domingo, 12 de abril de 2015

Óperas, guia para iniciantes - PORGY and BESS, Gershwin - Ensaio completo.



Porgy and Bess

AutoriaGershwin (George – nascido Jacob Gershowitz – 1889-1937 – EUA New York)

Libreto – DuBose Heyward e Ira Gershwin

Personagens:

PorgyProtagonista masculino – interpretado por um Barítono.

Bess – protagonista feminina. Interpretada por uma Soprano.

Crown – Interpretado por um Barítono.

Serena – interpretada por uma Soprano.

Clara – interpretada por uma Soprano.

Maria – interpretada por uma Mezzo Soprano.

Jake – interpretado por um Barítono.

Sportin´Life – interpretado por um Tenor.

Robbins – idem.

Jim – interpretado por um Barítono.

O agente funerário – idem.

O detetive – participação em prosa. Sem melodia.

Frazier – interpretado por um Barítono.

Local e Época:
Subdistrito chamado de Catfish Row, distrito de Charleston, Carolina do Sul, EUA. Começo do século XX
Prefácio
É possível que o (a) amável leitor, que me honra ao seguir essa série de Ensaios sobre óperas, veja com certa reserva a inclusão da obra de Gershwin nessa categoria, já que, habitualmente, ela é vista apenas como um espetáculo musical.
E, de fato, no início, os críticos mais ortodoxos se negaram a incluí-la no gênero operístico, remetendo-a ao gabarito menor das “representações musicais”.
Todavia, dois anos após essa restrição, Gershwin faleceu, aos trinta e sete anos de idade, durante a cirurgia que tentava extirpar um tumor em seu cérebro; e quatro anos depois, 1941, Porgy and Bess foi reencenada em New York, no majestoso “Metropolitan”, com uma superprodução que não economizou em cenários, figurinos e, principalmente, talentos musicais. Um espetáculo digno das melhores críticas que os entendidos lhe dedicaram.
Então, somou-se a simpatia que o público tinha pelo autor – ampliada por sua trágica morte prematura – com essa nova e superior encenação e o resultado foi a reconsideração dos experts acerca de sua classificação, passando a considerá-la como a primeira Ópera estadunidense.
Atualmente, tal classificação já não é questionada, embora ainda seja pouca conhecida entre o público leigo. Porém, mesmo este, ao conhecê-la não hesita em assegurar a justiça de sua inclusão nesse patamar superior que se chama de A Grande Arte.
Enredo
O verão é escaldante e o calor sufoca o fim do dia na comunidade negra de Catfish Row, Charleston.
O cenário reproduz uma rua da zona portuária, povoada por pescadores, estivadores e outros trabalhadores ligados ao ramo pesqueiro.
Em segundo plano, logo de início, a plateia se delicia ao ouvir Clara, mulher de um pescador e habitante do lugar, cantar a famosíssima “Summer Time” para embalar o filho nos braços.
Essa primeira ária – um clássico per si – sinaliza o espírito da obra: a eterna esperança de dias melhores, apesar das dificuldades do Presente; e a presença marcante de um sentimento de acalanto e de fraternidade, em contraponto às duras condições de sujidade, miséria e exploração daquele submundo.
Com a chegada da noite, alguns homens se reúnem para o habitual jogo de dados, entre os trabalhadores recém-saídos de suas labutas. Pouco depois, o estivador Robbins faz ouvidos surdos aos apelos de sua esposa, Serena, e se junta aos demais. Outros formam o Coro onde se destacam as vozes possantes de Jim e de Jake que solam a melodia “A Woman is a Something Thing”.
Poucos instantes são passados e entre em cena uma carriola puxada por um cabrito. Nela, chega Porgy, cuja grandeza de espírito, compensa o severo aleijão que lhe obriga a viver da caridade alheia.
Com ele, completa-se a roda de jogadores e os dados começam a ser lançados. Instala-se um ambiente de disputa alegre, mas pouco demora para que o estivador Crown, temido por seu mau humor e péssimo caráter, acuse Robbins de trapaça. Este, sem se intimidar com a má fama e com a visível embriaguês de seu acusador, reage prontamente; mas Crown, mais experiente em brigas, usa um pesado gancho para lhe desferir um golpe tão potente que a sua morte é instantânea.
Em seguida, aproveitando-se do aturdimento que o seu ato provocou, consegue escapar e foge para as florestas da ilha Kittiwah, onde acredita que estará livre de ser preso.
Na sequência, escuta-se uma sirene da polícia e todos fogem, exceto a jovem e bela, Bess, a amante de Crown. Rejeitada pelas outras mulheres da comunidade por sua volubilidade, ela se vê totalmente desamparada até que o generoso Porgy a recolhe em seu casebre miserável.
Assim, encerra-se a primeira cena.
A segunda cena desenrola-se em um cenário que reproduz a casa do falecido Robbins. Na sala humilde o seu corpo está sendo velado pelos amigos e pelos vizinhos, que além de prestarem essas últimas homenagens, fazem suas possíveis pequenas doações para as despesas com o enterro.
Em tom patético*, o Coro entoa a fúnebre “Gone, gone, gone...” e a viúva, Serena, entoa a ária “My man´s gone now”, na qual expressa a angústia que sente.
E o canto sofrido, cadenciado, prossegue até que um homem branco entra na sala e se identifica como investigador. Sua chegada causa um mal-estar generalizado** e todos se aquietam temerosos.
O policial dirige-se à viúva e lhe diz secamente que o corpo deverá ser enterrado no máximo até o dia seguinte; pois, caso contrário, será doado para a Faculdade de Medicina e usado em testes e estudos. Depois, diz a um dos presentes que o levará à delegacia como “testemunha”, para iniciar as investigações.
A tensão aumenta exponencialmente e se torna quase que palpável, já que a doação do corpo para estudos impediria que fossem prestadas ao morto os tributos e os ritos tradicionais. Ademais, para o escolhido como “testemunha”, ser levado para a delegacia significava que seria submetido às torturas de praxe e, até, ser incriminado pelo homicídio.
Diante, então, dessas sombrias expectativas, os presentes não hesitam em apontar Crown como o assassino, fazendo com que o detetive se dê por satisfeito. Concomitantemente, o agente funerário que o acompanha se penaliza pela miséria reinante e se dispõe a fazer as exéquias, mesmo que o valor arrecadado seja irrisório.
Solucionados os impasses, o Coro entoa um triste Spiritual, “Leavin For´de Promis´Lan´ (partindo para a Terra Prometida)” e Robbins é levado para o “descanso eterno”.
É o fim do primeiro ato.
§§§
Quando o segundo tem início, um mês já passou desde o infausto assassinato.
Enquanto os pescadores preparam as redes, alguns remadores seguem para o alto-mar entoando “I take a long pull” como se fosse um hino ritual.
Momentos depois, Porgy sai de seu barraco demonstrando toda a felicidade que vem sentindo desde que Bess passou a morar consigo. Ao cantar “I go plenty o´nuttin” expressa o amor que lhe dedica e a ventura que experimenta.
Instantes depois, Bess entra em cena acompanhada pelo vigarista Frazier, que finge ser um advogado. Outros se juntam à dupla e todos seguem em direção a Porgy para tratarem do divórcio dela e de Crown.
Será mais uma falcatrua do falso jurista, pois ele bem sabe que Bess e Crown não são casados legalmente, o que dispensaria qualquer formalidade ao se separarem. Contudo, fingindo-se muito ocupado, ele diz ao ingênuo Porgy que fará o trabalho por apenas um dólar, desde que “inexistam complicações inesperadas e em consideração a admiração que sente por ele”, noutra demonstração de seu cinismo.
O casal mostra-se satisfeito, já que a partir daí poderá consolidar o seu relacionamento; todavia, a noticia desagrada ao traficante de drogas Sportin´Life, que sempre demonstrou interesse em Bess, sem que ela o rejeitasse com muita convicção. Por isso, agora, ele faz nova investida sobre ela e chega a lhe oferecer uma porção do narcótico que vende, “Happy Dust (aliás, a droga que durante toda a Ópera simboliza o poder maléfico do traficante)”.
Porém, talvez enlevada pelo momento, dessa vez ela o rejeita firmemente e se junta às outras mulheres da comunidade, que passaram a aceitá-la em consideração a Porgy, para criticar asperamente o comportamento petulante do facínora. Na sequência, corre ao encontro de seu futuro marido e ambos entoam o belíssimo dueto chamado de “Bess, you is my woman now”.
Findo o canto, inicia-se um novo quadro com a comunidade se preparando para viajar até a ilha de Kittiwah, onde participará do serviço religioso, ali celebrado, e do piquenique que o sucede.
Bess sempre adorou festas e passeios, mas decidiu não ir a este para que Porgy não fique sozinho. Ele, por sua vez, não acha correto privá-la desse prazer e tanto insiste que ela acaba concordando em participar da excursão.
Pouco depois, cantando uma alegre canção todos seguem para as embarcações. Porgy ficou só, mas está feliz por saber da felicidade dos amigos e da mulher que ama.
E com esse clima festivo, encerra-se a primeira cena.
A segunda é ambientada na ilha onde se desenrola o Culto religioso e a festa. Sportin´Life canta uma paródia de mau gosto, com várias blasfêmias e ofensas aos Textos Sagrados; e, apesar da impropriedade desse conteúdo, o ritmo da melodia contagia praticamente a todos, que se esquecem do caráter sacro do lugar e deixam de entoar os Spirituals rituais, para seguirem a música do traficante.
Um clima de deboche, de lubricidade e de galhofa se espalha e só tem fim quando Serena, a viúva de Robbins, faz uma enérgica repreensão ao grupo.
Após recompor a ordem, ela determina o fim do passeio e o retorno para casa. Bess, porém, atrasa-se e quando os outros já estão distantes o seu ex-amante, Crown, surge do matagal onde esteve escondido desde o dia do assassinato que cometeu.
Inicialmente Bess mostra-se apavorada, depois demonstra sentir certa repulsa, mas, por fim, entrega-se apaixonadamente ao seu antigo e cruel companheiro.
É o fim da segunda cena.
A terceira, mostra que uma semana já passou e que o oitavo dia está nascendo.
Como de hábito os pescadores saem para um novo dia de trabalho, enquanto que a adoentada Bess recebe os cuidados de Porgy, que sequer imagina a traição de que foi vítima, mesmo ciente de que ela só voltou alguns dias depois. Serena empresta a sua solidariedade ao casal cantando um hino religioso, “Time and time again”, com o qual pede a cura da enferma. Finda a música, do alto de sua fé, ela assegura a Porgy que “Doctor Jesus” em breve curará a sua mulher.
Na rua, vendedores de morangos e de caranguejos apregoam as suas mercadorias em busca dos clientes ausentes, impedidos pela miséria em que vivem.
É um dia tristonho, que escorre lentamente. E outros dias iguais se arrastam enquanto Bess vai readquirindo a saúde do corpo, embora sinta na alma uma dor lancinante por ter enganado seu bom homem. O remorso a atormenta em todos os segundos.
Oscilando constantemente entre a culpa e o temor, ela promete a Porgy que nunca mais lhe deixará e, na sequência, canta a ária “I Love you, Porgy”, como que selando a sua promessa. Ele, emocionado, se junta ao Canto e ambos fazem da música um dueto que só é interrompido pelos sinais de que um furacão se aproxima.
É o fim da terceira cena.
A quarta cena é ambientada no casebre de Serena, onde a comunidade se reuniu para rezar pelos que estão em alto-mar sob a ameaça do vendaval.
Porém, pouco após o início da vigília, o clima penitente é quebrado quando a porta do recinto é aberta com um grande estrondo pela ameaçadora e gigantesca figura de Crown, que se aproveita da falta de policiamento em razão da proximidade da tormenta, para deixar o seu esconderijo.
Como de hábito, o seu discurso é uma mistura de zombarias e blasfêmias. A todos insulta e enquanto ridiculariza o temor que sentem e a fé que praticam, avisa com a peculiar arrogância que voltou para levar Bess consigo, mesmo que para tanto tenha que cometer outros crimes.
É visível o temor que o facínora inspira naquela pobre gente; mas, Clara, pouca atenção dá às suas ameaças, já que todas as suas preocupações estão voltadas para o seu amado Jake, que se encontra em alto-mar à mercê dos rigores da tempestade.
Aflição que só aumenta, até que não podendo mais aguardar inerte, ela sai afobadamente em direção à praia, como se isso pudesse salvar a vida de seu homem. Crown, ainda caçoando da covardia geral, dispõe-se a acompanhá-la num surpreendente gesto de solidariedade. Enquanto isso, Bess, acomoda em seu colo a criança que Clara deixou e se junta aos demais para cantarem o Spirituals “Doctor Jesus”.
É o fim do segundo ato.
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O terceiro ato começa a ser encenado mostrando a noite seguinte à tempestade.
Bess ainda traz a criança consigo, enquanto Porgy vigia pela janela uma eventual chegada de Crown. Em Coro, os vizinhos tentam consolar Clara, cujo companheiro, Jake, não voltou do mar, estando, provavelmente, morto.
Noutro canto do cenário, cinicamente, Sportin´Life prevê com maldosa satisfação que haverá uma séria briga entre Crown e Porgy, pelo amor de Bess.
São cenas que se justapõe e que mostram os atos generosos e os indecorosos que normalmente existem entre os agrupamentos humanos. Mostra cruamente o que há de melhor e de pior nos homens.
Quando a noite avança todos se recolhem, exceto Porgy que se mantém vigilante e atento a um eventual ataque de seu rival.
E, com efeito, não passa muito tempo até que Crown chega sorrateiramente e força a porta do casebre, mas Porgy já se preparara para o momento e sem qualquer hesitação acerta-lhe uma vigorosa punhalada na cabeça que o fulmina instantaneamente.
­- Bess será só minha, murmura, encerrando a primeira cena.
A segunda, começa com a manhã do dia seguinte ao assassinato cometido por Porgy.
Um policial branco adentra o cenário e observa que a comunidade aparenta estar na mais perfeita ordem. Como se fosse um mantra, todos que o homem branco interpela respondem que, de fato, apareceu um cadáver naquela manhã, mas, nada se sabe do mesmo, tampouco, quem o matou.
Diante desse “pacto de silêncio”, o homem decide levar Porgy, como testemunha, para prestar esclarecimentos na delegacia. Apenas uma formalidade, diz. E, realmente, nem lhe passa pela mente que aquele pobre aleijado tivesse capacidade de matar um perigoso bandido como era o falecido.
Com a ida de Porgy, Sportin´Life busca seduzir Bess e sem qualquer escrúpulo diz-lhe, mentirosamente, que a culpa de seu marido já foi comprovada e que por isso ele não voltará mais.
Ela, inicialmente, demonstra alguma incredulidade e certa resistência, mas diante da insistência do conquistador barato, o seu espírito volúvel cede e ela aceita de bom grado os elogios que ele lhe faz e as perspectivas irreais que ele propõe. Crente de que ele cumprirá suas promessas de lhe dar “uma vida luxuosa em New York, como uma mulher como ela merece e não um pardieiro como o atual”, pouco custa para que ela o acompanhe, abandonando Porgy em definitivo.
Inalando a dose do narcótico “Happy Dust (o pó da felicidade)” que ele lhe oferece, ela junta suas poucas roupas e o segue, fechando, assim, a segunda cena.
Quando a terceira cena tem início, uma semana já passou.
Como nada se pôde provar contra Porgy, ele é liberado e retorna feliz para casa, sendo alegremente recebido pelos vizinhos e pelos amigos.
Para retribuir o carinho, ele entrega aos mais próximos, alguns pobres presentes que trouxe, reservando o mais caro e luxuoso para a sua amada esposa, pois está certo de que ela, saudosa, o aguarda.
Porém, quando indaga sobre ela, um constrangido silêncio é a única resposta que obtém. Então, já presumindo o ocorrido, ele canta a dolorosa ária “Where is my Bess?”.
A dor que sente ameaça sufocar-lhe, mas uma ilusão ainda o anima e ele pensa que ela está apenas brincando de se esconder e que logo surgirá, rindo do susto que lhe deu.
Porém, Serena e Maria tomam coragem e lhe contam a verdade. Sim, ela partiu acompanhando Sportin´Life.
A tristeza toma conta da cena e elas e ele entoam a penúltima peça musical da obra.
Logo em seguida, amargurado, ele diz que irá buscar a sua amada, ainda que tenha que andar o mundo todo, pois está seguro que um dia a encontrará.
Os amigos tentam demovê-lo, mas a sua determinação é inflexível e para exprimir seu estado de animo ele entoa a vigorosa ária “I´m on my way (Estou a caminho)”, nascida de sua dor e de seu sofrimento. Aos amigos só resta secundá-lo em seu cantar e em sua esperança.
E assim descem as cortinas. É o fim da história de um amor fracassado. O fim de uma história sobre vidas comuns que, graças a Gershwin, tornaram-se clássicas.
Histórico
Gershwin já era um compositor conhecido quando, em 1926, assistiu à peça teatral “Porgy and Bess”, escrita, produzida e dirigida pelo casal Heyward (Dorothy e DuBose).
Foi uma paixão à primeira vista, pois logo ele percebeu que o argumento, os cenários e as personagens adequavam-se maravilhosamente ao seu espírito musical e à sua intenção de contar um pouco da vida de seus conterrâneos mais despojados.
Percebeu que ali estava, em estado bruto, uma opera no sentido mais amplo do termo, ainda que fosse diferente de tudo que até então havia sido produzido.
Negros, pobres, pescadores, mendigos, traficantes de drogas, assassinos etc., habitantes em casebres miseráveis e premidos cotidianamente pela mais negra miséria eram, com efeito, totalmente diferentes da maioria das personagens rotineiras do gênero, que, em geral, conta as histórias de príncipes, princesas, heróis, nobres etc., brancos europeus ou aristocratas asiáticos, habitantes de castelos e acima dos problemas reais das pessoas comuns.
Assim, tão logo se acertou com os proprietários dos Direitos Autorais da obra, iniciou o processo de adaptação da obra. Sem medir esforços, mudou-se para um casebre a beira-mar, em Charleston, Carolina do Sul e passou a frequentar os mesmos ambientes dos moradores locais, absorvendo seus costumes, suas gírias, seus ritmos, suas músicas e tudo mais que fosse necessário para recriar com a maior fidelidade possível, o ambiente em que viviam os originais de seus personagens.
Após essa fase de laboratório, de coleta de informações, fechou-se por cerca de um ano, compondo a majestosa “Ópera Negra”, que, além de sua beleza, também contribuiu para o desenvolvimento da sociedade sob outro aspecto, já que se tornou um importante auxílio à luta contra a segregação racial e social; ao mostrar que os sentimentos daquelas pessoas em nada diferiam das que se situam em melhores condições sociais e econômicas ou das que pertencem a outras etnias.
Juntamente com a bela história de amor entre Porgy e Bess, Gershwin ofertou ao público, sugestivos quadros vivos do comportamento humano, demonstrando que o amor, a lealdade, a solidariedade e/ou o ódio, a inveja, a lubricidade, a violência etc. são facetas comuns a todos os Seres humanos; sem que os últimos sejam exclusividade dos despossuídos, enquanto que os primeiros sejam propriedade das chamadas elites.
Mostrou, pois, a similaridade de todos os homens, independentemente de sua condição financeira ou da raça a que pertencem. E mostrou que a beleza da Ópera está concentrada principalmente nesse ponto, pois ao contar a história de um, conta a história de todos.
Rio de Janeiro, 11 de abril de 2015.
Nota do Autor – Patético – em seu sentido original, isto é: o que toca o coração. Não confundir com o significado equivocado, “ridículo”, que passou a ser utilizado nos últimos tempos.
Nota do Autor** - tenha-se em mente o clima de tenebrosa segregação racial existente nos EUA à época, para melhor visualização do desconforto que a presença de um policial branco causaria em uma comunidade negra.
Lettré, l´art et la Culture. Rio de Janeiro, outono de 2015.