudito analisa mais detalhadamente a Literatura Marxista e discorre sobre a diferença entre o “Romance Naturalista” e o “Romance Realista (ao estilo do escritor francês, Emile Zola, autor de “Germinal”, entre outros)”. No primeiro, ele faz uma revisão histórica sobre a formação do gênero “Romance”, desde a sua gênese até o ponto em que prognostica seu futuro formato, quando ele for feito pelo Proletariado.
NOTA do AUTOR – deve-se observar que tais Prognósticos foram muito mal recebidos por várias Correntes do Marxismo, principalmente por aquelas que lhe eram adversárias.
Segundo LUKÁCS, o Romance sob a égide do Capitalismo (como pode, segundo ele, ser observado já em Dom Quixote de Miguel de Cervantes [sic]) mostra o abandono de uma Consciência de Classe Coletiva em beneficio de uma Consciência Individualista, o que lhe dá um formato, ou uma forma, predominantemente burguês.
Mas, com o triunfo do Socialismo o gênero se encaminhará para a Forma, ou Formato, Realista, no qual a individualidade voltará a ser vista como “apenas” uma parte dentro de uma Estrutura Geral.
Como já se mencionou algures, LUKÁCS também demonstra seu repúdio pela “Forma Naturalista” que, a seu ver, privilegia aspectos da Realidade que em nada contribuem para o esclarecimento acerca da Condição Social em que o Enredo se desenrola.
Em “Narrar ou Descrever” afirma que para favorecer o surgimento de uma Conscientização mais critica sobre o papel social dos indivíduos a Narrativa, ou o “Narrar”, é mais eficiente que a Descrição, haja vista que esta se prende a formalismos inúteis.
Além dos textos citados, LUKÁCS escreveu vários textos sobre o ramo da Filosofia chamado de Estética. Para ele, ao contrário de Intelectuais de peso como, por exemplo, Theodor Adorno, a principal função da Arte é fomentar a transformação da “Consciência Individual”, dando-lhe, assim, capacitação teórica para confrontar a Sociedade Capitalista.
Para muitos, essa sua visão é estreita e tacanha, mas é oportuno lembrar que esse ponto de vista foi decisivo para que posteriormente surgisse o “Realismo Socialista Russo” que, apesar da rejeição de tantos, constituiu-se em um Movimento de alta importância no cenário da Arte e da Sociedade.
Epilogo
Chegados ao final, vimos que Pensamento de LUKÁCS foi combatido, criticado e censurado e que ainda hoje enfrenta resistência de vários setores da Esquerda.
Contudo, também vemos que o mesmo sobreviveu rijo e forte e chegou aos nossos dias com a relevância que merece graças à sua profundidade, singularidade e erudição.

São Paulo, 02 de Setembro de 2012.