quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Descartes e o Racionalismo - Parte VI - Preâmbulo e o índice de obras



Chama-se a René Descartes de “pai da Filosofia moderna”, “pai da Matemática e da Geometria” e de mais alguns títulos que, por si, demonstram a admiração que o filho da pequena La Haye en Touraine conquistou em todo mundo, seja entre os seus pares, seja entre o público leigo.

E, de fato, tirante algum exagero, a sua contribuição ao Saber humano foi de tal ordem que só raramente é que se encontram paralelos.

Dotado de uma inteligência poderosa, desde cedo o jovem René demonstrou seu interesse pela Matemática e pelas Ciências e, logo depois, pela Metafísica e pela Epistemologia, dois dos principais temas de Filosofia.

Ávido leitor, não tardou a conhecer a obra dos grandes mestres e durante toda a sua vida nunca escamoteou a influência que recebeu de Pensadores como Platão, Pitágoras, Aristóteles, Sexto Empírico, Pirro, Agostinho, Tomaz de Aquino, Santo Anselmo, Ockam, Francisco Sanches, Scotus, Montaigne e mais alguns.

Vigorosa influência que certamente contribuiu para a concretização de suas grandes obras como, por exemplo, “as coordenadas cartesianas”, “o método da dúvida”, “o argumento ontológico” e tantas outras, as quais, por sua vez, influenciaram diretamente a alguns dos maiores eruditos da Modernidade e até mesmo da Contemporaneidade, como Leibniz, Spinoza, Malebranche, Pascal, Locke, Husserl e até o grande mestre Imannuel Kant.

Foi deveras notável o seu trabalho revolucionário nos campos da Filosofia, das Ciências e da Matemática, na qual, além do citado esquema das “coordenadas cartesianas”, ele criou a chamada “geometria analítica”, a partir da fusão entre a álgebra e a geometria. E a mesma genialidade ele empregou no campo filosófico onde o seu célebre “cogito ergo sun” tornou-se, para muitos, a comprovação definitiva da existência, do ato de existir. Em relação às ciências, os seus feitos não foram menores, ficando famosas, por exemplo, as suas considerações sobre a circulação sanguínea.

Dessa sorte, nada mais justo que o seu nome seja incluído no rol dos maiores sábios que a humanidade produziu e que seja sempre reverenciado pela imensa legião de seus admiradores.

No próximo capítulo falaremos de sua vida e nos capítulos posteriores estenderemos nossos estudos sobre o seu ideário. Antes, porém, citaremos as suas obras:

• Regras para a direção do espírito – 1628 – obra da juventude, inacabada. Adiante voltaremos a falar sobre a mesma.

• O mundo ou Tratado da luz – 1632/1633 – a obra aborda algumas das conquistas definitivas da Física clássica, como a “lei da inércia” e a “lei da refração da luz”. Também traz as bases epistemológicas de sua rejeição aos princípios científicos oriundos do aristotelismo que vigoraram na época da Filosofia Escolástica.

• Discurso sobre o método – 1637 – sobre o assunto desse livro, discorreremos adiante com mais profundidade.

• Geometria – 1637 – idem.

• Meditações metafísicas – 1641 – idem.

• As paixões da alma – 1649 – idem.


Lettré, l´art et la Culture. Rio de Janeiro. Primavera de 2014.