sábado, 16 de maio de 2015

Mares


O mar em volta do farol
é qual relógio sem ponteiro...

É mais, poeta grande.
É mapa sem linha e sem ponto.
Vazio, de tão cheio
e tão distante
quanto o último quadrante.

Daqui, dessa Assunção, não o vejo,
mas sinto a fria aragem
que vaga nesse São Sebastião do Rio de Janeiro.
e sei-me, oceano inteiro.



Fragmento da Poética de João Cabral de Melo Neto (Rubem Braga e o homem do farol)


Lettré, l´art et la Culture. Rio de Janeiro, outono de 2015.