quinta-feira, 9 de julho de 2015

Da Maioridade Penal


- E quanto ao tratamento bucal, Excelência?

- Nem pensar. Imagine o custo de se manter um Serviço de Saúde, digno do nome, para toda a população. Igual ao absurdo de se pagar salários justos para que os pais banquem essas despesas, pois, afinal “o que não mata, engorda kkkkk”. É “a lei do mais forte”, meu caro.

- Se, bobearmos, logo, logo, irão exigir que as Escolas daqui tenham o mesmo nível de países riquíssimos como, por exemplo, o Uruguai e a Argentina. Já imaginou? Você sabe como essa gente é...

- Mas, você, não! Você já está bem crescido para acreditar em “Papai Noel” ou em cidadania, não?

- É certo que nós teríamos recursos para bancar essas despesas, mas, então, eu te pergunto: como iríamos bancar os custos de milhões de Vereadores, Vices e Prefeitos, hein? De milhares de Deputados Estaduais, Vices e Governadores, hein? De centenas de Deputados Federais, Senadores, Ministros, Vice, Presidente e da legião de desocupados, digo, de abnegados Assessores dessa pobre gente? Como, hein? Como iríamos bancar as (os) pobres prostitutas de luxo que os servem para que eles se esqueçam de suas rotinas estafantes? Como iríamos pagar os jatos, os jetons, as práticas corruptas, digo, as lutas abruptas dos nobres edis e governantes? Como, hein? Vamos, responda?

- Com que verba, nossos ilustres gigolôs, digo, representantes, poderiam bancar suas viagens, seus carros, as suas e os seus amantes? E as pequenas mordomias e falcatruazinhas (você sabe, ninguém é de ferro) que todo mundo comete, não é?

- Ora, você não imagina que esses nobres representantes concordariam em abrir mão de suas verbas, jetons, salários, passagens, apartamentos, carros etc. para que o maldito sistema educacional e de saúde fosse melhorado, não é? Ora...

- Esses nobres representantes estão sendo eleitos há décadas e continuarão a ser por mais algum tempo. Você dúvida disso?

- E é graças ao brio e a coragem dessa nobre gente que o Povo obteve a estrondosa vitória que, hoje, eu comemoro, pois sei que esses extorquidos, digo, engrandecidos, cidadãos, continuarão a nos honrar com o voto (é certo que eu tenha que lhes estender a mão e depois desinfetá-la), já que lhes basta algumas medidas paliativas. Isso lhes dá a sensação de serem “agentes políticos kkkk”. Dá-lhes a sensação de que exercem “o Poder”, sacia-lhes o primitivo “instinto de vingança” e lhes oferta a falsa sensação de segurança. Eles adoram essas bravatas.

Portanto, tolo ingênuo, esqueça essa história de “tratamento bucal”, pois se o dente doer, nós o arrancamos e o atiramos no lixo. Digo, na penitenciária.


Lettré, l´art et la Culture. Rio de Janeiro, inverno de 2015.